A busca por uma fiscalização mais eficaz e orientada para resultados concretos na área da Enfermagem foi o foco principal do 16º Seminário Nacional de Fiscalização (Senafis), realizado em Alexânia, Goiás. O evento, organizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), reuniu profissionais e especialistas de todo o país para discutir a inovação, as novas tecnologias e as estratégias que podem aprimorar a atuação fiscalizatória, com o objetivo último de garantir a proteção da sociedade e a qualidade dos serviços de saúde.
A necessidade de ir além das inspeções rotineiras e gerar um impacto real na rotina dos serviços de saúde foi enfatizada por Manoel Neri, presidente do Cofen. Ele destacou que a fiscalização deve se traduzir em melhorias efetivas na assistência prestada à população, assegurando a responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
Daniel Menezes, vice-presidente do Cofen, ressaltou a importância do Senafis como um espaço de reflexão sobre o propósito da fiscalização e o seu alcance na vida dos cidadãos. O compromisso do Sistema Cofen/Conselhos Regionais em gerar benefícios sociais e o aprimoramento contínuo dos processos para atender às demandas atuais foram pontos centrais de sua fala.
A integração entre os Conselhos Regionais e o Cofen foi um dos aspectos valorizados por Thaís Luane Prado, presidente do Coren-GO. Ela enfatizou que o intercâmbio de experiências visa capacitar os fiscais para uma atuação mais eficiente e qualificada, ressaltando que o papel da fiscalização transcende a punição, englobando a orientação, a educação e o apoio ao exercício profissional.
Marisa de Miranda Rodrigues, chefe da Divisão de Fiscalização do Exercício Profissional (DFEP) do Cofen, descreveu o Senafis como um ambiente de construção coletiva de conhecimento. A programação, segundo ela, foi elaborada com base nas necessidades identificadas pelos profissionais que atuam na linha de frente, visando fornecer ferramentas práticas para o aprimoramento da fiscalização.
O impacto da inteligência artificial na fiscalização
Um dos temas de destaque no evento foi a palestra magna sobre “Inteligência artificial: mudanças cognitivas, sociais e profissionais”, ministrada pelo pesquisador Diogo Cortiz. A apresentação explorou como a inteligência artificial (IA) está moldando as interações sociais e o mercado de trabalho, ampliando as capacidades humanas, mas exigindo, concomitantemente, um uso ético e responsável.
Cortiz alertou que a IA, embora poderosa, não possui preocupações intrínsecas com a humanidade. Ele comparou seu potencial a um “superpoder”, reforçando a ideia de que grandes capacidades demandam grandes responsabilidades. O uso crítico, ético e transformador da tecnologia foi presentedo como um imperativo para os profissionais da área.
A discussão sobre IA no Senafis sinaliza uma visão prospectiva da fiscalização em saúde. A integração de ferramentas tecnológicas avançadas pode otimizar a detecção de irregularidades, personalizar ações de orientação e até mesmo prever potenciais riscos à segurança do paciente. Essa abordagem promete elevar o nível de assertividade e eficiência das atividades fiscalizatórias.
Além disso, a capacitação dos fiscais para lidar com as transformações impostas pela IA é fundamental. A compreensão de seus potenciais e limitações, bem como o desenvolvimento de diretrizes éticas claras para sua aplicação, garantirá que essa tecnologia sirva como um aliado na promoção da saúde e segurança, e não como um obstáculo.
Avançando na padronização e no compartilhamento de boas práticas
O 16º Senafis se estendeu com uma programação intensa, abordando uma gama de temas cruciais para o fortalecimento da fiscalização. Painéis, oficinas e mesas de debate focaram em áreas como a aplicação de inteligência artificial, os processos éticos, a governança institucional, a gestão de riscos e a inovação.
A busca pela padronização das ações fiscalizatórias e o compartilhamento de boas práticas foram objetivos centrais do encontro. Essa iniciativa visa garantir uma atuação mais uniforme e eficaz em todo o território nacional, promovendo a troca de conhecimentos entre os Conselhos Regionais e o Cofen.
Ao final do evento, a expectativa é que os participantes retornem aos seus estados equipados com novas ferramentas e estratégias. O aprimoramento contínuo da fiscalização é encarado como um instrumento vital para a proteção da sociedade e para a qualificação da assistência de Enfermagem em todo o Brasil.
