Alunas relatam grupo com apostas de estupro e ameaças em escola

🕓 Última atualização em: 28/04/2026 às 08:59

Denúncias graves de violência sexual e ameaças contra estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vieram à tona, gerando repúdio e mobilização institucional. Grupos virtuais de estudantes masculinos estariam envolvidos em dinâmicas de aposta sobre agressões sexuais a serem perpetradas contra colegas mulheres. Um caso específico aponta para uma aluna de Medicina sendo alvo de perseguição e ameaças pelo WhatsApp, com informações sobre um suposto “bolão” para determinar quem cometeria o estupro.

A repercussão desses fatos levou entidades como o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) e o Diretório Acadêmico Nilo Cairo de Medicina (DANC) a se pronunciarem oficialmente. As autoridades acadêmicas e sindicais enfatizam a gravidade da situação e a necessidade de medidas rigorosas para investigar e punir os responsáveis, buscando garantir a segurança e o respeito no ambiente universitário.

A UFPR, por meio de sua assessoria, confirmou ter conhecimento das mensagens e anunciou a instauração de uma investigação preliminar pela Corregedoria. O objetivo é apurar a responsabilidade de quaisquer membros da comunidade universitária envolvidos. A instituição também informou ter acionado setores de segurança e acompanhamento psicossocial, além de ter prestado acolhimento e orientação às estudantes afetadas.

O DANC, em nota divulgada em suas redes sociais, detalhou a situação da aluna de Medicina, que estaria sofrendo stalking e ameaças. A entidade orientou as estudantes a evitarem transitar sozinhas e a redobrarem a atenção em eventos sociais dentro do campus. A Polícia Militar já foi acionada e está conduzindo investigações sobre o caso específico de ameaça.

Ações e Respostas Institucionais

O Simepar manifestou seu veemente repúdio a qualquer manifestação de cultura de estupro e misoginia, tanto no âmbito acadêmico da Medicina quanto na sociedade em geral. O sindicato expressou solidariedade às estudantes ameaçadas e ao DANC pelo trabalho em defesa da integridade feminina.

O órgão ressaltou a importância da punição exemplar dos envolvidos, com a possibilidade de expulsão da universidade e responsabilização criminal. A assessoria jurídica do Simepar está à disposição do DANC e das alunas para prestar o suporte necessário. O tema foi incluído na pauta do Congresso Acadêmico Sindical da Federação Médica Brasileira, demonstrando a relevância da discussão em âmbitos maiores.

Adicionalmente, o Simepar tem participado de discussões sobre a formação médica, propondo que escolas médicas com alunos que apresentem condutas inadequadas sejam denunciadas. A intenção é atuar preventivamente para evitar comportamentos de risco e garantir que futuros profissionais da saúde atuem com ética e respeito.

O sindicato mantém um canal de denúncias em seu site (simepar.org.br/denuncia) para receber queixas relacionadas a ameaças, assédio e outras violações dos direitos de profissionais e acadêmicos da Medicina. Essa iniciativa visa fortalecer a segurança e o bem-estar dentro da comunidade médica.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se pronunciou através de uma nota de repúdio. Eduardo Baptistella, presidente do CRM-PR, declarou que a questão será levada até as últimas consequências, com reuniões agendadas com a Polícia Federal e a Reitoria da UFPR. Ele enfatizou que tais barbaridades não serão toleradas na formação médica nem após a conclusão do curso.

Implicações e Prevenção

Os incidentes na UFPR expõem a persistência de um problema social complexo e preocupante, que exige uma abordagem multifacetada. A violência contra a mulher, manifestada de formas tão covardes e degradantes, necessita de combate incessante em todas as esferas.

É fundamental que as instituições de ensino superior assumam um papel proativo na promoção de uma cultura de respeito e igualdade, implementando programas de conscientização e prevenção contra o assédio e a violência sexual. A educação, desde os níveis mais básicos, é uma ferramenta poderosa para desconstruir padrões machistas e construir uma sociedade mais justa e segura para todos.

A colaboração entre universidade, órgãos de segurança pública e entidades de classe é crucial para garantir que casos como este sejam devidamente apurados e que os responsáveis sejam punidos. Além disso, é essencial fortalecer os mecanismos de apoio às vítimas, oferecendo suporte psicológico, jurídico e de segurança.

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