A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) concedeu anuência prévia para a transferência do controle societário de 20 aeroportos, anteriormente administrados pela Motiva (antiga CCR), para o Grupo Aeroportuario del Sureste (Asur), do México. A decisão, divulgada nesta sexta-feira (12), abrange 17 terminais brasileiros, incluindo os importantes aeroportos de Afonso Pena (São José dos Pinhais/PR), Bacacheri (Curitiba/PR), Foz do Iguaçu (PR) e Londrina (PR), além de três unidades internacionais.
A aprovação regulatória segue uma análise detalhada da área técnica da Anac, que atestou o cumprimento de todos os requisitos de qualificação jurídica, técnica e fiscal por parte da empresa mexicana. O diretor-relator do processo, Roberto Honorato, enfatizou que a operação foi avaliada como aderente aos preceitos legais e contratuais vigentes.
Segundo Honorato, a transação não compromete a continuidade, a regularidade e a qualidade na prestação dos serviços aeroportuários concedidos aos passageiros. Essa avaliação é um passo crucial para a validação do negócio, que movimentou cerca de R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 5 bilhões em participação acionária e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas.
O anúncio original da venda ocorreu em novembro de 2025. Apesar da anuência da Anac, a concretização do negócio ainda depende da finalização das etapas contratuais e societárias entre Motiva e Asur. As projeções apontam para a conclusão definitiva do processo ao longo de 2026, após as aprovações do poder concedente e de órgãos de defesa da concorrência.
Impactos e Transição para os Passageiros
Para os usuários dos aeroportos envolvidos, a expectativa é de uma transição gradual e sem rupturas operacionais imediatas. A administração da Motiva permanecerá responsável pelos terminais durante o período de formalização da transação, garantindo a manutenção das operações correntes.
O compromisso assumido é de preservar o quadro de colaboradores e assegurar o cumprimento de todos os contratos em vigor. A prioridade declarada é a manutenção da qualidade da experiência oferecida aos passageiros, indicando que mudanças significativas na infraestrutura ou nos serviços não devem ocorrer a curto prazo.
Essa estabilidade transitória visa mitigar qualquer incerteza para viajantes e operadores, permitindo que o novo controlador integre suas operações de forma planejada. A antecipação da conclusão para 2026 sugere um processo meticuloso de aprovações e transferências de responsabilidades.
A entrada do Grupo Aeroportuario del Sureste no mercado brasileiro representa uma expansão internacional significativa para o conglomerado mexicano. A empresa já possui experiência na gestão de diversos aeroportos em seu país de origem e em outros mercados da América Latina.
A aquisição de uma carteira de aeroportos no Brasil, especialmente os de maior porte como o Afonso Pena, indica uma aposta estratégica no potencial de crescimento do setor aéreo nacional. A expectativa é que o Asur traga consigo expertise e investimentos para aprimorar a infraestrutura e os serviços oferecidos.
O Cenário da Aviação Brasileira e a Consolidação de Mercados
A transferência de controle societário de aeroportos é um reflexo da dinâmica de consolidação observada no setor aeroportuário global e, mais recentemente, no Brasil. O país tem se tornado um mercado atrativo para grandes grupos internacionais, em virtude de seu vasto território e da crescente demanda por viagens aéreas.
Esses movimentos de mercado, como a aprovação da Anac, são fundamentais para a modernização e a expansão da infraestrutura aeroportuária, impactando diretamente a conectividade e o desenvolvimento econômico das regiões servidas. A gestão eficiente e o investimento contínuo são pilares para garantir a competitividade dos terminais.
A participação de players internacionais como o Asur tende a trazer novas práticas de gestão, tecnologias avançadas e uma visão estratégica focada em eficiência e na experiência do cliente. A Anac, ao aprovar a operação, atua como um guardião da qualidade regulatória e da segurança jurídica para todos os envolvidos no ecossistema da aviação.
A longo prazo, espera-se que essa nova configuração societária possa impulsionar investimentos em melhorias que vão desde a expansão de pátios e terminais até a otimização dos processos de embarque e desembarque, beneficiando tanto os passageiros quanto as companhias aéreas e o comércio local.





