O magistrado Antonio Evangelista de Souza Netto, diretor do Fórum de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, foi encontrado sem vida em seu apartamento durante a madrugada de sexta-feira, 14 de junho. O incidente, que envolveu um disparo de arma de fogo, mobilizou equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros, que confirmaram o óbito no local. A Polícia Civil já iniciou as investigações para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte do juiz, de 45 anos, que atuava há mais de uma década na região.
A morte precoce do juiz, natural de São Paulo, causou profunda comoção na comunidade de Francisco Beltrão e no meio jurídico. Souza Netto era conhecido por sua dedicação à magistratura e também por sua atuação pública. Em 2024, ele chegou a assumir interinamente a prefeitura da cidade por nove dias, período que lhe rendeu uma moção de aplausos na Câmara de Vereadores.
Além de sua carreira jurídica, o magistrado possuía um notável percurso acadêmico, com três pós-doutorados. Ele também se dedicava ao ensino, ministrando aulas na Escola da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (Emap) e em outras instituições de ensino superior.
A atuação do juiz ia além das fronteiras do Paraná. Ele teve uma passagem significativa pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, atuando como juiz auxiliar temporário na Segunda Seção. Sua colaboração no gabinete da ministra Isabel Gallotti, entre novembro de 2025 e junho de 2026, foi destacada em manifestações de pesar.
Repercussão e Homenagens Póstumas
O falecimento de Antonio Netto gerou notas de pesar de importantes entidades de classe. A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) expressaram solidariedade aos familiares, amigos e colegas de magistratura. As entidades ressaltaram o legado do juiz.
A AMB descreveu Souza Netto como um “magistrado respeitado e dedicado à prestação jurisdicional”, cuja trajetória foi marcada pelo “compromisso com a Justiça, pela seriedade no exercício da magistratura, pela dedicação aos estudos e ao ensino”. A associação também enfatizou a “relevante contribuição ao fortalecimento do Poder Judiciário” e lamentou a perda de um colega “valoroso, cuja atuação foi marcada pela ética, pelo conhecimento jurídico e pelo comprometimento com a sociedade”.
O Superior Tribunal de Justiça, ao manifestar pesar, lembrou que o magistrado deixa duas filhas e uma companheira, e reiterou o impacto de sua atuação profissional, inclusive em Brasília. A passagem de Souza Netto pelo STJ demonstrou sua capacidade de transitar entre diferentes instâncias do Poder Judiciário com competência e reconhecimento.
Investigação em Andamento e Legado Profissional
As investigações conduzidas pela Polícia Civil visam a determinar as causas exatas da morte do juiz. A ausência de informações preliminares sobre o ocorrido intensifica as especulações, mas a prioridade é o respeito ao momento de luto e a apuração criteriosa dos fatos.
O legado de Antonio Evangelista de Souza Netto na magistratura paranaense e seu envolvimento com a comunidade local, incluindo o breve período como prefeito interino, são aspectos que certamente serão lembrados. Sua dedicação ao aperfeiçoamento profissional e à disseminação do conhecimento jurídico, através do ensino, também compõem um quadro de um profissional multifacetado e dedicado.
A comunidade jurídica aguarda o desfecho da investigação, enquanto lamenta a perda de um representante notório da justiça, cujo impacto se estendeu para além de suas funções oficiais, tocando a vida de estudantes e colegas de profissão.






