A tradição culinária paranaense ganha um novo capítulo com o registro de Indicação Geográfica (IG) para o Pão no Bafo de Palmeira. Concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), este reconhecimento consolida a identidade de um prato com quase 150 anos de história, elevando o Paraná à vanguarda nacional em produtos com selo de IG, com um total de 27 certificações.
O Pão no Bafo, iguaria que remonta à chegada de imigrantes russo-alemães em 1878, é preparado com uma combinação simples de carne suína, repolho e pães cozidos no vapor, dispostos em camadas dentro de uma panela. Essa receita, passada de geração em geração, já havia sido honrada em 2015 como Patrimônio Imaterial de Palmeira, fortalecendo ainda mais os laços da comunidade com sua herança gastronômica.
A articulação para obter o selo de IG envolveu um esforço coletivo de produtores locais, o Sebrae/PR, a Prefeitura de Palmeira e o Conselho Municipal de Turismo. A criação da Associação dos Produtores de Pão no Bafo de Palmeira (Apafo) foi fundamental para a organização e gestão da Indicação Geográfica, garantindo a preservação da autenticidade e qualidade do produto.
Este tipo de certificação vai além do reconhecimento simbólico. Ela protege a denominação do produto, estabelece critérios rigorosos para sua produção e eleva sua visibilidade no mercado. Ao agregar valor, a IG estimula o turismo gastronômico, fortalece a economia regional e abre novas oportunidades de renda para as famílias envolvidas, demonstrando o potencial de produtos genuinamente paranaenses.
O Crescimento das Indicações Geográficas no Paraná
O Paraná tem se destacado como um polo de valorização de produtos regionais, impulsionando a economia local através de estratégias de reconhecimento de origem. A liderança nacional em número de Indicações Geográficas, com 27 registros, reflete um compromisso contínuo em destacar a qualidade e a diversidade do que é produzido no estado.
Somente em 2026, o estado já registrou cinco novas IGs, incluindo o Pão no Bafo de Palmeira, o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o café da Serra de Apucarana e as tortas de Carambeí. Estes exemplos ilustram a vasta gama de produtos que vêm sendo certificados, desde alimentos processados até matérias-primas agrícolas.
A lista de conquistas paranaenses é extensa e diversificada, abrangendo produtos como ostras, ponkan, broas de centeio, carne de onça, cafés especiais, queijos coloniais, mel, cachaça, vinhos, erva-mate e frutas. Essa diversidade comprova a riqueza do território paranaense e a capacidade de seus produtores em apresentar ao mercado produtos de excelência, com histórias e características únicas.
O sucesso do Paraná em obter Indicações Geográficas não se limita aos produtos já certificados. Outros quatro produtos paranaenses estão atualmente em análise pelo INPI, indicando um pipeline robusto de novas certificações. Exemplos como a acerola de Pérola, cervejas artesanais de Guarapuava e o mel de Capanema demonstram a contínua expansão e o interesse em consolidar a origem e a qualidade de produtos em diferentes setores.
O Impacto Econômico e Social das Indicações Geográficas
A concessão de uma Indicação Geográfica transcende o simples reconhecimento de uma receita ou produto. Ela representa um selo de qualidade e autenticidade que agrega valor percebido pelo consumidor e fortalece a identidade de uma região. No caso do Pão no Bafo de Palmeira, essa certificação tem o potencial de impulsionar o turismo gastronômico, atraindo visitantes interessados em experimentar e conhecer a origem deste prato histórico.
Para os produtores, a IG garante uma vantagem competitiva no mercado, permitindo a diferenciação em relação a produtos genéricos e a obtenção de melhores preços. A organização em torno de uma associação como a Apafo também fortalece o associativismo e a cooperação, essenciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento a longo prazo. A proteção legal conferida pela IG impede que produtos não originários de Palmeira utilizem a mesma denominação, salvaguardando a reputação e o legado do Pão no Bafo.
O desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas a produtos com Indicação Geográfica também gera um impacto social significativo. A valorização de práticas tradicionais e o fomento ao empreendedorismo local contribuem para a fixação das pessoas no campo e para a preservação de saberes ancestrais. O sucesso do Paraná neste campo serve como um modelo inspirador, demonstrando que o investimento em qualidade, tradição e organização pode gerar resultados expressivos para a economia e para as comunidades locais.






