O Brasil celebra avanços significativos na promoção da amamentação, com estratégias que demonstram resultados positivos, impulsionando um começo de vida mais saudável e sustentável. A Semana Mundial da Amamentação, celebrada em agosto com o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, reforça a necessidade de consolidar práticas eficazes.
A trajetória da amamentação no país reflete um esforço coletivo e a implementação de políticas públicas. Após um período de declínio alarmante nas décadas de 1970 e 1980, a taxa de amamentação exclusiva para bebês de até seis meses atingiu 47%, segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil. Essa recuperação é atribuída, em grande parte, ao protagonismo da Enfermagem em diversas esferas da Rede de Atenção à Saúde.
A atuação dos profissionais de Enfermagem abrange desde o acompanhamento pré-natal e o parto até a puericultura e visitas domiciliares. Essa presença constante e qualificada transforma evidências científicas em práticas que salvam vidas, combatem desigualdades e promovem a segurança alimentar.
Marcos normativos que restringiram a publicidade de substitutos do leite materno, mamadeiras e chupetas também foram cruciais para o renascimento da amamentação, alinhando-se ao compromisso do Brasil com a saúde infantil.
A rede de apoio à amamentação no Brasil
A consulta de Enfermagem emerge como um pilar fundamental na promoção da amamentação, atuando de forma contínua desde o pré-natal até o acompanhamento do bebê. Enfermeiros realizam orientações, identificam riscos e oferecem suporte individualizado, conforme as diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança.
Nas consultas de puericultura, a avaliação da mamada, a prevenção do desmame precoce e o apoio à parentalidade são abordados de maneira integrada, priorizando o acolhimento e a decisão compartilhada com as famílias.
A Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) tem sido essencial para qualificar o aconselhamento em aleitamento materno e alimentação complementar em Unidades Básicas de Saúde, com enfermeiros atuando como tutores e multiplicadores de boas práticas.
A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) é outro avanço notório, com a Enfermagem desempenhando papel central na implementação de seus critérios, garantindo o cumprimento dos 10 passos para o sucesso do aleitamento materno e boas práticas no parto.
O Brasil ostenta a maior e mais reconhecida Rede de Bancos de Leite Humano do mundo, onde profissionais de Enfermagem oferecem assistência clínica, promovem a doação e apoiam nutrizes com dificuldades.
Em Unidades Básicas de Saúde, enfermeiros coordenam atividades multiprofissionais, como grupos de gestantes, rodas de conversa e visitas domiciliares, além de campanhas informativas.
A vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil integra a avaliação antropométrica, a vacinação e o desenvolvimento neuropsicomotor, sempre com o aleitamento materno como eixo central.
As Salas de Apoio às Mulheres Trabalhadoras que Amamentam (SAMTA) nas empresas garantem a continuidade da amamentação mesmo após o retorno ao trabalho, através da extração e armazenamento adequado do leite materno.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos progressos, desafios persistem para consolidar plenamente o aleitamento materno no Brasil. A formação profissional precisa ser aprimorada, garantindo que todos os futuros profissionais de saúde se sintam preparados para lidar com as complexidades do tema.
A duração da licença maternidade ainda é um ponto crítico, inferior aos seis meses recomendados pela OMS. Embora o Programa Empresa Cidadã amplie esse período, a adesão é voluntária, e muitas mães enfrentam dificuldades no retorno ao trabalho.
A alta incidência de desligamentos e pedidos de demissão de mulheres lactantes após o retorno da licença maternidade evidenciam a necessidade de políticas mais robustas que garantam a estabilidade e o apoio contínuo às mães trabalhadoras.
Fortalecer o que funciona no Brasil significa, portanto, não apenas celebrar as conquistas, mas também investir na superação desses obstáculos, assegurando um futuro mais saudável e sustentável para todas as crianças e suas famílias.

