Prefeituras do Paraná investem R$ 1,2 bilhão em shows e revelam os maiores gastos

🕓 Última atualização em: 24/08/2026 às 11:54

Municípios do Paraná destinaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão a contratações artísticas entre 2021 e o primeiro semestre de 2026, conforme levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). O montante financiou a apresentação de 1.158 artistas, abrangendo cantores, duplas e grupos musicais, em quase todas as 399 prefeituras do estado. Apenas seis cidades não registraram gastos nesse segmento durante o período.

A maior parte dos recursos foi concentrada em poucas cidades. São José dos Pinhais liderou os investimentos, com cerca de R$ 41,7 milhões em cachês. Paranaguá e Ponta Grossa seguiram a lista, com R$ 29,6 milhões e R$ 25,8 milhões, respectivamente. Castro e Fazenda Rio Grande completaram o grupo das cinco maiores despesas, com R$ 25,4 milhões e R$ 21,4 milhões.

Essa análise revela um padrão de concentração de gastos, onde um número limitado de municípios absorve uma parcela significativa dos orçamentos destinados ao entretenimento público. A magnitude desses valores levanta questões sobre as prioridades de investimento municipal e a alocação de recursos públicos.

Análise das Contratações e Fontes de Financiamento

No que diz respeito aos artistas, a dupla Fernando e Sorocaba foi a mais beneficiada financeiramente, recebendo um total de R$ 18,1 milhões. Outros nomes de destaque no cenário musical popular também figuram entre os mais remunerados, como Guilherme e Benuto (R$ 13 milhões) e Ana Castela (R$ 12,6 milhões). As duplas Maiara e Maraisa e Clayton e Romário, além do cantor Leonardo e Luan Pereira, também somaram expressivas quantias, ultrapassando R$ 10 milhões cada.

A média de cada contratação artística nesse período foi de R$ 112,3 mil. Observou-se uma variação significativa nos gastos ao longo dos anos. Em 2021, ano ainda marcado pela pandemia de Covid-19, os empenhos foram de R$ 25,1 milhões. O pico de gastos ocorreu em 2025, atingindo R$ 403,5 milhões, seguido por 2024 com R$ 292,2 milhões.

Um ponto crucial levantado pelo levantamento é o uso de emendas parlamentares para o financiamento desses eventos. Embora representem uma pequena fração do total, com quase R$ 4,3 milhões, sua utilização para eventos culturais e de entretenimento em detrimento de áreas sociais mais urgentes tem sido alvo de escrutínio.

Ferramenta do TCE-PR: Transparência e Controle dos Gastos Públicos

O desenvolvimento de ferramentas como o Painel de Gastos com Eventos Municipais pelo TCE-PR é um passo importante para aumentar a transparência e o controle dos gastos públicos. Disponível desde 2021, o sistema consolida mais de 10.900 empenhos acima de R$ 20 mil, permitindo que a sociedade civil e os órgãos de fiscalização acompanhem de perto as despesas municipais.

A plataforma oferece a possibilidade de filtrar informações por município, ano, mês, artista contratado e fonte dos recursos, o que facilita a análise comparativa e a identificação de possíveis irregularidades. Além disso, a ferramenta possibilita cruzar os gastos com eventos com os investimentos realizados em setores essenciais como saúde e educação, proporcionando uma visão mais completa da alocação orçamentária.

O Tribunal de Contas destacou que, ao analisar os dados, foram identificadas situações com indícios de uso indevido de recursos públicos. Em alguns casos, verbas destinadas a áreas como saúde, educação básica, Fundo do Idoso, Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) e iluminação pública teriam sido, em tese, direcionadas para o pagamento de eventos. Em havendo confirmação dessas irregularidades, o TCE-PR informou que instaurará os procedimentos de fiscalização cabíveis.

A iniciativa, parte do Portal Informação Para Todos, visa empoderar os cidadãos com dados sobre a gestão pública. O portal já reúne 23 painéis sobre a administração dos 399 municípios paranaenses, cobrindo temas diversos como obras, combustíveis, diárias, licitações, contratos, convênios, saneamento básico e recursos de emendas parlamentares, promovendo assim um maior controle social e a eficiência na gestão dos recursos públicos.

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