O Solar do Barão, um complexo arquitetônico de valor histórico e cultural no coração de Curitiba, está passando por um ambicioso processo de restauro e ampliação. O investimento municipal ultrapassa os R$ 20 milhões, com previsão de conclusão em dois anos. O projeto visa modernizar e preservar o espaço, que abriga importantes instituições culturais como o Museu da Fotografia, o Museu da Gravura e a Gibiteca.
As intervenções incluem a renovação completa dos sistemas elétrico e hidráulico, a recuperação da cobertura e a instalação de novos equipamentos de acessibilidade, como rampas, garantindo que o espaço seja mais inclusivo para os aproximadamente 400 mil visitantes anuais, entre estudantes e público em geral.
Um novo bloco, moderno e com três pavimentos, será erguido para abrigar a reserva técnica do acervo. Este espaço será projetado para atender às mais rigorosas normas de preservação e conservação, assegurando a longevidade das coleções de gravura, fotografia e quadrinhos.
A revitalização prevê também a criação de um corredor cultural, integrando o Solar do Barão, através de um jardim, ao Estúdio Riachuelo, localizado em frente ao Cine Passeio, na Rua Riachuelo. Essa iniciativa busca fortalecer a integração das atividades culturais da região central.
Um Intercâmbio de Experiências para a Preservação
Recentemente, o Solar do Barão recebeu a visita do historiador Paulo César Garcez Marins, diretor do renomado Museu Paulista, conhecido popularmente como Museu do Ipiranga. A vinda de Marins à capital paranaense marcou a abertura da 1ª Semana de Museus, organizada pela Fundação Cultural de Curitiba.
A experiência de Marins é particularmente relevante, considerando que o Museu do Ipiranga, em São Paulo, também passou por um extenso período de restauro e ampliação, fechado por quase uma década entre 2013 e 2022. Desde sua reabertura, o museu paulista tem atraído um público expressivo, superando 2 milhões de visitantes.
Ambos os edifícios compartilham semelhanças arquitetônicas e temporais, sendo exemplares da arquitetura do final do século XIX. O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Junior, destacou a importância desta troca de conhecimentos. A visita oferece uma valiosa oportunidade de compartilhar perspectivas sobre a requalificação de patrimônios históricos.
Marins ressaltou as particularidades do Solar do Barão, como a riqueza das pinturas parietais nas paredes, que representam um acervo valioso e potencialmente superior em quantidade ao encontrado no Museu do Ipiranga. Ele observou a presença de até dois níveis de pintura sobrepostos, o que levanta debates importantes sobre as estratégias de preservação e exposição.
“Vocês aqui têm a fortuna de ter muitas pinturas parietais que nós não temos no Museu do Ipiranga. São pelo menos dois níveis de pintura sobrepostos, o que abre um debate importante sobre o que preservar e o que se quer mostrar”, destacou o diretor, sublinhando a relevância dessas descobertas para o campo da conservação.
A conexão histórica com o Barão do Serro Azul, apesar da vocação atual do complexo para fotografia e gravura, é inegável. O apelido popular de “Casa do Barão” demonstra a forte ligação da comunidade com a edificação, um fenômeno semelhante ao do Museu do Ipiranga, que há séculos é assim conhecido pelo público. Essa percepção popular é um indicativo da importância simbólica e afetiva do patrimônio.
A História e a Arquitetura do Solar do Barão
O Solar do Barão é composto por três blocos edificados em períodos distintos, entre 1880 e 1940. O bloco mais antigo, localizado na Rua Carlos Cavalcanti, serviu como residência do influente empresário e político Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, entre 1880 e 1894. A construção é atribuída aos imigrantes italianos Ângelo Vendramin e Giovanni Battista Casagrande.
O Barão do Serro Azul foi uma figura proeminente na economia da época, destacando-se como um dos maiores produtores e exportadores de erva-mate globalmente. Seus negócios o levaram a investir na área de impressão e tipografia, fundando a Impressora Paranaense no mesmo local onde hoje funciona o Cine Passeio, para atender às demandas de rotulagem de seus produtos.
As técnicas construtivas empregadas no Solar do Barão, como o uso de alvenaria de tijolos e elementos em madeira, guardam semelhanças com as do Museu do Ipiranga. Contudo, o edifício paulista exibe um ecletismo historicista mais acentuado, enquanto o Solar do Barão preserva características do classicismo imperial, marcas de sua época de construção e do contexto histórico.






