Uma operação conjunta entre as forças de segurança do Paraná e estados vizinhos está em andamento para expandir o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). A iniciativa, que abrange nove unidades prisionais paranaenses, visa coletar cerca de 2.400 amostras de material genético até quinta-feira (30), fortalecendo a capacidade investigativa criminal no Sul do Brasil.
A ação é resultado de um esforço coordenado pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), reunindo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O objetivo é otimizar a gestão e a atuação dentro do sistema penitenciário regional, elevando o nível de tecnologia e precisão nas investigações.
A coleta de material biológico é um passo crucial para o aprimoramento das políticas penais. O Estado demonstra um compromisso firme com a modernização dos processos, investindo em efetivo, estrutura e tecnologia. Essa abordagem qualificada contribui diretamente para a elucidação de crimes, sempre em conformidade com a legislação vigente.
A colaboração envolve a Polícia Penal do Paraná (PPPR), a Polícia Científica do Paraná (PCIPR), Centros de Operações Integradas de Segurança Pública (COISP) e o Instituto de Identificação da Polícia Civil. Essa sinergia garante a precisão na identificação dos indivíduos e a confiabilidade dos dados inseridos.
A diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre, ressalta que a inclusão desses dados no banco nacional é vital. Ela destaca que a medida não apenas fortalece a atuação integrada das forças de segurança, mas também melhora a gestão do sistema prisional e auxilia na redução da reincidência criminal.
A proposta do Codesul visa estabelecer um fluxo contínuo e organizado para a coleta de material genético. A intenção é aprimorar os processos e aumentar a eficiência das investigações em todo o país, com um foco especial nas unidades prisionais da região Sul.
O papel estratégico do Banco Nacional de Perfis Genéticos
O BNPG atua como um repositório centralizado de perfis de DNA. Ele armazena informações de indivíduos condenados, vestígios encontrados em cenas de crime e amostras relacionadas a pessoas desaparecidas e seus familiares.
Cada nova amostra inserida no banco é comparada com os registros existentes. Essa comparação é fundamental para identificar suspeitos de crimes, estabelecer conexões entre diferentes ocorrências e auxiliar na busca por pessoas desaparecidas, inclusive em casos de longa data.
Dados recentes indicam que a maior parte dos perfis no BNPG refere-se a antecedentes criminais. Conforme o XXIII Relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), 74% dos registros são de natureza criminal, totalizando mais de 206 mil cadastros. Vestígios em cenas de crime representam 14%, e 5% são de pessoas desaparecidas.
No Paraná, o banco estadual já conta com mais de 12.800 perfis, sendo a maioria ligada à identificação criminal. O estado tem se destacado pelo avanço na inserção e qualificação desses dados, o que o posicionou como referência nacional.
O diretor-geral da PCIPR, Ciro Pimenta, enfatiza que a coleta de DNA de pessoas condenadas é uma ferramenta poderosa. Ele explica que esses perfis podem ser comparados com vestígios de cenas de crime ao longo do tempo, o que pode ser decisivo para identificar a autoria e resolver casos complexos.
Um exemplo marcante da eficácia do BNPG é o caso de Rachel Genofre, assassinada em 2008. A identificação do autor só foi possível em 2019, após a inclusão do perfil genético, coletado em um presídio paulista, no banco nacional. O cruzamento com o vestígio preservado desde o crime foi fundamental para a resolução do caso.
Capacitação e estrutura para a coleta qualificada
A operação no Paraná foi precedida por uma importante etapa de capacitação. Cerca de 50 policiais foram treinados pela PCIPR e PPPR para realizar a coleta de material genético em ambientes prisionais.
O objetivo principal dessa formação foi preparar os servidores para atuarem como multiplicadores dentro das unidades. Essa medida visa expandir a capacidade operacional do estado e garantir que os procedimentos de coleta sejam padronizados e eficientes.
A capacitação abrangeu tanto os aspectos teóricos quanto práticos, com foco em protocolos de coleta, uso de equipamentos e na integração entre as diferentes forças de segurança. Com essa nova estrutura, a Polícia Penal assume diretamente a coleta nas unidades, enquanto a Polícia Científica mantém o suporte técnico e a inserção dos dados no BNPG.
Essa iniciativa demonstra um investimento contínuo em ciência forense e em políticas públicas de segurança. A ampliação do BNPG é um passo fundamental para a modernização do sistema de justiça criminal, fortalecendo a capacidade do Estado em investigar, resolver crimes e garantir a tranquilidade pública.






