Museu reintegra imagem centenária da Padroeira de Curitiba ao acervo

🕓 Última atualização em: 05/10/2026 às 14:04

A icônica imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, um símbolo histórico e religioso de Curitiba, está retornando ao Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (MASAC) após um meticuloso processo de conservação e restauro. A peça, datada de 1720 e trazida de Portugal, é um testemunho vivo da trajetória da capital paranaense, tendo ocupado o papel de padroeira da cidade por séculos.

Este processo de intervenção, liderado pela renomada restauradora Ana Caniatti, abrangeu não apenas a recuperação física da imagem, mas também um aprofundado estudo histórico e iconográfico. O objetivo foi desvendar as camadas de história e materialidade que compõem a obra, garantindo a preservação de sua autenticidade.

A imagem, que ostenta 87 centímetros de altura e aproximadamente 35 quilos, é confeccionada em terracota e adornada com uma rica policromia. Sua jornada ao longo de mais de três séculos é notável, incluindo um período de paradeiro incerto até ser reencontrada na Lapa na década de 1970. Sua incorporação ao acervo do MASAC ocorreu em 1981, marcando um novo capítulo em sua preservação.

A iniciativa “Nossa Senhora da Luz dos Pinhais: da história à preservação”, concebida por Ana Caniatti, integrou diversas frentes de trabalho. Pesquisas detalhadas, incluindo exames de imageamento e análises laboratoriais em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), foram cruciais para subsidiar as decisões técnicas. Essas investigações permitiram a compreensão dos materiais originais e das intervenções prévias.

Um dos aspectos mais significativos do restauro foi a abordagem respeitosa às marcas do tempo. Intervenções como a reconstrução de dedos quebrados foram deliberadamente omitidas, devido à ausência de referências seguras sobre sua posição original. Esta decisão reflete uma filosofia de preservação que considera a imagem como um valioso documento histórico, tanto em seus aspectos materiais quanto simbólicos.

A restauradora Ana Caniatti destaca que o projeto busca aproximar o público do universo da conservação e restauro, além de fortalecer a conexão com a memória da cidade. “Cada decisão foi embasada em um conjunto robusto de informações, sempre priorizando a integridade da matéria original e sua trajetória histórica”, explica Caniatti. A devolução da imagem ao MASAC representa a conclusão da intervenção, mas a pesquisa sobre a obra permanece aberta, enriquecendo a compreensão de sua história.

Educação Patrimonial e Acesso Ampliado

O projeto vai além da intervenção física na imagem, promovendo ações de educação patrimonial. A intenção é democratizar o acesso ao conhecimento produzido e estreitar os laços entre a comunidade e seu patrimônio cultural e religioso. Essa abordagem visa sensibilizar o público sobre a importância da preservação e da memória.

Foram realizadas diversas aulas-passeio no Museu de Arte Sacra, mediadas pelo educador Rogério Bealpino. Essas atividades exploraram a história das imagens de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e sua profunda relação com o desenvolvimento de Curitiba, além de apresentar as metodologias aplicadas no processo de restauração. Os encontros também serviram como espaço para reflexão sobre os conceitos de patrimônio, memória e a relevância da preservação para as futuras gerações.

Em um esforço para garantir que os resultados da pesquisa histórica e iconográfica sejam acessíveis a um público mais amplo, todo o material será disponibilizado gratuitamente em formato digital. Esta iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso ao patrimônio, permitindo que o conhecimento gerado pelo projeto transcenda os muros do museu e alcance pesquisadores, estudantes e o público em geral.

O projeto contou com o apoio fundamental de recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba. O incentivo de empresas como Kirsten Painéis Elétricos, Livrarias Curitiba, Serra Verde Express e BWT Operadora de Turismo foi crucial para a viabilização desta importante iniciativa.

Ana Caniatti é uma profissional com vasta experiência em conservação e restauro, com formação em Artes Plásticas e especializações em História da Arte Sacra e Museologia. Seu trabalho no Atelier Caniatti Conservação e Restauro tem se destacado em importantes instituições culturais, demonstrando sua dedicação à salvaguarda do patrimônio.

O retorno da imagem ao MASAC será marcado por eventos públicos que buscam compartilhar os resultados do projeto e promover o diálogo sobre arte sacra e preservação. A intenção é celebrar não apenas a recuperação de uma peça valiosa, mas também a importância contínua da pesquisa e da educação patrimonial.

Eventos de Divulgação e Acesso ao Conhecimento

A reinauguração da exposição da imagem no MASAC ocorrerá em 20 de outubro de 2026, às 16h. Na ocasião, será realizada uma aula-passeio gratuita, aberta a todos os interessados, com mediação do educador Rogério Bealpino. Este evento marca o momento em que a obra retorna ao seu espaço de exibição, estando disponível para visitação durante o horário de funcionamento do museu.

No dia seguinte, 21 de outubro, o Sesc Paço da Liberdade sediará uma palestra gratuita, às 18h30, onde Ana Caniatti e outros especialistas apresentarão os achados da pesquisa e os detalhes técnicos do processo de restauro. A palestra contará com a participação da historiadora Deborah Agulham e do pesquisador André Maragno, e terá tradução simultânea em Libras, garantindo acessibilidade a um público mais amplo.

A disponibilização gratuita dos resultados da pesquisa em formato digital, a partir de 20 de outubro, através do link https://linktr.ee/flutuaproducoes, representa um marco na democratização do acesso ao conhecimento. Este portal reunirá o conteúdo produzido, incentivando a pesquisa e o interesse pela história e materialidade da imagem.

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