O cenário da medicina em Curitiba e no Brasil lamenta profundamente o falecimento do renomado oncologista e pioneiro em cuidados paliativos, Roberto Teixeira de Castro Bettega, aos 72 anos. Sua partida, ocorrida no último sábado (13), deixou um vazio significativo na comunidade médica, especialmente entre aqueles dedicados ao tratamento humanizado e digno de pacientes em quadros complexos de saúde. O médico, nascido na capital paranaense em março de 1954, dedicou décadas de sua vida à excelência no cuidado oncológico e ao desenvolvimento de abordagens que priorizam o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes.
Com formação em Medicina pela Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, e especialização em oncologia clínica obtida em Buenos Aires, Bettega construiu uma carreira sólida e respeitada. Seu trabalho no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, foi marcante, onde liderou o Grupo Interdisciplinar de Suporte Terapêutico Oncológico (GISTO), demonstrando sua visão integrada no tratamento do câncer.
A atuação de Bettega foi crucial para a consolidação dos cuidados paliativos no país. Ele foi um dos fundadores da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), entidade que presidiu entre 2010 e 2012, elevando o debate e a prática dessa especialidade. Sua dedicação à causa se estendeu a iniciativas como o programa “Paraná sem Dor”, um projeto pioneiro que projetou o Hospital Erasto Gaertner como referência nacional na dispensação de opioides e no manejo da dor.
A filosofia de trabalho do Dr. Bettega enfatizava a importância de uma formação abrangente em cuidados paliativos para todas as especialidades médicas. Ele defendia que habilidades em comunicação e suporte psicológico são fundamentais para qualquer profissional de saúde, permitindo a detecção precoce de necessidades e o encaminhamento adequado dos pacientes. A colaboração e a discussão em equipe para a tomada de decisões clínicas eram pilares em sua visão.
Legado e Reconhecimento na Medicina Paliativista
A contribuição de Roberto Bettega para os cuidados paliativos no Brasil é inegável e seu legado continua a inspirar. Sua paixão pela área o levou a fundar e presidir a ANCP, disseminando o conhecimento e a prática em um momento em que a especialidade ainda engatinhava no país.
Em reconhecimento ao seu trabalho, o Dr. Bettega foi homenageado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) em outubro de 2024, em uma cerimônia que celebrou os pioneiros dos cuidados paliativos no Paraná. Na ocasião, recebeu o reconhecimento das mãos da Dra. Clarice Nana Yamanouchi, chefe do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Erasto Gaertner, que destacou seu papel fundamental na criação do GISTO e na difusão da especialidade.
O CRM-PR, por meio de seu coordenador da Câmara Técnica de Cuidados Paliativos, Ronnie Barreto Arrais Ykeda, expressou profundo pesar pela perda, ressaltando que o médico deixou um “legado inestimável” e foi um “verdadeiro pioneiro”, abrindo caminhos para um cuidado mais humano e digno. O órgão enfatizou a gratidão pela sua contribuição e seu compromisso inabalável com o bem-estar dos pacientes.
Impacto na Comunidade Médica e Reconhecimento Póstumo
A notícia do falecimento do Dr. Bettega gerou manifestações de pesar de diversas entidades e colegas de profissão. A Frente de Cuidados Paliativos pelo Brasil (Frente Paliativistas) publicou uma nota em sua rede social, lembrando seu nome como sinônimo de dedicação à disseminação dos cuidados paliativos no Brasil e na América Latina. A entidade ressaltou que seu legado se perpetua na multiplicação de conhecimento para levar alívio ao sofrimento.
O Hospital das Nações também emitiu uma nota de pesar, descrevendo o Dr. Bettega como “muito mais do que um médico”, mas um “ser humano extraordinário” que fez da medicina sua missão. A instituição enalteceu sua competência, sensibilidade e o profundo respeito pela vida, além de sua generosidade em compartilhar conhecimento e sua ética inabalável. Sua trajetória é vista como um exemplo de empatia, dedicação e amor à profissão, que continuará a inspirar futuras gerações de profissionais de saúde.
As palavras de colegas e instituições evidenciam o impacto duradouro do trabalho de Roberto Teixeira de Castro Bettega. Sua dedicação à oncologia e, especialmente, ao avanço dos cuidados paliativos, solidificou um padrão de tratamento que coloca o paciente no centro, com dignidade e humanidade, mesmo nos momentos mais desafiadores. Seu legado é um convite à reflexão sobre a importância de uma medicina mais empática e integral.





