A cidade de Curitiba iniciou uma nova fase em seu programa de manejo arbóreo com a introdução de um tomógrafo sônico portátil. Esta tecnologia inovadora está sendo empregada para realizar diagnósticos precisos da saúde interna de árvores localizadas em 34 áreas estratégicas da região central da capital paranaense. A iniciativa, que começou nesta semana, visa fortalecer as ações preventivas da Prefeitura, especialmente em face da temporada de El Niño, um fenômeno climático que pode intensificar eventos extremos e aumentar o risco de quedas de árvores.
As primeiras avaliações foram concentradas na Praça Rui Barbosa, um dos pontos mais movimentados da cidade. Equipes multifuncionais, compostas por membros do Departamento de Parques e Praças, Arborização Pública e Licenciamento e Fiscalização, concluíram os levantamentos na área na última terça-feira, 28 de julho de 2026. A utilização do equipamento demonstrou o compromisso da gestão municipal com a segurança pública e a saúde do patrimônio verde da cidade.
O aparelho funciona emitindo pulsos sonoros que atravessam a estrutura da madeira. A velocidade com que essas ondas se propagam é um indicador crucial da sanidade da árvore. Em árvores saudáveis, o som viaja mais rapidamente, enquanto em estruturas comprometidas, a velocidade diminui. Essa variação permite a detecção de deteriorações internas, como o apodrecimento da madeira, que podem comprometer a estabilidade e aumentar o risco de acidentes.
Essa metodologia se destaca por ser não destrutiva, ou seja, não causa danos à árvore durante o processo de diagnóstico. Ao final da análise, os dados coletados são processados por um software especializado que gera uma imagem detalhada do interior do tronco. Esta representação visual é fundamental para que os técnicos possam avaliar o grau de comprometimento, identificar áreas de fragilidade e, consequentemente, determinar as intervenções necessárias para garantir a segurança e a longevidade do espécime arbóreo.
Análise da Saúde Arbórea e Intervenções Necessárias
Com base nos diagnósticos realizados na Praça Rui Barbosa, foram identificadas 40 árvores que necessitam de podas de manutenção. Estes procedimentos são essenciais para remover galhos secos ou doentes, controlar o porte da árvore e direcionar seu crescimento, prevenindo assim o surgimento de problemas futuros e reduzindo riscos.
Adicionalmente, quatro árvores foram classificadas como apresentando risco iminente de queda e, portanto, precisarão ser suprimidas. Os laudos técnicos, emitidos por engenheiros da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, atestam a necessidade de remoção dessas árvores – uma paineira, um cinamomo e um ipê – devido ao seu estado fitossanitário crítico. A decisão de supressão é sempre embasada em avaliações rigorosas que visam a proteção da população.
A gestão municipal disponibiliza informações sobre as supressões de árvores autorizadas ou negadas através do site oficial do município. Este portal permite aos cidadãos consultarem os laudos e os processos de licenciamento, garantindo transparência na tomada de decisões relacionadas ao manejo arbóreo urbano. Acessar estes dados fortalece a confiança pública nas ações ambientais da cidade.
Prevenção e Manejo Sustentável no Contexto Climático
A introdução do tomógrafo sônico portátil reforça a estratégia de Curitiba em priorizar a manutenção preventiva em detrimento de ações corretivas, que geralmente são mais onerosas e podem ter impactos mais drásticos. Ao identificar problemas em estágios iniciais, a prefeitura pode intervir de forma mais eficaz e econômica, prolongando a vida útil das árvores e minimizando a necessidade de remoções.
Esta abordagem é particularmente relevante diante das mudanças climáticas e da intensificação de eventos extremos, como o El Niño. A capacidade de monitorar a saúde interna das árvores permite que o poder público se antecipe a potenciais riscos, adaptando as estratégias de manejo para garantir a segurança em espaços públicos e privados. A preservação do patrimônio arbóreo é um pilar para a resiliência urbana e a qualidade de vida dos cidadãos.
O uso contínuo desta tecnologia e a transparência na divulgação dos dados coletados contribuem para um diálogo aberto com a sociedade civil sobre as políticas públicas de arborização. Ao compreender os desafios e as soluções adotadas, a população pode se engajar de forma mais ativa na preservação do meio ambiente urbano, reconhecendo a importância de um manejo arbóreo planejado e tecnologicamente embasado para a construção de uma cidade mais segura e sustentável.






