Um sobrevoo recente na costa do Paraná registrou uma notável diversidade de vida marinha, incluindo a avistagem rara de dois indivíduos da espécie baleia-de-Bryde (Balaenoptera brydei). A expedição aérea, realizada pelo Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com o Centro de Operações Aéreas do Instituto Água e Terra (IAT), mapeou a zona costeira do estado e documentou mais de 60 ocorrências de animais de grande porte.
A operação, parte do Projeto MegaCoast, focou no monitoramento da megafauna marinha. Ao longo do trajeto, foram identificados diversos golfinhos, tartarugas marinhas, tubarões e raias. O avistamento de baleias-de-Bryde na região da Baía de Guaratuba foi considerado inédito para as atividades do projeto, ampliando o conhecimento sobre a presença desta espécie no litoral paranaense.
Além da baleia-de-Bryde, o monitoramento confirmou a presença de outras espécies importantes, como o boto-cinza (Sotalia guianensis) e a toninha (Pontoporia blainvillei). Observou-se também a ocorrência de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e grupos de tubarões e raias, evidenciando a rica biodiversidade marinha que utiliza a costa do Paraná como rota migratória ou área de alimentação.
Esses registros são cruciais para a conservação. A baleia-de-Bryde, por exemplo, é classificada como ‘Dados Insuficientes’ em listas de espécies ameaçadas, o que torna cada avistamento um dado valioso para estudos de longo prazo e planejamento de políticas públicas.
A importância do monitoramento para a conservação marinha
A pesquisa contínua e a utilização de tecnologias como o monitoramento aéreo e embarcado são fundamentais para a compreensão e proteção dos ecossistemas marinhos. O Projeto MegaCoast busca não apenas registrar a fauna, mas também entender os padrões de uso do habitat e os riscos associados à presença dessas espécies na região.
A colaboração entre instituições acadêmicas e órgãos governamentais fortalece a capacidade de coleta e análise de dados. Essa sinergia permite identificar áreas prioritárias para a criação e manutenção de unidades de conservação e subsidiar a elaboração de estratégias de gestão territorial eficazes, atendendo também a compromissos internacionais.
A análise dos dados coletados contribui para a elaboração de relatórios técnicos e científicos, essenciais para embasar decisões de manejo e políticas públicas voltadas à preservação da vida marinha. A diversidade de espécies encontradas sublinha a importância ecológica da costa paranaense.
Camila Domit, coordenadora do LEC-UFPR, ressalta que a integração de diferentes metodologias de monitoramento — aéreas, embarcadas e acústicas — é essencial para obter um panorama completo da fauna marinha e seu uso do litoral. Esta abordagem multifacetada é vital para a Década do Oceano, promovendo a geração de conhecimento científico e a implementação de ações de conservação.
O papel da sociedade na proteção da fauna marinha
A participação da população é um componente essencial no esforço de monitoramento e conservação marinha. A comunicação de avistamentos de animais marinhos, mesmo que informais, pode fornecer informações valiosas para os pesquisadores.
Ao registrar um animal, é importante fornecer detalhes como a localização aproximada, a data e, se possível, fotografias ou vídeos. Contudo, é fundamental que o público mantenha uma distância segura dos animais e respeite a legislação ambiental vigente, garantindo a segurança de todos e minimizando o estresse para a fauna.
Essas informações coletadas pela sociedade civil, quando devidamente processadas, podem complementar os dados obtidos em pesquisas científicas formais. Isso permite a criação de bases de dados mais robustas e abrangentes, essenciais para o desenvolvimento de planos de ação de conservação mais eficazes.
O LEC-UFPR incentiva o contato da comunidade para reportar tais ocorrências, fortalecendo a ciência cidadã e promovendo uma maior conscientização sobre a importância da biodiversidade marinha e os desafios para sua proteção.





