Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no início de setembro de 2026, revelam um panorama detalhado da diversidade religiosa em Curitiba. A capital paranaense se destaca como um centro de forte aderência ao cristianismo, com a maioria de seus habitantes se declarando católicos ou evangélicos. Essa predominância cristã, no entanto, coexiste com a presença de diversas outras crenças e manifestações espirituais.
As estatísticas apontam que 55,45% dos curitibanos se identificam como católicos. Paralelamente, 25,60% da população professa a fé evangélica. A soma desses dois grandes grupos religiosos representa 81,05% do total de moradores da cidade, evidenciando a centralidade do cristianismo na paisagem religiosa local.
Para além das denominações majoritárias, Curitiba abriga uma gama variada de outras tradições espirituais. A análise dos microdados do Censo 2022 permite identificar a presença de 2,73% de espíritas, 1,17% de umbandistas e 0,16% de candomblecistas. Essa pluralidade também se estende a grupos como budistas (0,27%), praticantes do judaísmo (0,11%) e seguidores do islamismo (0,09%), refletindo um mosaico cultural e religioso.
É notável a granularidade dos dados referentes ao universo evangélico. Dentre os que se autodeclaram evangélicos, uma parcela significativa de 14,83% se enquadra na categoria de “evangélicos não determinados”, indicando uma autopercepção sem vinculação específica a uma denominação. Este grupo abrange aqueles que se identificam genericamente como evangélicos ou crentes.
Análise da Composição Religiosa em Curitiba
Dentro do espectro evangélico, a segmentação revela subgrupos importantes. Os fiéis de igrejas pentecostais, que incluem denominações como Assembleias de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus, somam 6,65% da população. Este grupo representa uma parcela substancial e ativa da comunidade religiosa evangélica.
Outra categoria relevante são os “evangélicos de missão”, compreendendo igrejas de tradição protestante histórica, como luteranos, presbiterianos e metodistas. Este segmento representa 4,10% dos curitibanos. A distinção entre esses grupos é fundamental para entender as nuances da prática religiosa dentro do protestantismo.
O IBGE também fez um registro individualizado de outras confissões cristãs. Testemunhas de Jeová somam 0,47%, enquanto a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) representa 0,34%. A Igreja Católica Brasileira e os católicos ortodoxos compõem 0,21% e 0,01% da população, respectivamente. Outras religiosidades cristãs somadas atingem 2,26%.
Um aspecto cada vez mais presente no cenário social é o grupo de pessoas que se declaram sem religião. Em Curitiba, essa parcela corresponde a 9,94% da população. Deste total, 6,86% afirmam não ter religião, 2,02% se identificam como ateus – descrentes da existência de divindades – e 1,06% se declaram agnósticos, que consideram impossível determinar a existência de Deus.
Tendências e Evolução da Adesão Religiosa
Embora alterações na metodologia de classificação religiosa pelo IBGE impeçam uma comparação temporal exata para alguns grupos, as tendências gerais são claras. Houve uma diminuição contínua no percentual de católicos romanos ao longo das últimas décadas. Em 2000, representavam 70,64% da população; em 2010, caíram para 62,12%; e em 2022, para 55,4%.
Em contrapartida, o segmento evangélico demonstrou crescimento consistente. Saindo de 18,9% em 2000, atingiu 24,24% em 2010 e alcançou 25,6% no levantamento mais recente. Este aumento reforça a ascensão do protestantismo no Brasil e em suas capitais.
O grupo de indivíduos sem religião também apresentou um aumento expressivo, quase dobrando sua participação em pouco mais de duas décadas. De 5,83% em 2000 e 6,76% em 2010, o contingente atingiu 9,94% em 2022, sinalizando uma tendência de secularização ou de diversificação das crenças individuais.
As religiões de matriz africana, como Candomblé e Umbanda, também registraram um aumento em sua base de fiéis. Considerando-as juntas, passaram de 0,22% em 2000 para 0,26% em 2010, chegando a 1,3% em 2022. Esse crescimento, embora partindo de bases menores, indica uma maior visibilidade e adesão a essas práticas ancestrais.






