O CNPq e o MDHC premiaram pesquisas e projetos de extensão que abordam a promoção e a defesa dos direitos humanos. A divulgação dos vencedores do 2º Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Direitos Humanos, que abrange diversas categorias, destacou iniciativas que buscam impacto social e aplicabilidade em políticas públicas. A seleção, realizada por uma comissão mista de representantes ministeriais e acadêmicos, considerou a aderência às prioridades do MDHC, o mérito científico e a relevância social dos trabalhos inscritos.
A análise dos projetos vencedores revela um forte engajamento com temas urgentes, como a regularização fundiária de comunidades tradicionais e a visibilização de grupos historicamente marginalizados por meio de estratégias de ativismo e extensão universitária. Estes reconhecimentos sublinham o papel crucial da produção acadêmica e da extensão na construção de uma sociedade mais justa e equitativa, alinhada aos preceitos constitucionais e aos compromissos internacionais de direitos humanos.
A Luta pelo Território Quilombola: Desafios e Conquistas no Paraná
Uma pesquisa de menção honrosa no âmbito da pesquisa em direitos humanos focou na morosidade e nos entraves burocráticos que afetam a regularização fundiária de comunidades quilombolas no Paraná, no período de 2003 a 2022. A análise aprofundada de 40 processos administrativos revelou que, até 2022, a titulação efetiva de terras quilombolas apresentava avanços significativos apenas em casos isolados, com a publicação de um número restrito de relatórios técnicos.
O estudo enfatiza a importância do protagonismo das comunidades na defesa de seus direitos territoriais. A mobilização social e o acesso à assessoria jurídica popular emergem como elementos essenciais para superar obstáculos normativos e para garantir a efetivação do direito à terra, que é fundamental para a existência e o bem-estar dessas populações. A persistência de ameaças ligadas ao racismo ambiental, fundiário e institucional demanda uma vigilância constante e aprimoramento das políticas públicas existentes.
Essa pesquisa evidencia que a universidade tem um papel vital na promoção dos direitos humanos, atuando não apenas na geração de conhecimento científico, mas também na avaliação crítica das políticas públicas. A formação de novos pesquisadores comprometidos com a pesquisa rigorosa e cidadã é vista como um dos frutos mais valiosos desse processo, preparando-os para enfrentar os desafios da desigualdade social.
Extensão Universitária como Ferramenta de Ativismo e Empoderamento
Na categoria de extensão em direitos humanos, um projeto inovador tem utilizado metodologias artísticas e pedagógicas para dar visibilidade a grupos marginalizados e combater o esquecimento histórico e a violência institucional. A iniciativa busca desmistificar os direitos humanos, aproximando a teoria da prática e promovendo o diálogo entre a academia e os movimentos sociais.
Através de frentes de atuação como o Percurso LGBTI+ de Curitiba e a exposição “Tecidos de Luta”, o projeto articula memória, verdade e justiça social. A iniciativa também desenvolve programas que conectam eventos históricos, como o golpe civil-militar de 1964, com a realidade do autoritarismo contemporâneo, utilizando intervenções urbanas e materiais educativos para fortalecer a consciência democrática e o engajamento cívico. A experiência vivida pelos estudantes participantes ressalta a importância de uma universidade pública que coproduz conhecimento e se compromete com a transformação social.
A participação em projetos como este reafirma o valor da universidade pública como agente de transformação social. Ao conectar a formação acadêmica com a escuta atenta, a reflexão crítica e a atuação prática na sociedade, esses projetos empoderam tanto os estudantes quanto as comunidades envolvidas, promovendo uma vivência mais profunda e significativa dos direitos humanos e da cidadania.






