Curitiba detalha plano de contingência para combater dengue e síndromes respiratórias

🕓 Última atualização em: 29/09/2026 às 21:38

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Curitiba implementou uma nova estratégia de gestão para o Sistema Único de Saúde (SUS), visando antecipar e gerenciar picos de demanda relacionados a doenças sazonais e epidemias, como síndromes respiratórias e dengue. A abordagem se baseia em análise preditiva para dimensionar recursos, incluindo a ampliação de leitos, reforço de equipes e a reorganização de procedimentos não urgentes, garantindo a continuidade do atendimento de urgência e emergência.

Esta metodologia proativa permite que a rede de saúde se prepare com antecedência para os períodos de maior pressão. A secretária municipal de Saúde, Tatiane Filipak, apresentou o modelo durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Ela destacou a importância de ter planos de contingência bem definidos para lidar com eventos previsíveis no calendário de saúde pública.

A análise preditiva permite estimar o impacto de doenças sazonais no sistema. Dessa forma, a gestão pode planejar a alocação de recursos de forma mais eficiente, evitando surpresas e garantindo que a infraestrutura e o corpo profissional estejam preparados para um aumento da demanda.

Filipak ressaltou que a intenção é otimizar a utilização dos leitos, sem comprometer a qualidade do atendimento. A meta é garantir que o sistema de saúde seja resiliente a flutuações sazonais, mantendo a capacidade de resposta mesmo em cenários de alta pressão.

A Dinâmica da Gestão de Leitos e Recursos

Durante a sazonalidade respiratória deste ano, a necessidade de ampliação de leitos de UTI foi menor do que em anos anteriores, com a adição de quatro novas unidades. Em contrapartida, no ano passado, foi preciso expandir quase 20 leitos para atender à demanda crescente. Essa variação demonstra a importância da flexibilidade e da capacidade de adaptação do plano de contingência.

A secretária enfatizou que, em ambos os casos, a rede conseguiu responder de forma eficaz, acionando os recursos adicionais necessários sem gerar sobrecarga ou colapso no sistema. Essa capacidade de resposta é um dos pilares da nova estratégia de gestão.

A lei complementar 141/2012 estabelece o papel do Poder Legislativo no acompanhamento da gestão do SUS. A audiência pública na CMC, coordenada pela Comissão de Saúde e Bem-Estar Social, é um exemplo de como os vereadores exercem a fiscalização do sistema de saúde, avaliando a aplicação de recursos e a execução das políticas públicas.

A programação de cirurgias eletivas também pode ser ajustada durante períodos de alta demanda por leitos de urgência e emergência. Essa medida visa liberar recursos e profissionais para as situações mais críticas, sem, contudo, prejudicar a continuidade dos tratamentos essenciais.

O Papel Crucial da Atenção Domiciliar

Um componente fundamental dos planos de contingência é o fortalecimento e a expansão do programa de atenção domiciliar. Essa iniciativa desempenha um papel vital na liberação de leitos hospitalares, permitindo que pacientes que não necessitam mais de internação hospitalar recebam cuidados em suas casas.

O programa de atenção domiciliar possibilita que mais de 600 pessoas sejam desospitalizadas mensalmente em Curitiba. O acompanhamento é realizado por uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, garantindo que o tratamento continue de forma adequada e segura.

Essa estratégia de desospitalização não apenas aumenta a rotatividade dos leitos hospitalares, mas também garante a continuidade do cuidado ao paciente, otimizando a capacidade do sistema sem comprometer a saúde dos indivíduos. A ideia é que, embora um leito não possa acomodar dois pacientes simultaneamente, ele pode ser utilizado por diferentes pacientes em momentos distintos.

A combinação eficaz de desospitalização, expansão planejada da capacidade e reforço das equipes permitiu que o sistema de saúde de Curitiba absorvesse o aumento sazonal da demanda sem apresentar sinais de colapso ou sobrecarga, demonstrando a efetividade da gestão preditiva e da atenção domiciliar.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *