Um aumento expressivo no número de casos de doenças respiratórias em Curitiba elevou o município ao estágio de alerta, de acordo com o plano de contingência da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Em uma semana, mais de 23 mil infecções foram registradas, superando a marca estabelecida para a fase de mobilização e exigindo a ativação de medidas adicionais para suportar a pressão crescente sobre o sistema de saúde pública.
A definição do estágio de alerta baseia-se em critérios epidemiológicos rigorosos. O plano operacional, que abrange cinco níveis – Normalidade, Mobilização, Alerta, Emergência e Crise –, visa modular a resposta da gestão pública à intensidade das síndromes respiratórias.
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, ressaltou que o plano foi construído com base em vasta experiência e análise de riscos, demonstrando o compromisso da prefeitura em manter o sistema preparado para tais desafios.
Reorganização da Rede Hospitalar e Atendimento
Diante do cenário epidemiológico, a SMS comunicou aos hospitais da rede SUS a permissão para suspender temporariamente procedimentos eletivos. Essa medida visa garantir a disponibilidade de leitos, especialmente de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), para o atendimento de casos agudos e de maior gravidade.
Cirurgias urgentes, emergenciais, oncológicas e cardiovasculares inadiáveis, bem como aquelas cuja postergação acarretaria prejuízo clínico significativo, não serão adiadas. A avaliação técnica das equipes assistenciais determinará a prioridade e o adiamento de cada caso.
Em paralelo, a SMS poderá ampliar a oferta de leitos, com a ativação de quatro novas unidades no Hospital Municipal do Idoso. A articulação com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também busca expandir a capacidade da rede hospitalar metropolitana.
Um novo fluxo do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) foi implementado para auxiliar na desospitalização de pacientes com perfil adequado para continuidade de cuidado em casa, liberando leitos hospitalares.
Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nas unidades básicas de saúde, há um reforço na distribuição de máscaras para pacientes com sintomas respiratórios e nas escalas médicas. O medicamento Oseltamivir, para tratamento de influenza, será restrito a grupos prioritários e com sinais de gravidade.
As unidades básicas de saúde também reorganizaram seus fluxos de atendimento, destinando metade das agendas para o cuidado programado e a outra metade para queixas agudas, com foco nos sintomáticos respiratórios, especialmente nos horários de pico de procura.
Atendimentos não urgentes, como a busca por exames de rotina sem comorbidades ou sinais de agravamento, serão agendados para períodos de menor demanda, após o pico de casos respiratórios. A orientação para capacitações de equipes prioriza o formato online, com a postergação de eventos presenciais para momentos de menor pressão no sistema.
A telemedicina ganhará destaque para o acompanhamento remoto de pacientes crônicos, gestantes e hipertensos, além da renovação de receitas e análise de exames, atuando como retaguarda ativa e reduzindo o fluxo presencial nas unidades.
Curitiba registrou um pico de atendimentos em semanas consecutivas, com 19.697 casos na semana epidemiológica 19, 22.352 na semana 20 e 23.569 na semana 21. O patamar de mais de 23,1 mil atendimentos semanais caracteriza a intensidade como severa.
Prevenção e Recomendações à População
A secretária reforça a importância da participação da população no controle da propagação das doenças respiratórias. Medidas como o uso de máscaras por pessoas com sintomas, a higienização frequente das mãos, a manutenção de ambientes ventilados e a etiqueta respiratória são fundamentais.
A vacinação contra a gripe para grupos prioritários e outras imunizações disponíveis, como a contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes e a contra a COVID-19, são fortemente recomendadas. A adesão a estas medidas preventivas é crucial para mitigar o impacto sobre o sistema de saúde.
Em caso de sintomas respiratórios leves, a orientação é procurar a unidade de saúde de referência ou a Central Saúde Já Curitiba pelo telefone 3350-9000. Para solicitações não urgentes de exames, o agendamento deve ser realizado após o período de sazonalidade.
As UPAs devem ser acionadas exclusivamente para casos de urgência e emergência, garantindo que os recursos sejam direcionados para as situações mais críticas e que exigem intervenção imediata. A conscientização e a colaboração individual são pilares para a sustentabilidade do atendimento em saúde pública.






