Advogado denunciado por feminicídio de médica e abandono de filho de 8 meses no PR

🕓 Última atualização em: 28/09/2026 às 15:09

O Ministério Público do Paraná (MPPR), através da 23ª Promotoria de Justiça de Maringá, formalizou neste domingo uma denúncia contra um advogado de 25 anos, acusado de cometer feminicídio contra sua ex-companheira, uma médica de 37 anos. O crime teria sido motivado por razões consideradas torpes, com emprego de meios cruéis e recursos que dificultaram a defesa da vítima. Paralelamente, o mesmo indivíduo foi denunciado por abandono de incapaz, referente ao filho do casal, um bebê de apenas oito meses.

Os fatos ocorreram em 5 de setembro de 2026, no apartamento da vítima em Maringá. A denúncia detalha que, entre as 14h33min e as 20h19min, o acusado, aproveitando-se da relação doméstica e afetiva, matou a ex-companheira por razões ligadas à sua condição de gênero. O ato foi caracterizado como motivado por posse egoística e inconformismo com o fim do relacionamento.

A investigação aponta que o crime foi perpetrado com extrema violência. A denúncia descreve o uso de múltiplos golpes de arma branca, totalizando 14 feridas pérfuro-cortantes, combinados com asfixia mecânica. Essa combinação de ações causou sofrimento atroz e desnecessário à vítima, configurando o meio cruel.

Além disso, a dinâmica do ataque, ocorrido no interior da residência com o uso de uma faca, reduziu significativamente as chances de reação, esquiva ou fuga por parte da médica. A superioridade física masculina em um ambiente fechado foi um fator que dificultou a defesa, conforme detalhado na acusação.

Implicações para o menor e contexto familiar

O caso ganha uma camada adicional de gravidade com a acusação de abandono de incapaz. Após o feminicídio, o denunciado teria deixado o filho lactente em situação de vulnerabilidade extrema. O bebê, com apenas oito meses, estava sob sua guarda e cuidado, mas foi deixado desamparado no apartamento.

A Promotoria descreve que, após o ato, o acusado tomou banho, trocou de roupa e, antes de fugir, trancou a porta do apartamento, deixando a criança sozinha e exposta a riscos à sua vida e saúde. O choro incessante do bebê alertou um tio materno, que precisou arrombar a porta para resgatá-lo.

O crime de abandono é agravado por ter sido praticado pelo próprio pai da criança. A atuação do MPPR visa a garantir a responsabilização do acusado em todas as esferas legais, considerando a gravidade dos atos contra a ex-companheira e a proteção ao menor.

A dimensão social e legal do feminicídio

O feminicídio, reconhecido legalmente em 2015, é um crime que evidencia a brutalidade da violência de gênero, focando na morte de mulheres em razão de sua condição feminina. A sua tipificação busca abranger casos onde a misoginia e a violência doméstica são os principais catalisadores.

Neste contexto, as motivações apontadas na denúncia, como o sentimento de posse e a recusa da autonomia da vítima, reforçam o caráter de ódio e menosprezo que caracteriza o feminicídio. A inclusão de qualificadoras como motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa intensifica a severidade da pena e o repúdio social a tais atos.

A presença do filho, um bebê de oito meses, no local do crime e o posterior abandono do menor, sublinham a crueldade e a falta de empatia do acusado. O caso levanta debates urgentes sobre a proteção a mulheres em relações abusivas e a necessidade de mecanismos eficazes de prevenção e combate à violência doméstica, que muitas vezes culmina em desfechos trágicos. A investigação e o processo judicial subsequente serão cruciais para a aplicação da justiça e a responsabilização penal.

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