Copel troca 4 mil postes em dois meses após temporais

Eventos climáticos extremos associados a fenômenos como o El Niño têm gerado um impacto devastador sobre a infraestrutura energética do Paraná. No período compreendido entre setembro e o início de novembro, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) precisou intervir na substituição de 4.048 postes que foram derrubados por fortes temporais.

Esse número representa um volume significativamente superior quando comparado ao total de estruturas similares danificadas por colisões com veículos em todo o estado. Ao longo de quase um ano inteiro, foram registradas 2.891 substituições de postes por motivos veiculares.

Uma análise comparativa, focada estritamente no período de ocorrência dos fenômenos climáticos severos (de 1º de setembro a 5 de novembro), revela que o dano causado por temporais foi 703,17% maior do que o registrado por acidentes de trânsito. Neste recorte temporal específico, 504 postes foram danificados por colisões de veículos.

É fundamental ressaltar que esta comparação limita-se apenas às estruturas de postes, sem abranger o complexo conjunto de equipamentos afetados. Transformadores, religadores automáticos e extensos trechos de cabos rompidos pela queda das estruturas também contribuem para a magnitude dos prejuízos.

Paulo Valadão, superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, detalhou o investimento realizado para mitigar os danos. “Os efeitos das tempestades quebraram ou derrubaram estruturas inteiras da rede elétrica”, afirmou. “Para substituir e aprumar os mais de 4 mil postes afetados pelos eventos recentes, a Copel investiu cerca de R$ 11 milhões, um custo coberto pelos investimentos da companhia em infraestrutura para contingências climáticas.”

A complexidade e o tempo necessário para a reparação também foram destacados. A troca de um único poste pode demandar entre três e seis horas. O tempo de execução dos serviços é influenciado por diversos fatores, como as condições para a montagem da estrutura, os equipamentos já instalados e variáveis externas, incluindo o clima, o acesso ao local e as características do terreno.

A escalada da severidade climática e seus impactos

O Paraná tem sido palco de uma sequência alarmante de eventos climáticos extremos, cujos efeitos se intensificaram no último quadrimestre do ano. A projeção de institutos de meteorologia se concretizou em uma série de ocorrências que desafiam a capacidade de resposta da infraestrutura local.

Na manhã do Dia de Finados deste ano, a cidade de Maringá, na região Noroeste do estado, experimentou a passagem de um tornado classificado como categoria EF2 na Escala Fujita Aprimorada. Ventos com velocidade entre 180 km/h e 253 km/h causaram estragos consideráveis.

No auge deste evento específico, aproximadamente 89 mil unidades consumidoras em Maringá, o que corresponde a cerca de 40% da cidade, tiveram o fornecimento de energia elétrica interrompido. Os temporais resultaram na quebra de 372 postes e no rompimento de dezenas de quilômetros de cabos, além de danos generalizados em outros equipamentos da rede.

A classificação de tornados baseia-se na Escala Fujita Aprimorada (Escala EF), que correlaciona a intensidade dos ventos com o grau de destruição. As categorias variam de EF0, com ventos de 105 km/h a 137 km/h, a EF5, para ventos superiores a 322 km/h. Fenômenos de menor intensidade, como EF0 e EF1, são considerados leves e de curta duração, enquanto EF2 e EF3 são classificados como fortes e podem durar mais de 20 minutos. Os mais extremos, EF4 e EF5, são violentos e podem persistir por mais de uma hora.

Dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indicam que, entre janeiro e novembro, foram registrados 13 tornados no estado, com categorias entre EF1 e EF2. A distribuição desses eventos ao longo do ano demonstra uma frequência preocupante: dois em janeiro, um em fevereiro, seis em junho, um em agosto, dois em setembro e um em novembro.

Para além dos tornados, outros fenômenos como downbursts (correntes de ventos descendentes), chuvas de granizo e precipitações intensas e intermitentes também contribuíram para a interrupção do fornecimento de energia. Um exemplo notório ocorreu em 4 de outubro, primeiro turno das eleições, quando o pico de desligamentos afetou 325 mil unidades consumidoras em todo o Paraná. Graças à rápida resposta das equipes da Copel, mais de 90% dos clientes foram religados em menos de 24 horas.

Uma análise de longo prazo revela um aumento expressivo no número e na frequência de eventos climáticos severos no Paraná. Entre 2020 e 2022, a média de grandes temporais era de 12 por ano. A projeção para o período de 2023 a 2025 indica um salto para 20 tempestades severas anuais, evidenciando uma tendência preocupante.

Em contrapartida, o número de postes danificados por colisões com veículos apresentou uma ligeira queda em comparação com o ano anterior. De 1º de janeiro a 5 de novembro de 2024, foram substituídos 2.891 postes, representando uma redução de 7,2% em relação aos 3.116 registrados no mesmo período de 2023. O ano de 2023 encerrou com um total de 3.610 trocas de postes por acidentes de trânsito.

Os acidentes de trânsito envolvendo postes não apenas causam danos à infraestrutura elétrica, mas também resultam em interrupções no fornecimento de energia. Residências, comércios, indústrias e serviços essenciais são afetados até que as equipes da companhia concluam os trabalhos de reparo.

A resiliência e o futuro da infraestrutura energética

O cenário atual impõe um desafio contínuo à capacidade de resiliência da infraestrutura elétrica paranaense. A crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos demandam investimentos robustos e estratégias proativas para a prevenção e mitigação de danos.

A Copel tem respondido a esses desafios com planos de contingência e a substituição acelerada de estruturas danificadas. No entanto, a magnitude dos prejuízos, como demonstrado pelo investimento de R$ 11 milhões em pouco mais de dois meses, ressalta a necessidade de uma abordagem de longo prazo. Esta deve incluir o fortalecimento da rede contra ventos fortes, inundações e outras intempéries, além de sistemas de alerta mais eficientes.

A proteção da infraestrutura elétrica é, em última instância, uma questão de segurança pública e de garantia da continuidade dos serviços essenciais. A colaboração entre órgãos públicos, empresas concessionárias e a população, através da adoção de práticas de trânsito mais seguras, é fundamental para minimizar os riscos e assegurar a estabilidade do fornecimento de energia em face de um clima cada vez mais imprevisível.

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