A citricultura, pilar econômico e cultural em diversas regiões do Brasil, enfrenta um desafio persistente e de grande magnitude: o Greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB). Esta doença devastadora, causada pela bactéria Candidatus Liberbacter spp, representa a maior ameaça global à produção de citros devido à sua incurabilidade e ao severo impacto na produtividade.
A disseminação do HLB ocorre primariamente através de um inseto vetor, o Diaphora citri, que ao se alimentar de plantas infectadas, veicula a patógeno para hospedeiros sadios. A gravidade da situação impulsiona ações estratégicas de contenção e erradicação, visando proteger a sustentabilidade do setor.
Recentemente, municípios como Cerro Azul e Doutor Ulysses, localizados no Vale do Ribeira, região de expressiva produção de tangerinas no Paraná, tornaram-se o foco de uma operação intensiva de combate à doença. A iniciativa, nomeada “Operação Big Citros”, mobiliza a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em colaboração com as administrações municipais, com o apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A Importância Estratégica da Detecção Precoce e da Educação
A escolha do período para a realização da operação não é aleatória. O Vale do Ribeira, reconhecido como a principal área de cultivo de tangerinas no estado, torna-se um campo estratégico. Durante esta época, os sintomas do HLB nas tangerinas, especialmente nos frutos, manifestam-se de maneira mais proeminente, facilitando a identificação das plantas afetadas. Essa janela de oportunidade permite uma ação mais eficaz na detecção e subsequente erradicação.
O objetivo primordial da “Operação Big Citros” é a redução da incidência do Greening por meio de um tripé de ações: orientação direta aos produtores, detecção precisa das plantas sintomáticas e sua imediata erradicação. A Adapar tem intensificado seu papel em disseminar informações cruciais aos citricultores, como as diretrizes estabelecidas pela recente Portaria N.º 105/2026.
Uma das medidas determinantes impulsionadas pela nova portaria é o cadastro obrigatório de todas as propriedades com produção comercial de citros – englobando laranjas, tangerinas e limões – que possuam, no mínimo, 50 plantas. Esse registro deve ser efetuado junto à Adapar no prazo de quatro meses a partir da publicação da norma, garantindo um controle mais acurado e abrangente sobre o parque citrícola.
A colaboração com os produtores é vista como fundamental para estender o alcance das ações de defesa agropecuária. O contato direto nas propriedades permite que os agricultores recebam informações detalhadas sobre a doença, seus sintomas e as práticas de manejo recomendadas, como a eliminação de plantas doentes. Essa abordagem educativa fortalece a continuidade do controle mesmo após o encerramento das operações de campo.
As plantas cítricas infectadas exibem um conjunto de sinais característicos. Entre eles, destacam-se a redução do tamanho dos frutos, o desenvolvimento de sementes abortadas ou necrosadas, a coloração esverdeada anormal, a queda prematura de frutos e folhas, a produção de suco amargo e excessivamente ácido, além do surgimento de folhas ásperas com nervuras mais espessas.
As diretrizes da Adapar, em consonância com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), enfatizam medidas preventivas essenciais. Estas incluem a utilização exclusiva de mudas sadias adquiridas em viveiros registrados, a eliminação imediata de plantas contaminadas, o controle rigoroso do psilídeo transmissor, a inspeção periódica das plantações em busca de sintomas e a comunicação rápida à Adapar ao identificar quaisquer casos suspeitos.
O Papel Crucial da Erradicação e o Legado de Prevenção
A erradicação de plantas com sintomas de HLB é uma prática de manejo sanitário indispensável, dada a ausência de cura para a doença. As normas de erradicação variam conforme a idade da planta, visando otimizar a eficácia do controle. Plantas com até oito anos de idade ou com mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente. Para aquelas com idade entre nove e 12 anos, é concedido um prazo de quatro anos para o controle. Já as plantas entre 13 e 15 anos devem ser erradicadas em um período máximo de três anos.
A Adapar assume a responsabilidade pela fiscalização dos pomares e também estende sua atuação a municípios onde o Greening ainda não foi registrado. Nessas áreas, a autarquia realiza levantamentos fitossanitários abrangentes em imóveis com plantações de citros, sejam elas comerciais ou não, bem como em viveiros e estabelecimentos de comercialização de mudas. Essa proatividade visa impedir a introdução e o estabelecimento da doença em novas regiões.
A vigilância contínua e a colaboração entre órgãos públicos e produtores são alicerces para a proteção da citricultura paranaense. Ao reforçar a educação, a fiscalização e as medidas de controle, o estado busca mitigar os impactos do Greening e garantir a sustentabilidade e a prosperidade do setor para as futuras gerações.





