Violência Assola 7 de 10 Profissionais de Enfermagem em SP

🕓 Última atualização em: 14/08/2026 às 13:18

Uma alarmante proporção de profissionais de Enfermagem em São Paulo vivenciou algum tipo de violência no ambiente de trabalho ao longo do último ano. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), revelou que mais de sete em cada dez trabalhadores da área foram vítimas de agressões. O levantamento, que consultou 4.402 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem entre 20 e 24 de julho, indica que 72,6% relataram ter sofrido algum tipo de violência, com uma parcela significativa – 41,3% – experimentando múltiplos episódios e 15,5% reportando frequência contínua.

A pesquisa, dimensionada para refletir a distribuição da categoria no estado, que engloba cerca de 670 mil profissionais ativos, traz à tona a gravidade do problema. A violência verbal se destaca como a forma mais prevalente, atingindo 89,2% dos que sofreram agressões, seguida pela violência psicológica (73,8%) e pela física (19,2%). A análise dos perpetradores aponta pacientes (68,1%), familiares (59,6%) e acompanhantes (50,7%) como os principais responsáveis por estes atos.

Apesar de um ligeiro decréscimo em relação a um levantamento anterior, que em 2025 registrou 80,3% de relatos de agressões, os dados atuais sublinham a persistência da violência na rotina diária desses profissionais de saúde. Essa recorrência exige uma reflexão profunda sobre as causas e as consequências dessa realidade.

A magnitude desses índices serve como um contundente alerta social, conforme destacado por James dos Santos, conselheiro federal. A naturalização da violência contra aqueles que estão na linha de frente do cuidado em saúde é inaceitável. É imperativo o fortalecimento de mecanismos eficazes de prevenção, a facilitação e o incentivo à denúncia, bem como a devida responsabilização dos agressores, garantindo assim um ambiente de trabalho seguro para o exercício da profissão.

Impactos Multifacetados da Violência no Ambiente de Enfermagem

Para além das cicatrizes físicas e psicológicas, a violência laboral na Enfermagem acarreta sérios prejuízos às condições de trabalho e, consequentemente, à qualidade da assistência prestada. O afastamento de profissionais após serem vítimas de agressão resulta na diminuição de equipes, que já operam frequentemente com quadros insuficientes, elevando a sobrecarga dos colegas remanescentes.

O suporte institucional pós-agressão mostra-se igualmente deficiente. A pesquisa aponta que apenas 27,7% dos profissionais relatam receber algum tipo de apoio em seus locais de trabalho após vivenciarem episódios de violência. Em contrapartida, uma alarmante maioria, 50,3%, declara não receber qualquer tipo de suporte, evidenciando uma lacuna crítica no acolhimento e na proteção desses trabalhadores.

A subnotificação de casos representa um obstáculo considerável na mensuração precisa e no enfrentamento efetivo do problema. Apenas 30,1% das vítimas formalizaram denúncias. Dentre os motivos alegados para a ausência de denúncia, a sensação de impunidade (59,5%), a falta de apoio institucional (54,5%) e o receio de retaliação e perda do emprego (42,7%) se destacam. Em relação aos casos denunciados, a falta de desfecho é a regra: 65,2% não apresentaram qualquer resultado prático, enquanto apenas 5,7% culminaram em punições aos agressores.

A Necessidade de Ações Estruturadas e Prevenção Efetiva

O Coren-SP tem buscado ativamente combater essa mazela, mantendo em seu website um canal para denúncias, cujos relatos são encaminhados a conselheiros devidamente capacitados. Além disso, a entidade participa de audiências públicas e colabora com secretarias municipais de Saúde no desenvolvimento de protocolos voltados à segurança e à prevenção da violência contra esses profissionais.

Conforme ressalta Sérgio Cleto, presidente do Coren-SP, os dados coletados evidenciam um problema de caráter estrutural que fragiliza as equipes e compromete diretamente a prestação de cuidados em saúde. É fundamental que sejam implementadas medidas robustas de prevenção, garantindo condições de trabalho adequadas e assegurando o acolhimento e o amparo necessários aos profissionais que sofrem com agressões.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *