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Parecer Enfermagem Choca Setor

🕓 Última atualização em: 05/08/2026 às 13:13

Profissionais de Enfermagem que atuam em procedimentos diagnósticos e terapêuticos intervencionistas estão expostos a um risco ocupacional significativo: a radiação ionizante. Esta exposição, inerente a serviços como hemodinâmica e cardiologia intervencionista, exige a implementação rigorosa de medidas de proteção para garantir a segurança e a saúde desses trabalhadores, conforme estabelecido por diversas normativas nacionais.

A natureza desses procedimentos, frequentemente guiados por fluoroscopia, implica em permanência prolongada da equipe de enfermagem em ambientes de alta complexidade. A radiação dispersa emitida pelos equipamentos pode ter efeitos cumulativos sobre os profissionais, caso não sejam adotadas precauções adequadas.

A exposição ocupacional à radiação ionizante é um tema que demanda atenção contínua. A legislação brasileira, por meio da Constituição Federal, assegura o direito dos trabalhadores à redução dos riscos inerentes às suas atividades laborais. Este princípio fundamental orienta a implementação de políticas e práticas que visam mitigar perigos no ambiente de trabalho, incluindo aqueles presentes nos serviços de saúde.

As normas técnicas que regulamentam a proteção radiológica são cruciais para a segurança dos profissionais. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelecem diretrizes claras para o uso seguro de fontes de radiação. A adoção do princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que preconiza a otimização da proteção mantendo as doses tão baixas quanto razoavelmente exequíveis, é um pilar fundamental.

O Papel Essencial da Normatização e da Proteção

A regulamentação do exercício da Enfermagem no país, pautada pela Lei nº 7.498/1986, define as atribuições e responsabilidades dos profissionais. Em ambientes com exposição à radiação ionizante, é imperativo que essas atribuições sejam exercidas sob estritas condições de segurança.

A Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32), dedicada à segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, detalha as exigências para a identificação e o controle de riscos. A exposição à radiação ionizante é especificamente abordada, requerendo monitoramento contínuo e medidas preventivas robustas.

Além das normas trabalhistas e de radioproteção, a legislação previdenciária, como a Lei nº 8.213/1991, exige a elaboração do Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT). Este documento é essencial para identificar agentes nocivos e fundamentar a caracterização de atividades especiais, quando aplicável.

Para a equipe de enfermagem que opera em setores intervencionistas, a exposição à radiação ionizante se manifesta de maneira particular. Procedimentos que utilizam fluoroscopia demandam uma postura atenta e a utilização de barreiras de proteção, bem como o monitoramento individual da dose recebida.

A Resolução RDC nº 611/2022 da ANVISA, por exemplo, estabelece requisitos sanitários para serviços de radiologia diagnóstica ou intervencionista. Ela determina a implementação de um Programa de Proteção Radiológica, treinamento específico para os trabalhadores e o monitoramento dosimétrico individual.

A conformidade com estas diretrizes não é meramente uma obrigação legal, mas um componente intrínseco da ética profissional da Enfermagem. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem reforça a responsabilidade em exercer a profissão em condições seguras, protegendo tanto o profissional quanto o paciente.

Recomendações para um Ambiente de Trabalho Seguro

Diante deste cenário, é fundamental que os estabelecimentos de saúde reconheçam a exposição à radiação ionizante como um risco ocupacional relevante para a equipe de Enfermagem em áreas intervencionistas. A implementação de um Programa de Proteção Radiológica abrangente é um passo inicial crucial.

A elaboração do Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) por parte dos empregadores é uma medida indispensável. Este laudo deve detalhar os riscos à saúde e segurança dos trabalhadores expostos à radiação, servindo como base para a adoção de medidas de prevenção e controle.

A oferta e o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPIs), como aventais e protetores plumbíferos, são essenciais. Ademais, o monitoramento dosimétrico individual deve ser realizado de forma contínua, permitindo a avaliação da exposição e a adoção de ações corretivas quando necessário. Protocolos de radioproteção específicos para a enfermagem, que considerem o tempo de permanência em sala e a frequência dos procedimentos, devem ser desenvolvidos e rigorosamente seguidos.

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