Enfermagem SC Alerta Violência Assola Profissionais

🕓 Última atualização em: 18/08/2026 às 15:58

Um extenso levantamento realizado com profissionais de Enfermagem em Santa Catarina revela um cenário alarmante de violência no ambiente de trabalho. Mais de 74% dos entrevistados afirmaram ter vivenciado alguma forma de agressão no exercício de suas funções, com uma parcela expressiva indicando falta de segurança no local de atuação. A pesquisa, conduzida de forma anônima, buscou quantificar a extensão do problema para subsidiar o desenvolvimento de políticas de proteção.

Os dados compilados pela pesquisa são contundentes e sinalizam uma fragilidade na segurança dos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e à saúde da população. Essa realidade, já percebida através de relatos pontuais, agora se materializa em números concretos, permitindo uma análise mais aprofundada e ações mais direcionadas.

A pesquisa, que coletou informações de mais de 2,2 mil profissionais, aponta que aproximadamente três em cada quatro participantes já foram vítimas de alguma forma de violência. Esse percentual é um forte indicativo da necessidade urgente de medidas eficazes para garantir um ambiente de trabalho seguro e digno para a categoria.

A insegurança no local de trabalho é uma constatação recorrente, com mais de 57% dos respondentes declarando não se sentir seguros. Este dado reforça a urgência em abordar não apenas os atos de violência em si, mas também as condições que propiciam o surgimento e a persistência desse quadro.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC), Maristela Azevedo, destacou a importância do estudo para transformar percepções em dados factuais. “A pesquisa foi pensada justamente para que tivéssemos dados fidedignos e pudéssemos falar com clareza sobre o que realmente acontece em Santa Catarina”, afirmou Azevedo.

Tipos e Frequência da Violência Sofrem

Os resultados da pesquisa indicam que a violência psicológica e moral é a mais prevalente, aparecendo em 96,6% dos relatos de profissionais que sofreram agressões. Em seguida, a violência física foi mencionada por 18,6% dos participantes, enquanto a violência sexual foi relatada por 7,3% dos entrevistados.

Adicionalmente, outras formas de agressão como racismo, injúria racial e xenofobia também foram registradas, evidenciando a diversidade de violências sofridas. É importante notar que os participantes puderam indicar mais de um tipo de agressão, o que sugere a complexidade e a sobreposição de abusos.

O problema da violência no ambiente de trabalho da Enfermagem não se resume a episódios isolados. Cerca de 73,5% dos profissionais que sofreram violência relataram ter passado por mais de um incidente, mesmo que sem periodicidade definida. Outros 15,9% afirmaram sofrer violências de forma periódica, enquanto apenas 10,6% reportaram um único evento.

“Quando quase a totalidade dos profissionais que sofreram violência aponta situações de caráter moral ou psicológico, precisamos olhar com muita atenção para aquilo que muitas vezes não deixa uma marca física, mas afeta profundamente o trabalhador. Precisamos falar sobre essas violências e criar ambientes em que o profissional se sinta seguro para procurar ajuda e registrar o que aconteceu”, reforça Maristela Azevedo.

A pesquisa, que foi disponibilizada por meio da plataforma Presente e divulgada em diversos canais oficiais do Coren-SC e e-mails de profissionais, contou com o apoio de conselheiros, fiscais de enfermagem, responsáveis técnicos de instituições e entidades parceiras, ampliando seu alcance e representatividade.

A presidente do Coren-SC ressaltou que a violência moral e psicológica, apesar de não deixar marcas visíveis, tem um impacto devastador na saúde mental e no bem-estar dos profissionais, necessitando de atenção especial e estratégias de acolhimento e apoio.

Propostas e Caminhos para a Proteção Profissional

Diante do quadro apresentado, o Coren-SC defende a implementação de uma série de medidas para o enfrentamento da violência contra a categoria. A responsabilização dos agressores é vista como fundamental, mas deve ser complementada por ações que promovam a segurança institucional.

O desenvolvimento de canais de atendimento especializados para os trabalhadores, mecanismos de alerta precoce e a oferta de suporte psicológico são apontados como essenciais para auxiliar os profissionais a lidarem com as consequências da violência sofrida. A melhoria das condições de trabalho em geral também contribui para a redução de conflitos.

Fatores como o dimensionamento inadequado de equipes, a escassez de insumos, a precariedade das estruturas físicas e a sobrecarga de trabalho são identificados como elementos que aumentam a tensão nos ambientes de saúde. Unidades de emergência, UPAs e UTIs são citadas como locais de maior incidência de conflitos.

A presidente Maristela Azevedo enfatizou que, embora a busca por assistência de saúde seja inerentemente angustiante para os pacientes, o profissional de Enfermagem precisa se sentir seguro para prestar um cuidado ético e de qualidade. O direito à dignidade no ambiente de trabalho é um ponto central da luta da categoria.

O Coren-SC acompanha a tramitação de projetos de lei que visam endurecer as penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde, como o PL 2672/2025. Contudo, o Conselho reforça que a responsabilização penal deve ser acompanhada por ações preventivas e estruturais para serem verdadeiramente eficazes.

A subnotificação é um dos maiores desafios, pois a ausência de registros formais dificulta a compreensão real da dimensão do problema. Apenas 36,7% dos profissionais que sofreram violência formalizaram o ocorrido, o que compromete a criação de medidas de prevenção e proteção baseadas em evidências.

O Coren-SC incentiva e orienta os profissionais vítimas de violência a registrarem boletim de ocorrência e a buscarem os canais institucionais disponíveis. O Conselho oferece suporte através de sua Ouvidoria e de outros mecanismos, como o desagravo público, um instrumento de defesa contra situações que afetem o exercício profissional.

A instituição reafirma o compromisso em manter um contato próximo com os profissionais, incentivando-os a procurar o Conselho e a confiar em seu suporte. A valorização e a proteção da Enfermagem são prioridades contínuas para garantir um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso para todos.

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