A Universidade de Fortaleza (Unifor) sedia, entre os dias 6 e 8 de maio, um importante simpósio internacional focado na discussão e avanço dos cuidados paliativos. O evento, de caráter luso-franco-brasileiro, reúne especialistas de diversas áreas da saúde para debater inovações, o uso de tecnologia e as melhores práticas assistenciais voltadas para pacientes com doenças graves e sem perspectiva de cura, além de oferecer suporte a seus familiares. A iniciativa busca aprimorar a qualidade de vida e o bem-estar em momentos de fragilidade extrema.
A Enfermagem desempenha um papel central na oferta de cuidados paliativos, garantindo uma assistência integral e profundamente humanizada. Essa atuação se concentra na prevenção e alívio do sofrimento, independentemente da possibilidade de cura da doença. A profissão se dedica a assegurar a dignidade do paciente em todas as fases de sua jornada.
A presença de representantes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) no evento sublinha o compromisso da entidade com a regulamentação e o aprimoramento da prática. O conselheiro federal James Santos participou da cerimônia de abertura, reforçando a importância do trabalho da Enfermagem no cuidado centrado no indivíduo.
O conselheiro destacou que a essência do cuidado paliativo reside em garantir a dignidade e o conforto no presente, e não apenas em lidar com o desfecho de uma doença. O Parecer Normativo 1/2026 do Cofen consolida essa visão, reafirmando que a missão da Enfermagem vai além do tratamento de patologias.
Este parecer normatiza a atuação da equipe de Enfermagem nos cuidados paliativos, alinhando-se aos princípios éticos e legais que norteiam a profissão no Brasil. A regulamentação se baseia em legislações como a Lei nº 7.498/1986 e o Decreto nº 94.406/1987, além de resoluções do próprio Cofen, assegurando que o alívio do sofrimento seja considerado um direito fundamental.
A Abordagem Multidisciplinar dos Cuidados Paliativos
O simpósio é uma realização do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE) da Unifor, em colaboração com o curso de graduação em Enfermagem da instituição. Conta, ainda, com o valioso apoio de instituições de renome internacional, como a Escola Superior de Enfermagem do Porto e a Escola Superior de Saúde de Viseu, de Portugal, e a Universidade de Rouen, da França.
O evento abrange uma programação diversificada, com atividades práticas, conferências inspiradoras, lançamento de publicações, mesas-redondas e painéis científicos. A iniciativa é direcionada a estudantes de Enfermagem, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde, buscando a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de novas competências. Workshops e atividades interativas complementam o formato.
A definição de cuidados paliativos, endossada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Política Nacional de Cuidados Paliativos (instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681 em maio de 2024), compreende uma abordagem focada na qualidade de vida. Esta abordagem visa atenuar o sofrimento de pacientes e familiares diante de doenças ameaçadoras à continuidade da vida, sejam elas crônicas ou agudas, e não se restringe apenas às fases finais.
A prevenção e o manejo de sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais são pilares fundamentais. O conceito se aplica a todas as faixas etárias e a diversas condições de saúde, reforçando a ideia de cuidado como um processo contínuo.
O Papel Essencial da Enfermagem na Dignidade e no Conforto
A Enfermagem, ao atuar nos cuidados paliativos, transcende a dimensão puramente clínica. Seus profissionais se dedicam a garantir a dignidade do paciente e a promover o máximo de conforto possível. Essa abordagem integral visa melhorar a qualidade de vida, mesmo diante de prognósticos desafiadores.
A construção de um plano terapêutico individualizado, que considere as necessidades emocionais e espirituais, é crucial. A comunicação aberta e empática com o paciente e seus familiares é um diferencial importante na assistência paliativa oferecida pela Enfermagem.
A atuação da enfermagem nesse campo é um reflexo do compromisso ético da profissão em defender a vida em sua totalidade. Garantir que o sofrimento seja aliviado é um direito inalienável, e não uma opção secundária no percurso de cuidado.

