Brasil elimina 80% de crianças sem vacina

🕓 Última atualização em: 16/07/2026 às 16:05

Um notável avanço na saúde pública brasileira foi registrado no último biênio, com uma redução expressiva no número de crianças que não iniciaram o esquema de vacinação. Dados recentes indicam que essa parcela caiu de 255 mil para 50 mil indivíduos, representando um decréscimo de 80%. Este resultado coloca o Brasil em destaque internacional na recuperação das coberturas vacinais, conforme apontado por estimativas conjuntas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A expansão e o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) são fatores cruciais para essa melhora. O programa, que conta com uma vasta rede de cerca de 38 mil salas de vacinação distribuídas por todo o território nacional, tem no profissional de Enfermagem um pilar fundamental. Esses profissionais são responsáveis pela organização, gestão de insumos, avaliação do estado vacinal, orientação a famílias e pela busca ativa de crianças que não completaram o calendário.

A efetividade do PNI na proteção contra doenças imunopreveníveis é inquestionável. A diminuição drástica de crianças sem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida reflete diretamente o impacto do trabalho contínuo das equipes de saúde. A conquista reforça a importância do compromisso dos profissionais e da robustez das políticas públicas de imunização para a salvaguarda da saúde infantil.

Desafios persistentes e a importância da imunidade completa

Apesar das comemorações pelos números alcançados, a coordenadoria da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança (CTESNC/Cofen) ressalta que a vacinação completa é essencial. A interrupção do esquema vacinal, mesmo após o início, deixa crianças vulneráveis a doenças que poderiam ser facilmente prevenidas.

Para que uma criança seja considerada plenamente protegida, é imperativo que receba todas as doses recomendadas para cada imunizante, incluindo os reforços. A falta de adesão a todas as etapas do calendário vacinal significa que a proteção não é garantida, mantendo a população infantil suscetível a patógenos como o vírus do sarampo, que ainda representa uma ameaça global significativa.

A vacinação não se resume a um único ato, mas a um processo contínuo de cuidado e responsabilidade coletiva. Cada dose administrada contribui para a prevenção de doenças, a redução de hospitalizações e, fundamentalmente, para a garantia de um futuro com mais saúde e qualidade de vida para as crianças.

O esquema da vacina tríplice bacteriana (DTP), utilizada como referência global, compreende três doses. No contexto brasileiro, essa proteção é ampliada pela vacina pentavalente, que confere imunidade contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas por *Haemophilus influenzae* tipo b. A segurança e eficácia desses imunobiológicos são amplamente estudadas e validadas por entidades internacionais como o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e a OMS. Efeitos adversos graves são extremamente raros, sendo os mais comuns a dor e o inchaço no local da aplicação, acompanhados em alguns casos por febre e perda de apetite.

O cenário global e a vigilância contínua

No cenário mundial, a situação ainda é complexa, com 13,5 milhões de crianças sem receber qualquer vacina no primeiro ano de vida em 2025. Embora este número represente uma queda em relação ao ano anterior, ele ainda está acima das metas estabelecidas internacionalmente. Conflitos, crises humanitárias e profundas desigualdades sociais em diversas nações dificultam o acesso aos serviços de imunização.

A recuperação das taxas globais de vacinação, após o impacto da pandemia de COVID-19, é um esforço conjunto de governos e profissionais de saúde. Contudo, milhões de crianças permanecem desprotegidas em virtude de conflitos, deslocamentos forçados e pobreza extrema. A necessidade de alcançar cada criança vulnerável e de reconstruir a confiança nos programas de vacinação onde ela foi abalada é um apelo urgente da comunidade internacional.

A cobertura vacinal contra o sarampo, em particular, permanece em um nível crítico em muitas regiões. Globalmente, embora 89% das crianças tenham recebido pelo menos uma dose da vacina DTP, apenas 85% completaram o esquema com as três doses. Estima-se que 7,3 milhões de bebês que iniciaram a vacinação contra difteria, tétano e coqueluche não completaram o calendário com a vacina contra o sarampo. O índice de 84% para a primeira dose e 76% para a segunda dose da vacina contra o sarampo está abaixo dos 95% necessários para a efetiva proteção coletiva (imunidade de rebanho), permitindo a ocorrência de surtos.

O Brasil, que havia recuperado o certificado de zona livre de sarampo em 2016, viu a doença ressurgir em 2019, em decorrência da queda na cobertura vacinal, influenciada por movimentos antivacinação. A manutenção da vigilância e a busca ativa de indivíduos não vacinados são essenciais para evitar novas epidemias e garantir que o país não perca o status de erradicação dessa doença.

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