UFPR sedia simpósio internacional sobre justiça socioambiental

🕓 Última atualização em: 23/04/2026 às 00:46

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) sediará, entre os dias 26 e 28 de maio, o 3º Simpósio Internacional de Justiça Socioambiental. O evento reunirá acadêmicos e ativistas de diversas regiões do Brasil e da América Latina para debater modelos de transição energética, a aplicação do direito ambiental e a proteção dos povos tradicionais frente aos desafios contemporâneos.

O simpósio, com o tema central “Caminhos para uma transição justa, ecológica e popular”, propõe uma análise profunda sobre a necessidade de repensar o desenvolvimento atual. A discussão abrangerá questões cruciais como justiça climática, soberania alimentar e a adoção da agroecologia como ferramenta de transformação social.

A programação contempla uma variedade de atividades, incluindo conferências com especialistas renomados, mesas-redondas com diferentes perspectivas e oficinas práticas. O objetivo é promover um debate interseccional, que conecte os direitos humanos, os valores democráticos e a proteção ambiental.

Participarão do evento pesquisadores de instituições brasileiras de todas as regiões, além de representantes de países latino-americanos e de organizações não governamentais com atuação internacional. Essa diversidade de vozes visa enriquecer o intercâmbio de experiências e conhecimentos.

A organização do simpósio está a cargo do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR (EKOA), em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD-UFPR). O evento conta com o apoio financeiro do Programa de Apoio a Eventos no País (PAEP), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

O encontro reafirma a relevância de modelos de vida e práticas ancestrais que historicamente promovem um equilíbrio harmônico com o meio ambiente. Tais saberes tradicionais são apresentados como pilares fundamentais para a construção de um futuro sustentável e resiliente.

A Conexão Entre os Direitos da Natureza e os Conflitos Socioambientais

Um dos eixos centrais das discussões girará em torno dos direitos da natureza, conceito que busca atribuir personalidade jurídica a ecossistemas e elementos naturais. Essa abordagem jurídica inovadora surge como resposta à crescente crise ambiental e à necessidade de dar voz e proteção legal a ambientes que são frequentemente explorados e degradados.

A aplicação desses direitos é vista como um mecanismo crucial para mediar e solucionar conflitos socioambientais, que frequentemente emergem da disputa por recursos naturais e do impacto de atividades econômicas sobre comunidades locais e ecossistemas. O debate visa explorar como a judicialização e a participação comunitária podem fortalecer a proteção ambiental e garantir justiça.

A UFPR, ao sediar este simpósio, consolida sua posição como um polo de debate e pesquisa em direito socioambiental. A instituição busca fomentar a produção de conhecimento que contribua para a formulação de políticas públicas mais eficazes e para a conscientização da sociedade sobre a urgência de modelos de desenvolvimento mais justos e sustentáveis.

A chamada para submissão de trabalhos, já aberta a estudantes de graduação e pós-graduação, docentes, ativistas de movimentos sociais e à comunidade em geral, reflete o compromisso do evento em incluir diferentes perspectivas. A expectativa é que os trabalhos apresentados nos Grupos de Trabalho possam gerar propostas concretas para enfrentar os desafios ambientais.

Os resumos expandidos, que formarão a base dos trabalhos a serem debatidos nos Grupos de Trabalho, puderam ser submetidos até o dia 26 de abril de 2026. A análise desses estudos busca identificar novas abordagens e soluções para a vivência nos territórios, as transformações globais e as possibilidades de um futuro em harmonia com o planeta.

A Urgência de uma Transição Ecológica e Popular

A proposta de uma transição justa, ecológica e popular transcende a mera mudança de matriz energética. Implica em uma reestruturação profunda da sociedade, que priorize a equidade social e a sustentabilidade ambiental, com forte ênfase na participação popular e na valorização dos saberes tradicionais.

Essa transição busca garantir que os benefícios e os custos das mudanças sejam distribuídos de forma equitativa, protegendo os grupos mais vulneráveis e promovendo a justiça social. A perspectiva popular assegura que as comunidades diretamente afetadas pelas questões ambientais tenham voz ativa nas decisões que as afetam.

O simpósio, ao abordar a transição energética, não se limita às tecnologias limpas, mas investiga os impactos sociais e econômicos dessa mudança. A inclusão de temas como soberania alimentar e agroecologia sinaliza um caminho que busca construir sistemas mais resilientes e autônomos, menos dependentes de modelos de produção industrializados e prejudiciais ao meio ambiente.

A UFPR, ao promover este encontro internacional, reforça o papel das instituições acadêmicas na articulação de soluções para crises globais. A colaboração entre pesquisadores, gestores públicos e sociedade civil é fundamental para que as reflexões geradas no simpósio se convertam em ações concretas e transformadoras, moldando um futuro mais equitativo e sustentável para todos.

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