UFPR monitora Aedes Aegypti em campi de Curitiba para combater dengue

Um estudo de vigilância entomológica com duração prevista de um ano está em curso na Universidade Federal do Paraná (UFPR), focado em mapear a presença e estudar o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue. A iniciativa abrange três campi da instituição em Curitiba e é financiada pelo Edital de Sustentabilidade 18/2025 da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI-UFPR), com apoio da Coordenadoria de Atenção Integral à Saúde do Estudante (Caise).

A pesquisa surgiu como resposta a um expressivo aumento nos casos de dengue em Curitiba no ano de 2024. Observações prévias indicavam a presença do mosquito em áreas universitárias, o que, somado a relatos de pessoas da comunidade acadêmica infectadas, levantou a hipótese de transmissão dentro do próprio ambiente de estudo. Essa preocupação inicial motivou a estruturação de uma investigação científica mais aprofundada.

Os pesquisadores iniciaram a instalação de ovitrampas, armadilhas projetadas para capturar os ovos de fêmeas do mosquito. Ao todo, 15 pontos foram selecionados em três campi: Centro Politécnico, Jardim Botânico e o setor de Ciências Agrárias. A escolha dessas áreas se deu pela alta concentração de estudantes e funcionários, maximizando o potencial de detecção e estudo.

A rotina de monitoramento envolve a vistoria das armadilhas duas vezes por semana. Durante essas visitas, procede-se à substituição da água e do material onde as fêmeas depositam seus ovos. Os trabalhos de coleta e análise estão programados para se estenderem até o início de 2027, garantindo um acompanhamento contínuo da densidade populacional do vetor.

Análise e Quantificação do Vetor

O método de coleta permite quantificar a presença de ovos por armadilha e por campus, fornecendo dados valiosos sobre a distribuição geográfica do Aedes aegypti dentro do ambiente universitário. Após a coleta, os ovos são transferidos para um meio aquoso, permitindo a eclosão e o subsequente desenvolvimento das larvas em mosquitos adultos.

Esses mosquitos, uma vez obtidos, são submetidos a análises para posterior análise virômica. Essa etapa visa identificar a presença de vírus, como o da dengue, nos próprios vetores capturados. Entre o final de janeiro e o início de março, os pesquisadores já haviam recolhido mais de 2 mil ovos nas armadilhas, demonstrando a eficácia do método de vigilância.

A pesquisa não se limita apenas à coleta e análise. O projeto também prevê a implementação de ações educativas voltadas para a comunidade acadêmica, com foco na prevenção da dengue. Campanhas informativas sobre os sintomas da doença, métodos de prevenção e orientações para busca de atendimento médico serão divulgadas, especialmente antes do verão de 2027.

Tais iniciativas visam engajar a comunidade universitária na identificação de potenciais focos de proliferação do mosquito. A divulgação de cartazes em murais, setores e departamentos dos campi alertará sobre a importância de procurar atendimento médico imediato em caso de suspeita de dengue, direcionando os casos para um local específico, a Casa 1, que contará com uma equipe capacitada para acolhimento.

Impacto e Prevenção a Longo Prazo

Para a orientadora do estudo, professora Magda Costa-Ribeiro, o monitoramento sistemático do vetor em ambientes universitários é fundamental. O conhecimento adquirido sobre a circulação do Aedes aegypti em campi pode subsidiar a formulação de medidas preventivas eficazes, tanto dentro quanto fora da universidade.

A professora ressalta a importância de trazer a discussão sobre o mosquito e a dengue para dentro do ambiente acadêmico. Ela enfatiza que, diante das mudanças climáticas em curso, observa-se uma alteração significativa no comportamento e na distribuição geográfica desse vetor, tornando o monitoramento e a prevenção ainda mais urgentes e necessários.

O resultado esperado deste estudo é a identificação de padrões de distribuição do mosquito nos campi, permitindo a sinalização e a implementação de medidas de controle e erradicação. Ao entender onde e como o vetor se prolifera, torna-se possível atuar de forma mais assertiva na prevenção da disseminação do vírus da dengue, protegendo a saúde da comunidade acadêmica e da população.

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