UFPR monitora Aedes Aegypti em campi de Curitiba para combater dengue

🕓 Última atualização em: 17/06/2026 às 17:55

Um estudo de vigilância entomológica com duração prevista de um ano está em curso na Universidade Federal do Paraná (UFPR), focado em mapear a presença e estudar o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue. A iniciativa abrange três campi da instituição em Curitiba e é financiada pelo Edital de Sustentabilidade 18/2025 da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI-UFPR), com apoio da Coordenadoria de Atenção Integral à Saúde do Estudante (Caise).

A pesquisa surgiu como resposta a um expressivo aumento nos casos de dengue em Curitiba no ano de 2024. Observações prévias indicavam a presença do mosquito em áreas universitárias, o que, somado a relatos de pessoas da comunidade acadêmica infectadas, levantou a hipótese de transmissão dentro do próprio ambiente de estudo. Essa preocupação inicial motivou a estruturação de uma investigação científica mais aprofundada.

Os pesquisadores iniciaram a instalação de ovitrampas, armadilhas projetadas para capturar os ovos de fêmeas do mosquito. Ao todo, 15 pontos foram selecionados em três campi: Centro Politécnico, Jardim Botânico e o setor de Ciências Agrárias. A escolha dessas áreas se deu pela alta concentração de estudantes e funcionários, maximizando o potencial de detecção e estudo.

A rotina de monitoramento envolve a vistoria das armadilhas duas vezes por semana. Durante essas visitas, procede-se à substituição da água e do material onde as fêmeas depositam seus ovos. Os trabalhos de coleta e análise estão programados para se estenderem até o início de 2027, garantindo um acompanhamento contínuo da densidade populacional do vetor.

Análise e Quantificação do Vetor

O método de coleta permite quantificar a presença de ovos por armadilha e por campus, fornecendo dados valiosos sobre a distribuição geográfica do Aedes aegypti dentro do ambiente universitário. Após a coleta, os ovos são transferidos para um meio aquoso, permitindo a eclosão e o subsequente desenvolvimento das larvas em mosquitos adultos.

Esses mosquitos, uma vez obtidos, são submetidos a análises para posterior análise virômica. Essa etapa visa identificar a presença de vírus, como o da dengue, nos próprios vetores capturados. Entre o final de janeiro e o início de março, os pesquisadores já haviam recolhido mais de 2 mil ovos nas armadilhas, demonstrando a eficácia do método de vigilância.

A pesquisa não se limita apenas à coleta e análise. O projeto também prevê a implementação de ações educativas voltadas para a comunidade acadêmica, com foco na prevenção da dengue. Campanhas informativas sobre os sintomas da doença, métodos de prevenção e orientações para busca de atendimento médico serão divulgadas, especialmente antes do verão de 2027.

Tais iniciativas visam engajar a comunidade universitária na identificação de potenciais focos de proliferação do mosquito. A divulgação de cartazes em murais, setores e departamentos dos campi alertará sobre a importância de procurar atendimento médico imediato em caso de suspeita de dengue, direcionando os casos para um local específico, a Casa 1, que contará com uma equipe capacitada para acolhimento.

Impacto e Prevenção a Longo Prazo

Para a orientadora do estudo, professora Magda Costa-Ribeiro, o monitoramento sistemático do vetor em ambientes universitários é fundamental. O conhecimento adquirido sobre a circulação do Aedes aegypti em campi pode subsidiar a formulação de medidas preventivas eficazes, tanto dentro quanto fora da universidade.

A professora ressalta a importância de trazer a discussão sobre o mosquito e a dengue para dentro do ambiente acadêmico. Ela enfatiza que, diante das mudanças climáticas em curso, observa-se uma alteração significativa no comportamento e na distribuição geográfica desse vetor, tornando o monitoramento e a prevenção ainda mais urgentes e necessários.

O resultado esperado deste estudo é a identificação de padrões de distribuição do mosquito nos campi, permitindo a sinalização e a implementação de medidas de controle e erradicação. Ao entender onde e como o vetor se prolifera, torna-se possível atuar de forma mais assertiva na prevenção da disseminação do vírus da dengue, protegendo a saúde da comunidade acadêmica e da população.

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