A reta final do programa Fala Curitiba 2026 mobiliza a população da capital paranaense com encontros presenciais em todas as dez regionais da cidade, que se estenderão até o dia 7 de agosto. Esta fase derradeira representa a última oportunidade para os cidadãos expressarem suas prioridades e votarem nas propostas que moldarão o orçamento municipal para o próximo ano. A participação é aberta a todos, independentemente de envolvimento nas etapas anteriores, bastando possuir cadastro no sistema e-Cidadão.
Cada regional apresentará uma lista de 30 propostas, consolidadas a partir de seis meses de consulta pública. As dez mais votadas em cada área, considerando as diferentes modalidades de participação, serão incorporadas ao planejamento orçamentário da Prefeitura de Curitiba para 2027. O programa, coordenado pelo Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) e pela Secretaria do Governo Municipal (SGM), foi reconhecido internacionalmente pela ONU como um modelo de participação cidadã.
A iniciativa, que neste ano celebra uma década de existência, contou com a adesão de 18.541 cidadãos. Surpreendentemente, a modalidade Fala Móvel, unidade itinerante que percorre os bairros, concentrou a grande maioria das interações, com 15.741 registros. A plataforma online, em contraste, registrou 2.800 participantes, evidenciando a importância da capilaridade da unidade móvel para alcançar um público mais amplo e diverso.
A força do Fala Móvel em engajar a população foi um dos pontos altos desta edição. A presidente do Imap, Beatriz Battistella, destacou como essa abordagem direta e descentralizada se mostrou mais eficaz na captação de sugestões em comparação aos canais digitais, demonstrando a relevância de estratégias que vão além do ambiente virtual para promover a democracia participativa.
A construção colaborativa das prioridades municipais
O processo de consulta pública resultou na formulação de 47.540 sugestões. Estas foram meticulosamente compiladas, classificadas por regional e bairro, e submetidas à apreciação de técnicos da prefeitura e da própria comunidade em encontros presenciais realizados durante o mês de junho. Essa etapa crucial visou garantir a viabilidade técnica e a pertinência social das propostas.
Durante os 29 encontros realizados em toda a cidade, a colaboração entre cidadãos e gestores públicos permitiu uma análise aprofundada das sugestões. O objetivo era identificar aquelas com maior abrangência e potencial de impacto para o coletivo. Essa sinergia é fundamental para que as demandas da população se traduzam em políticas públicas efetivas e alinhadas às necessidades reais.
Após a fase de avaliação, foram consideradas viáveis 300 propostas, das quais 100 foram selecionadas como prioridades para a votação final. É importante ressaltar que muitas sugestões recebidas já se encontram dentro das atribuições regulares das secretarias municipais e podem ser atendidas de forma contínua, sem a necessidade de inclusão no orçamento via Fala Curitiba.
Demandas da população e os desafios urbanos
Os temas mais recorrentes e com maior peso nas solicitações dos curitibanos nesta edição do Fala Curitiba foram pavimentação e iluminação pública. Esses setores frequentemente figuram no topo das prioridades, refletindo necessidades básicas de infraestrutura e segurança que impactam diretamente a qualidade de vida dos munícipes.
Outras áreas de grande atenção incluem meio ambiente e limpeza pública, saúde e educação, demonstrando a preocupação da população com serviços essenciais e a sustentabilidade urbana. A segurança pública, representada pela Guarda Municipal, também obteve destaque, assim como o desenvolvimento do esporte e lazer, indicando a busca por bem-estar e oportunidades de convívio social.
Completam a lista de prioridades a melhoria de calçadas e ciclovias, a instalação de lombadas e travessias elevadas para maior segurança no trânsito, a sinalização e fiscalização de trânsito, e as obras de drenagem. Essas demandas revelam um panorama complexo dos desafios urbanos enfrentados por Curitiba, exigindo planejamento estratégico e alocação de recursos para atender às diversas necessidades da população.






