UFPR integra projeto inovador de agrofloresta em Moçambique com cooperação internacional

🕓 Última atualização em: 02/06/2026 às 09:28

Uma nova colaboração entre Brasil e Moçambique visa fortalecer a segurança alimentar e a preservação ambiental na província de Gaza, Moçambique. A iniciativa, formalizada através de um acordo internacional, une a expertise da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com esforços de desenvolvimento locais, focando na região de Mabalane. A cooperação abrange pesquisa científica, ações de recuperação florestal e o estudo de recursos alimentares tradicionais.

A parceria estratégica foi oficializada em cerimônia diplomática na Embaixada do Brasil em Maputo, capital moçambicana. Este ajuste complementar bilateral representa a continuidade e a expansão do compromisso entre as duas nações, refletindo um alinhamento diplomático recente que busca aprofundar laços em áreas de interesse mútuo.

A articulação do projeto é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A UFPR, por meio de seu Departamento de Ciências Florestais (Decif), assume a responsabilidade pela execução técnica das atividades planejadas. Em Moçambique, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) lideram a coordenação local.

Um dos pilares centrais do projeto é o combate ao desmatamento e à degradação florestal em Mabalane. As ações incluem a implementação de metodologias para a recuperação ambiental da área, visando restaurar ecossistemas e a biodiversidade local. O objetivo é mitigar os impactos ambientais e promover o desenvolvimento sustentável da região.

Avanços na Segurança Alimentar e Pesquisa Agrícola

Um componente inovador do programa é o foco na pesquisa e desenvolvimento da lagarta Mopane (Gonimbrasia belina). Este inseto é uma fonte tradicional de proteína e um alimento de importância cultural e nutricional para comunidades moçambicanas em situação de vulnerabilidade. Os estudos visam otimizar técnicas de criação em cativeiro, garantindo um suprimento mais estável e sustentável desse recurso.

A pesquisa abrange desde o desenvolvimento de métodos laboratoriais para a criação da espécie até a aplicação prática desses conhecimentos no contexto local. Essa abordagem busca não apenas aprimorar a produção, mas também fortalecer a segurança alimentar e a resiliência das comunidades mais afetadas pela escassez de alimentos.

O professor Nilton José Sousa, do Decif da UFPR, lidera a frente de pesquisa e capacitação técnica. Simultaneamente, o professor Dartagnan Baggio Emerenciano, com vasta experiência em projetos científicos em Moçambique desde 1981, coordena a gestão do projeto junto à ABC e à Embaixada Brasileira em Maputo. Sua expertise é fundamental para a integração das atividades e o sucesso da cooperação.

O professor Emerenciano destaca a importância histórica da atuação da UFPR na África, especialmente em Moçambique. O Curso de Engenharia Florestal da universidade colabora na formação de profissionais moçambicanos há décadas, contribuindo para o desenvolvimento de competências técnicas e para o avanço socioeconômico das regiões mais necessitadas.

A primeira fase do projeto, com duração prevista de três anos, prevê a construção de infraestrutura essencial. Isso inclui a edificação de uma sede administrativa, alojamentos para pesquisadores e estudantes, laboratórios de ponta, viveiros para mudas florestais e a aquisição de equipamentos modernos para pesquisa e capacitação. Tais investimentos são cruciais para o desenvolvimento das atividades previstas e a sustentabilidade das ações a longo prazo.

Adicionalmente, será elaborado um plano de recuperação florestal com foco em espécies de crescimento rápido. O objetivo é diversificar as opções de uso da terra e reduzir a pressão sobre a vegetação nativa, promovendo um manejo mais equilibrado dos recursos florestais da região de Mabalane.

Internacionalização e Intercâmbio Acadêmico

Esta cooperação transcende os objetivos ambientais e de segurança alimentar, representando um marco significativo para a internacionalização da UFPR e o fortalecimento das relações acadêmicas entre Brasil e Moçambique. O intercâmbio de conhecimentos, a realização de pesquisas de campo conjuntas e a colaboração entre estudantes e docentes das duas instituições enriquecerão a formação acadêmica e científica.

Os resultados das pesquisas e a experiência adquirida durante o projeto serão integrados aos currículos das disciplinas da UFPR, proporcionando aos estudantes brasileiros uma imersão em desafios e soluções do contexto africano. Essa troca de saberes visa formar profissionais mais capacitados e conscientes das complexidades globais.

Uma missão oficial brasileira está programada para os próximos meses, com o objetivo de participar do lançamento da pedra fundamental em Mabalane. Este evento marcará o início oficial das obras e das atividades de campo do projeto, contando com a presença de autoridades brasileiras e moçambicanas e do reitor da UFPR, Marcos Sunye. A iniciativa reforça o compromisso de ambas as nações com o desenvolvimento sustentável e a cooperação Sul-Sul.

O cronograma detalhado para os três anos de execução prevê a definição de procedimentos operacionais e um plano de ação abrangente. O professor Emerenciano manterá estadias anuais de três meses em Moçambique para supervisionar as operações de campo e garantir a integração entre a equipe local e os parceiros brasileiros. Essa dedicação contínua é vital para o sucesso e a continuidade do projeto.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *