Filme paranaense celebra vitórias em premiação internacional

🕓 Última atualização em: 15/04/2026 às 16:56

O cinema paranaense celebra uma conquista notável no cenário internacional. O longa-metragem “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte” foi agraciado com os prêmios de Melhor Longa-Metragem e Melhor Atriz no festival One Fluid Night LGBTQIA+ Film Festival, realizado em Londres. A atriz Gabriela Grigolom foi reconhecida por sua interpretação memorável, solidificando ainda mais o alcance e a qualidade da produção local.

Este reconhecimento internacional não é um feito isolado. O filme já trilha um caminho de sucesso em diversos festivais desde 2025, acumulando premiações significativas. Anteriormente, o longa destacou-se no 29º Cine PE, onde Octávio Camargo levou para casa o prêmio de Melhor Ator pelo Júri Oficial, e o próprio filme foi eleito Melhor Filme pelo Júri Popular na mostra competitiva de longas-metragens nacionais.

A trajetória premiada também inclui o Rio LGBTQIA+ 2025, onde o longa recebeu o título de Melhor Filme pelo voto popular na mostra competitiva brasileira. Além disso, o XI DIGO Festival conferiu ao filme o prêmio de Melhor Filme na Mostra Competitiva Libras Visual, e o III Cine RO – Festival de Cinema de Rondônia reconheceu o trabalho com o Melhor Roteiro.

O apoio do Governo do Paraná, através da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) e em parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), foi fundamental para a viabilização da obra. O projeto foi contemplado com R$ 1,125 milhão provenientes do Edital de Produção e Desenvolvimento de Obras Audiovisuais, evidenciando o compromisso com o fomento do setor cultural e audiovisual no estado.

Políticas Públicas e o Fomento ao Audiovisual

Luciana Casagrande Pereira, Secretária de Estado da Cultura, ressalta a importância do setor audiovisual como motor econômico e cultural. As políticas públicas direcionadas buscam não apenas impulsionar a produção, mas também democratizar o acesso e as oportunidades para profissionais e municípios em todo o Paraná. A expansão do cinema paranaense para o cenário global é um reflexo direto dessas ações estratégicas.

A atuação de órgãos como a PR Film Commission, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, é essencial na organização, simplificação e apoio às atividades cinematográficas. O sucesso de “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte” é visto como uma “culminação de políticas públicas”, conforme destacado por Luiz Gustavo Vilela, secretário-executivo da PR Film Commission.

O filme se destaca por trazer Gabriela Grigolom como a primeira protagonista surda em um longa-metragem nacional. Esta representatividade inédita, aliada à potência narrativa, amplifica o impacto da obra e sinaliza um avanço significativo na inclusão e acessibilidade dentro da indústria cinematográfica brasileira. A exploração da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como elemento visual e cinematográfico enriquece a experiência, promovendo a visibilidade da comunidade surda.

A produção, dirigida por Bruno Costa e produzida por Gil Baroni e Andréa Tomeleri, da Beija Flor Filmes, aborda temas universais como o amor em suas diversas manifestações – romântico, familiar e pela arte – e a necessidade premente de tolerância em uma sociedade que ainda enfrenta desafios significativos nesse aspecto. A narrativa explora as múltiplas formas de relacionamento, enfatizando o respeito às escolhas individuais.

A Representatividade Surda no Cinema Brasileiro

A personagem Lola, interpretada por Grigolom, é uma jovem atriz surda que se desdobra para criar a filha e manter sua companhia de teatro, formada por artistas surdos. Sua jornada pessoal e profissional se cruza com a de Sol, personagem de Chiris Gomes, dando início a um relacionamento que se torna o fio condutor de parte da trama. Esta abordagem narrativa valida a importância de colocar a comunidade surda no centro das histórias.

Gil Baroni, produtor do longa, enfatiza o aprendizado adquirido com o projeto e a relevância de dar protagonismo à comunidade surda. A percepção é de que essa comunidade está ávida por mais representação no audiovisual brasileiro, tanto na frente quanto atrás das câmeras, o que valida o esforço em romper barreiras e construir um cinema mais inclusivo e diversificado.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *