Uma iniciativa acadêmica e pública está revitalizando a abordagem para a conservação de edificações históricas em Paranaguá, promovendo a integração entre conhecimento técnico e a expertise das comunidades locais. A Universidade Federal do Paraná (UFPR), em colaboração com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), lidera um projeto de extensão que visa não apenas a manutenção física de bens culturais, mas também o fortalecimento da gestão participativa destes espaços.
O programa, inserido no contexto mais amplo do projeto nacional “Conviver”, foca em oferecer assistência técnica especializada para proprietários de imóveis com valor histórico, muitas vezes de baixa renda, que enfrentam desafios na conservação de suas propriedades.
A estratégia central envolve a criação de “canteiros-modelo”. Estes são espaços de aprendizado prático onde estudantes e professores de áreas como arquitetura, engenharia e história interagem diretamente com os moradores.
A troca de saberes é fundamental, buscando resgatar e valorizar as histórias e os conhecimentos populares intrinsecamente ligados a esses edifícios.
Capacitação e Diálogo: Pilares da Preservação
Além do suporte técnico direto, o projeto abrange a realização de oficinas. Estas atividades são projetadas para aumentar a conscientização sobre a importância do patrimônio histórico e capacitar indivíduos interessados em atuar na conservação. Os encontros abordam as especificidades dos materiais e das técnicas construtivas tradicionais.
O professor Rodrigo Jabur, um dos coordenadores do projeto de extensão “Canteiro Modelo”, enfatiza que o sucesso da iniciativa reside na gestão colaborativa. A compreensão das dinâmicas locais é essencial para definir as prioridades de intervenção.
O diálogo com a comunidade é o ponto de partida para identificar as ações mais urgentes e as formas de colaboração que a universidade pode oferecer. Essa escuta ativa garante que as intervenções sejam relevantes e sustentáveis.
Um Legado para o Futuro
A metodologia adotada em Paranaguá, um dos 21 municípios brasileiros selecionados para a fase atual do projeto, demonstra um avanço significativo na forma como o patrimônio cultural é abordado. Ao invés de uma imposição de diretrizes, busca-se uma parceria que empodera os guardiões desses bens.
O envolvimento de diferentes áreas do saber acadêmico confere uma visão holística aos desafios da conservação, integrando aspectos técnicos, históricos, sociais e antropológicos. Essa abordagem multifacetada é crucial para a longevidade e o valor cultural dos imóveis históricos.





