Curitiba recebe primeiro encontro nacional de mulheres catadoras de recicláveis

🕓 Última atualização em: 20/06/2026 às 11:53

Curitiba se prepara para sediar um marco para a sustentabilidade e os direitos trabalhistas: o 1º Encontro Nacional das Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis. O evento, que ocorrerá de 23 a 25 de junho, abordará temas cruciais como racismo ambiental e a saúde no trabalho da categoria. A iniciativa é fruto de uma colaboração entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Ministério das Mulheres e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), buscando dar visibilidade e propor soluções para os desafios enfrentados por estas trabalhadoras.

O encontro promete reunir centenas de mulheres catadoras de todo o país, representando diversas formas de organização, desde cooperativas e associações até fóruns e movimentos sociais. A solenidade de abertura está agendada para o dia 23 de junho, às 13h, com a presença confirmada da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, além de autoridades da Fiocruz, da UFPR e outras instituições parceiras.

A organização do evento envolve pesquisadores e especialistas dedicados a entender e combater as desigualdades. Professores da UFPR, como Tomaz Longhi e Pedro Fontão, que atuam em projetos focados nos impactos do racismo ambiental e climático sobre as catadoras, integram a comissão organizadora. Suas pesquisas visam coletar dados e sistematizar propostas para aprimorar as condições de trabalho e vida desta parcela fundamental da sociedade.

O trabalho das mulheres catadoras é essencial para a gestão de resíduos sólidos, a promoção da economia circular e a sustentabilidade das cidades. No entanto, elas frequentemente enfrentam barreiras relacionadas a gênero, raça, acesso à saúde e precarização do trabalho. O racismo ambiental, em particular, expõe comunidades já marginalizadas a maiores riscos e impactos negativos das mudanças climáticas e da poluição.

Uma das principais atividades planejadas para o encontro é a exibição de um documentário inédito, resultado de uma parceria entre o Ministério das Mulheres e a UFPR. Esta produção audiovisual busca retratar a realidade, os desafios e as estratégias de resistência das mulheres catadoras, dando voz às suas experiências e fortalecendo seu protagonismo.

Debates Aprofundados e Valorização do Protagonismo

Ao longo dos três dias de evento, a programação contará com mesas de debate focadas em discussões aprofundadas sobre racismo ambiental, a interseção entre pesquisa e mudanças climáticas, e o uso de georreferenciamento e cartografia social para mapear e entender as territorialidades das catadoras. Serão discutidos os avanços e os obstáculos na implementação de políticas públicas específicas para esta categoria.

Paralelamente, ocorrerá a 3ª Reunião do Fórum Nacional para Promoção da Autonomia e Inclusão Socioeconômica de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis. Este espaço de diálogo é crucial para a construção coletiva de estratégias e a articulação entre o governo e a sociedade civil, buscando fortalecer a atuação e a representatividade das catadoras em âmbitos decisórios.

O evento também reserva um espaço especial para a valorização da trajetória e do protagonismo das participantes. Uma exposição fotográfica apresentará registros dos territórios, dos processos de trabalho e das vivências cotidianas das mulheres catadoras. Haverá ainda uma feira de artesanato, organizada pelas próprias catadoras, que servirá como plataforma para a geração de renda, o reconhecimento de seus saberes ancestrais e a visibilidade de suas práticas produtivas.

O documentário a ser exibido foi construído a partir de depoimentos coletados durante o I Seminário Catadoras da Resistência, realizado em 2023, capturando a essência da luta e da resiliência desta categoria.

Caminhos para Políticas Públicas e Carta Compromisso

O encerramento do 1º Encontro Nacional das Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis será marcado pela leitura da Carta Compromisso das Mulheres Catadoras. Este documento, que reunirá as propostas e recomendações elaboradas durante o evento, terá um papel fundamental como subsídio para o aperfeiçoamento das políticas públicas destinadas à categoria.

A carta visa não apenas consolidar as discussões e aprendizados, mas também servir como um instrumento de pressão e advocacy para ampliar a participação das catadoras nos espaços de formulação e controle social das políticas que as afetam diretamente. A expectativa é que as deliberações fortaleçam a luta por reconhecimento institucional, direitos previdenciários, cuidado, saúde, segurança alimentar, autonomia econômica, educação e o enfrentamento às violências.

A organização espera que este encontro não seja apenas um espaço de troca de experiências, mas um catalisador para ações concretas que garantam dignidade, segurança e reconhecimento para as mulheres catadoras de materiais recicláveis em todo o Brasil.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *