UFPR expõe patrimônio cultural dos povos do campo

🕓 Última atualização em: 20/08/2026 às 11:29

Uma nova exposição em Curitiba, “Povos do Campo: Patrimônio Cultural da Floresta de Araucárias”, abre suas portas para o público, oferecendo um mergulho profundo nas ricas manifestações culturais das comunidades rurais do Paraná. A mostra, que teve sua abertura no dia 20 de agosto, reúne um acervo diversificado composto por fotografias, vídeos, objetos e artefatos, fruto de um projeto de inventário participativo realizado no município de Inácio Martins.

O evento é uma iniciativa da Casa de Cultura Goés Artigas, em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A curadoria buscou não apenas documentar, mas também valorizar os saberes, celebrações e lugares de memória que moldam a identidade de grupos como povos de faxinais, assentamentos da reforma agrária e a comunidade indígena Mbya Guarani, todos inseridos no ecossistema da floresta de araucárias.

A exposição se destaca pela sua abordagem colaborativa, que envolveu diretamente as comunidades locais. A metodologia de inventário participativo foi fundamental, priorizando a escuta ativa e o diálogo com os chamados “mestres e mestras da cultura” – indivíduos que detêm e transmitem conhecimentos tradicionais de geração em geração.

Essa filosofia garante que o patrimônio cultural seja compreendido como uma entidade viva, em constante evolução e reconfiguração. A iniciativa reforça a importância da preservação de práticas culturais que, muitas vezes, correm o risco de se perderem com o passar do tempo e as transformações sociais.

A Casa de Cultura Goés Artigas, por si só, representa um polo de valorização cultural. Fundada pela organização de mulheres agricultoras da comunidade rural de Góes Artigas, a associação se tornou um espaço vital para a promoção da economia solidária e a exaltação dos modos de vida do campo.

A Importância da Valorização do Patrimônio Imaterial

O trabalho exposto em “Povos do Campo” transcende a mera exibição de objetos; ele é um testemunho da resiliência e criatividade de comunidades que mantêm suas tradições vivas. A floresta de araucárias, mais do que um cenário geográfico, funciona como um pano de fundo cultural, onde histórias e práticas se entrelaçam.

A gestão de recursos naturais e a preservação ambiental estão intrinsecamente ligadas aos saberes tradicionais dessas populações. A exposição oferece uma janela para compreender como esses conhecimentos ancestrais contribuem para a sustentabilidade e a manutenção de ecossistemas sensíveis.

A articulação entre instituições de pesquisa acadêmica, como a UFPR, e organizações comunitárias, como a Casa de Cultura Goés Artigas, é um modelo exemplar de como a produção de conhecimento pode beneficiar diretamente a sociedade. O projeto demonstra a relevância da pesquisa etnográfica aplicada e do registro cultural como ferramentas de fortalecimento identitário.

A Associação Comunitária de Mulheres Rurais Casa da Cultura Góes Artigas, reconhecida como Ponto de Cultura e parte da Rede Nacional de Escolas Livres de Arte e Cultura, desempenha um papel crucial na difusão e salvaguarda dessas manifestações. Suas ações contínuas visam não apenas a preservação, mas também o fomento da agroecologia e o empoderamento das mulheres rurais.

Um Convite à Reflexão e ao Diálogo

A exposição “Povos do Campo: Patrimônio Cultural da Floresta de Araucárias” está aberta à visitação na Casa Domingos Nascimento Sobrinho, sede do IPHAN-PR, localizada na Rua José de Alencar, 1808, no bairro Juvevê, em Curitiba. A entrada é gratuita e a mostra ficará disponível durante os meses de agosto e setembro.

Além da visitação, a programação inclui uma roda de conversa, que visa aprofundar o debate sobre os temas abordados e promover o intercâmbio de experiências. Esta atividade reforça o caráter educativo e participativo da exposição, convidando o público a refletir sobre a importância da diversidade cultural brasileira e a necessidade de sua preservação.

A iniciativa, que teve a participação fundamental do projeto de extensão Documenta do MAE-UFPR, reforça a ideia de que o patrimônio cultural é um mosaico de narrativas que enriquecem a experiência humana. A floresta de araucárias, que abriga essas comunidades, é um símbolo da conexão entre o homem e a natureza, um elo que a exposição se propõe a celebrar.

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