UFPR divulga perfil detalhado de refugiados e migrantes em Piraquara em novo censo

🕓 Última atualização em: 13/08/2026 às 15:16

Um levantamento detalhado na comunidade de Andorinhas, localizada em Piraquara, revela uma significativa presença de migrantes e refugiados, com destaque para as populações haitiana e venezuelana. A apresentação pública desses dados, que traçam um perfil demográfico e socioeconômico, bem como as demandas urgentes deste grupo, está agendada para a próxima terça-feira, dia 18.

A pesquisa, realizada entre os meses de abril e julho, foi uma iniciativa conjunta da Prefeitura Municipal de Piraquara, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O objetivo primordial foi coletar informações cruciais para subsidiar o desenvolvimento e o aprimoramento de políticas públicas eficazes e ações localizadas que atendam às necessidades específicas da comunidade.

O projeto “Atlas da Migração Internacional no Paraná”, coordenado pela UFPR, desempenhou um papel fundamental na elaboração dos questionários, no treinamento das equipes de campo e na sistematização dos dados coletados. A pesquisa abrangeu 844 domicílios, totalizando 2.557 pessoas entrevistadas. Embora a maioria da população registrada seja brasileira, os dados apontam para uma expressiva representatividade de não brasileiros, totalizando 820 indivíduos, o que corresponde a 32,1% do total.

O grupo haitiano emerge como o maior contingente entre os migrantes e refugiados, com 727 pessoas residindo em 270 domicílios. Essa concentração sublinha a importância de compreender as dinâmicas de inserção e as necessidades específicas dessa comunidade, conforme apontado pelo professor Márcio Oliveira, coordenador da iniciativa na UFPR. Ele destaca que muitas famílias haitianas buscam a consolidação de suas vidas através da aquisição de moradia, um passo crucial para a integração econômica e a permanência segura no país.

Demandas e Desafios da População Migrante

A análise dos dados revela que, embora a população migrante apresente uma taxa ligeiramente superior de acesso ao trabalho em comparação com os brasileiros (74% contra 71,5%), os rendimentos tendem a ser inferiores. Um dado alarmante é a proporção de pessoas sem nenhuma fonte de renda, que atinge 24,7% entre haitianos e haitianas, contra 16,2% entre brasileiros.

Essas disparidades econômicas ressaltam a necessidade de políticas de emprego e renda que considerem as especificidades da população migrante e refugiada, buscando garantir condições de trabalho dignas e salários justos. A evasão do mercado de trabalho é uma vulnerabilidade que impacta diretamente a capacidade de autonomia e bem-estar dessas famílias.

No que tange às condições de moradia, o censo identificou desafios estruturais significativos na comunidade de Andorinhas. O acesso a serviços básicos como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica apresenta precariedade em muitos domicílios, com a predominância de ligações informais ou comunitárias. Apesar desses obstáculos, é notável que a maioria da população recorre a Unidades Básicas de Saúde (84,9%) e encontra-se inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (62,7%), indicando um acesso razoável a serviços de saúde e assistência social.

A chefia do escritório do ACNUR em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira, reforça a importância de se estar preparado para acolher e proteger adequadamente as populações forçadas a se deslocar, garantindo o respeito aos seus direitos. Ela enfatiza que o Brasil tem sido um país acolhedor, mas que a efetividade das políticas públicas depende de um conhecimento aprofundado sobre quem são essas pessoas e quais suas necessidades mais urgentes.

Perspectivas para o Futuro e Ações Futuras

Os resultados do censo são essenciais para guiar a formulação de políticas públicas mais assertivas e inclusivas. A identificação das barreiras para a plena integração econômica e social, especialmente para mulheres migrantes e refugiadas, é um ponto focal para futuras intervenções. A busca por autonomia financeira e o combate à precariedade laboral são metas centrais.

A apresentação pública dos dados na terça-feira não é apenas um momento de divulgação de números, mas uma oportunidade para dialogar com a comunidade, representantes governamentais e organizações da sociedade civil. O intercâmbio de informações e a colaboração são fundamentais para a construção de soluções sustentáveis que promovam a integração e o desenvolvimento humano.

A experiência da comunidade de Andorinhas serve como um estudo de caso para a realidade migratória no Paraná e em outras regiões do Brasil. Ao entender o perfil, as potencialidades e as vulnerabilidades dos migrantes e refugiados, é possível traçar caminhos mais seguros e promissores para que essas populações contribuam ativamente para a diversidade cultural e o desenvolvimento socioeconômico do país.

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