Uma análise recente de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta para uma transformação no perfil habitacional da capital paranaense. Curitiba tem testemunhado um crescimento notável na construção de apartamentos, enquanto o número de residências unifamiliares tem diminuído. Essa tendência, embora menos acentuada, também se observa em menor escala no estado do Paraná como um todo, onde as casas ainda configuram a vasta maioria dos domicílios.
A pesquisa, focada nas características dos domicílios e moradores, revela que a paisagem urbana de Curitiba tem se tornado progressivamente mais verticalizada. A expansão de edifícios residenciais reflete mudanças nos padrões de urbanização e nas preferências de moradia em centros urbanos densos.
Em contrapartida, a realidade do Paraná exibe uma predominância contínua das casas como forma de moradia principal. Mesmo com a evolução das cidades, a cultura e a estrutura de ocupação territorial do estado mantêm a casa individual como o tipo de domicílio mais comum para a maioria dos paranaenses.
Essa dicotomia entre a capital e o interior do estado evidencia diferentes dinâmicas de desenvolvimento e ocupação do espaço. Em Curitiba, a pressão imobiliária e a busca por otimização de espaços podem estar impulsionando a construção de unidades habitacionais multifamiliares.
O Acelerado Crescimento Vertical em Curitiba
Os dados do IBGE indicam que, em uma década, Curitiba registrou um aumento expressivo de mais de 100 mil apartamentos. Paralelamente, observou-se uma redução de aproximadamente 30 mil casas. Em 2016, as casas representavam cerca de 70,5% dos domicílios na capital, enquanto os apartamentos correspondiam a 29,3%. Dez anos depois, em 2025, essa proporção se alterou significativamente, com os apartamentos alcançando 40,5% do total de domicílios, ao passo que as casas caíram para 59,3%.
Essa variação percentual, de 6,8% de queda nas casas e 53,7% de aumento nos apartamentos, demonstra um movimento de densificação urbana. A concentração de residências em um mesmo edifício pode ser vista como uma resposta à necessidade de acomodar uma população crescente em áreas com infraestrutura já estabelecida.
A análise detalhada da pesquisa revela um total de 719 mil domicílios em Curitiba em 2025. Desses, 426 mil eram casas e 292 mil, apartamentos. A tendência de crescimento dos apartamentos é clara e pode indicar que, em um futuro próximo, essa modalidade habitacional se torne predominante na capital.
Esse fenômeno se alinha com as tendências observadas em grandes metrópoles globais, onde a verticalização é uma estratégia comum para gerenciar o crescimento populacional e o adensamento urbano. A mudança na paisagem de Curitiba é, portanto, um reflexo de políticas urbanas, fatores econômicos e escolhas dos cidadãos.
A Persistência das Casas no Paraná
No contexto do estado do Paraná, a realidade é distinta. A maioria absoluta dos paranaenses continua a residir em casas. Em 2025, o estado contabilizava 4,518 milhões de domicílios, dos quais impressionantes 83,5% eram casas, totalizando 3,772 milhões de unidades. Os apartamentos representavam 16,4% do total, somando 742 mil unidades.
Embora tenha havido uma redução na proporção de casas ao longo da última década no Paraná, essa diminuição ocorreu em um ritmo consideravelmente mais lento do que em Curitiba. A pesquisa IBGE mostra que em 2016, as casas representavam 89% dos domicílios no estado, e em 2025, caíram para 83,5%. Em contrapartida, a proporção de apartamentos subiu de 10,9% para 16,4%.
Essa diferença sublinha a importância da casa própria como um valor cultural e social no interior do Paraná, além de possíveis fatores econômicos e de disponibilidade de terrenos. A disseminação de habitações unifamiliares em áreas menos densas do estado difere significativamente do modelo de ocupação urbana em Curitiba.
As implicações dessa diversidade habitacional para o desenvolvimento regional são variadas. Enquanto a verticalização em Curitiba pode demandar infraestruturas de saneamento e transporte mais robustas e eficientes, a predominância de casas no interior pode impactar o uso do solo e a oferta de serviços públicos de forma distinta. A análise dessas tendências é fundamental para o planejamento urbano e políticas públicas futuras em ambas as esferas.






