A Universidade Federal do Paraná (UFPR) propôs uma forma alternativa para quitar uma dívida de mais de R$500 mil, acumulada após a ocupação do Restaurante Universitário em 2015. A proposta visava converter parte significativa do valor em diárias de hospedagem, buscando um acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Paraná (Sinditest-PR).
A oferta da reitoria consistia em utilizar R$280 mil da dívida para a concessão de 4 mil diárias em sedes de praia pertencentes ao sindicato. Essas diárias teriam um prazo de cinco anos para serem utilizadas, com um custo individual de R$70,00 em baixa temporada e sujeitas à disponibilidade de leitos.
O restante da dívida, aproximadamente R$234 mil, seria quitado em parcelas, com correção monetária aplicada. A gestão do acordo previa um controle compartilhado entre a reitoria e o sindicato, com prestações de contas periódicas à Justiça.
No entanto, o Sinditest-PR rejeitou a proposta, considerando-a desvantajosa e incompatível com sua realidade financeira. O sindicato argumenta que a oferta não atende às suas necessidades e busca a redução do valor principal e dos juros cobrados.
A UFPR defendeu a proposta com base no princípio da economicidade, argumentando que o valor estipulado por diária seria inferior aos custos de mercado, representando uma economia para os cofres públicos. A universidade destacou o interesse público envolvido, uma vez que as unidades do litoral demonstraram interesse em sediar atividades acadêmicas.
A Procuradoria Federal (PF) também se manifestou, afirmando que a proposta estava dentro dos limites legais. A PF ressaltou que a indisponibilidade do interesse público impede a renúncia de créditos devidos à Administração Pública, o que justificou a impossibilidade de reduzir o valor principal ou os encargos.
A Tensão entre o Acordo e a Legalidade
A tentativa da UFPR de chegar a um acordo demonstra um esforço em encontrar soluções que beneficiem ambas as partes, sem comprometer os recursos públicos. A conversão da dívida em prestação de serviços de hospedagem foi apresentada como uma alternativa viável, respaldada pelo princípio da economicidade e por um interesse público previamente identificado.
A fase atual do processo é de execução, o que significa que a obrigação de pagamento é definitiva. A universidade afirmou ter ido até o limite do que a lei permite para viabilizar o pagamento e evitar dificuldades financeiras ao sindicato.
Apesar da argumentação da universidade, o Sinditest-PR manteve sua posição, solicitando novamente um recálculo da dívida e da correção monetária. O sindicato optou por não apresentar uma contraproposta para a conversão da dívida em diárias.
O impasse sobre a forma de pagamento continua, mas a UFPR reitera seu compromisso de que os recursos recuperados serão integralmente revertidos para ações de benefício direto aos servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs), visando projetos de valorização da categoria.
Perspectivas Futuras e o Impacto para os Servidores
A decisão do Sinditest-PR em rejeitar a proposta da UFPR abre um novo capítulo na disputa judicial. A universidade, por sua vez, demonstra uma postura colaborativa ao buscar alternativas que evitem o agravamento da situação financeira, tanto para a instituição quanto para o sindicato.
É fundamental que, independentemente do formato final de quitação, os recursos destinados aos servidores TAEs se concretizem. Projetos de valorização e benefícios diretos são cruciais para o bem-estar e a motivação desta importante parcela da comunidade acadêmica.
A continuidade das negociações ou a decisão judicial subsequente terão impacto direto na forma como a dívida será paga e, consequentemente, na agilidade com que os recursos poderão ser aplicados em benefício dos servidores. A transparência e a comunicação clara entre as partes envolvidas serão essenciais para alcançar um desfecho satisfatório para todos os envolvidos.





