A inclusão de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica no cenário acadêmico internacional tem ganhado força através de iniciativas que visam remover barreiras financeiras. Um exemplo notável é o projeto “Idiomas em Movimento” (IMV) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que oferece cursos gratuitos de idiomas como inglês, francês e espanhol. O foco principal é viabilizar a participação desses alunos em programas de mobilidade acadêmica, ampliando suas oportunidades de intercâmbio e aprimoramento profissional.
Criado em 2026 pela Coordenadoria de Políticas Linguísticas (CPL), o projeto destina-se exclusivamente a estudantes que fazem parte de programas de assistência estudantil, como o Probem, Pibis e PEC-G. As aulas são ministradas de forma presencial e virtual, com a colaboração de discentes do curso de Letras, supervisionados por professores experientes da área. Essa abordagem pedagógica não só beneficia os alunos cursantes, mas também enriquece a formação dos futuros licenciados.
A demanda por tal iniciativa surgiu diretamente da base estudantil. Muitos alunos relatavam o idioma como um obstáculo intransponível para concretizar seus objetivos de mobilidade internacional. A coordenadora da CPL, Pollianna Milan, ressalta que o projeto nasceu dessa necessidade explícita, buscando equipar os estudantes com as ferramentas linguísticas essenciais para que possam competir em igualdade de condições nos editais de intercâmbio.
O Poder Transformador dos Idiomas
O aprendizado de um novo idioma, como evidenciado pelos relatos de professores e alunos, vai além da comunicação básica. Ele abre portas para novas perspectivas acadêmicas e profissionais, além de promover um desenvolvimento pessoal significativo. Estudantes que antes viam o intercâmbio como um sonho distante, agora o encaram como uma possibilidade real de aprofundar seus conhecimentos.
Lucas Ferreira Santos, docente responsável pelas turmas de espanhol, destaca o interesse particular dos estudantes da área da saúde. Muitos buscam o espanhol para aprimorar o atendimento a imigrantes de países vizinhos, demonstrando a aplicação prática e imediata do conhecimento adquirido. A dedicação de alunos como Everton, do curso de Farmácia, exemplifica o impacto do projeto, superando até mesmo as limitações de modalidades de ensino remoto.
Everton Luiz Querino, aluno do curso de Farmácia e participante da turma de Espanhol Básico, compartilha que a experiência transcende o aprendizado linguístico. Ele enfatiza a contribuição para a compreensão de preconceitos linguísticos e a capacidade de interagir com falantes de espanhol. Essa nova competência reflete diretamente na formação profissional e na sensibilidade intercultural.
O professor Renan Diniz Proença, que leciona inglês, observa um notável aumento na confiança dos alunos ao longo do curso. Aqueles que inicialmente apresentavam receios, ganham segurança para se expressar e se integram mais ao ambiente acadêmico. Essa integração fomenta a criação de laços e a percepção de um leque maior de oportunidades.
Em relação às turmas de francês, a professora Íris Schmitt relata progressos notáveis mesmo em alunos sem qualquer contato prévio com o idioma. O projeto tem permitido que muitos reconheçam e utilizem frases em francês, evidenciando a eficácia da metodologia e o potencial de desenvolvimento.
Maria Fernanda Vilela Lucas, outra professora de inglês, reforça a percepção dos alunos sobre a necessidade do idioma para suas carreiras. Ela descreve como os estudantes, mesmo em turmas de nível inicial, demonstram grande participação e dedicação, transformando a busca por uma oportunidade de internacionalização em uma ampliação do seu universo pessoal e profissional.
Democratização do Acesso e Impacto Social
A democratização do acesso à educação em idiomas é o pilar central do projeto “Idiomas em Movimento”. A coordenadora Pollianna Milan aponta que o principal desafio para estudantes em situação de vulnerabilidade é justamente a barreira financeira para acessar cursos de qualidade. Uma vez transposta essa dificuldade inicial, os desafios de aprendizado tornam-se comuns a qualquer estudante.
O professor Lucas Ferreira Santos reforça que a gratuidade é um fator crucial para ampliar as oportunidades. Ele argumenta que a possibilidade de almejar uma viagem internacional ou um cargo desejado não deve ser restrita a quem pode pagar por escolas privadas. Essa iniciativa busca equalizar o campo de jogo, oferecendo ferramentas para que todos possam aspirar a um futuro promissor.
A relação próxima entre docentes e discentes, marcada pela compreensão da realidade estudantil, é outro diferencial apontado por Everton. Essa proximidade pedagógica fortalece o vínculo professor-aluno e otimiza o processo de ensino-aprendizagem. A acessibilidade e a equidade são princípios que norteiam a iniciativa desde sua concepção.
O contato com novas línguas e culturas, como destaca Pollianna Milan, estimula uma reflexão profunda sobre a própria identidade e a influência da língua materna na formação do indivíduo. O projeto, portanto, não apenas ensina idiomas, mas também fomenta o pensamento crítico e a autocompreensão.
A professora Íris Schmitt reitera o compromisso da equipe em traduzir essa oportunidade em realidade para os alunos. A expectativa é que o conhecimento adquirido abra novas portas em esferas acadêmicas, profissionais e sociais, promovendo um ciclo virtuoso de desenvolvimento e conquistas. A iniciativa da UFPR é um testemunho do poder transformador da educação e da importância de políticas públicas voltadas para a inclusão.






