A Universidade Federal do Paraná (UFPR) oficializou o recebimento de uma carta com 10 reivindicações por parte do Diretório Central de Estudantes (DCE) em 15 de maio. A administração da instituição reiterou sua abertura ao diálogo e apresentou respostas detalhadas a cada demanda, buscando um entendimento construtivo com o movimento estudantil.
Uma das principais questões levantadas refere-se ao acesso e à reforma do prédio do DCE. A reitoria esclareceu que o local foi fechado pela gestão anterior devido a problemas de infraestrutura. A prioridade atual recai sobre a reforma da Casa da Estudante Universitária (CEUC), que abriga cerca de 80 estudantes e necessitava de intervenção emergencial. A reforma da CEUC está em andamento e, posteriormente, será estendida a todo o complexo do DCE. Medidas para a preservação de documentos históricos também foram asseguradas.
No que tange à autonomia dos espaços de representação estudantil, a UFPR reafirmou seu compromisso em manter esses locais para os centros e diretórios acadêmicos, negando qualquer intenção de retirá-los. Um planejamento coletivo para o uso dos espaços universitários será realizado, com consulta aberta à comunidade na Plataforma Participa UFPR.
A destinação de verbas para a melhoria e criação de espaços físicos para os Centros Acadêmicos (CAs) foi abordada pela via do orçamento participativo e pela revisão dos planos diretores dos campi. Servidores e discentes poderão participar ativamente na definição de diretrizes e prioridades orçamentárias.
Quanto à manutenção e reforma de espaços existentes, incluindo projetos como a construção de um espaço unificado do SACOD e a retomada do Restaurante Universitário (RU) no Setor Rebouças, a administração universitária apontou restrições orçamentárias severas. Projetos de reforma e obras são definidos por priorização das diretorias de setor. O projeto original do SACOD de 2012 possui alto custo, sendo estudadas alternativas mais economicamente viáveis. Para o RU do Rebouças, informou-se que estudantes daquele campus utilizam o RU da UTFPR.
Segurança e Combate à Violência de Gênero
A UFPR também respondeu às demandas sobre investigação e punição de casos de violência e ameaças. Houve acolhimento às estudantes vítimas de ameaças de violência por um grupo criminoso, com a denúncia sob investigação preliminar na Corregedoria da UFPR. A responsabilidade penal é atribuída à Polícia Civil.
Em relação a denúncias de violência de gênero contra professores e alunos, a reitoria assegurou que não há processos paralisados na Ouvidoria. Será anunciado em breve o Observatório de Violência de Gênero na UFPR, que contará com um portal de transparência para o acompanhamento das denúncias.
Melhorias na iluminação dos campi Politécnico, Botânico e SEPT, bem como a realocação de pontos de transporte intercampi, estão em andamento ou sob estudo. Solicitações foram feitas à Prefeitura de Curitiba para a iluminação externa no Botânico e para a adequação de pontos de ônibus.
A universidade destacou os três projetos de acolhimento em funcionamento: o Programa Acolhe (Proafe), a Rede de Acolhimento Estudantil e a Ouvidoria da Mulher. Estes programas visam dar suporte a estudantes e servidores que enfrentam situações de violência, assédio ou discriminação. Além disso, ações de letramento de raça e gênero já são realizadas, e cursos obrigatórios sobre o tema foram estabelecidos como parte do estágio probatório de servidores.
A não criminalização de estudantes envolvidos na ocupação do prédio do DCE foi reafirmada, reconhecendo a legitimidade do movimento estudantil, mas reiterando os riscos estruturais do prédio.
Prioridades em Moradia Estudantil e Diálogo Futuro
A moradia estudantil figura como uma das prioridades da gestão da reitoria. Estão em negociação a cessão de um prédio federal em Curitiba para a criação de novas moradias estudantis. Paralelamente, estuda-se alternativas para a moradia estudantil no Litoral, buscando opções economicamente viáveis para a universidade.
A UFPR propôs a criação de uma comissão de negociação com o Movimento Estudantil para aprofundar as discussões sobre as demandas apresentadas. A iniciativa visa estabelecer um canal contínuo de diálogo e colaboração para a resolução de questões importantes para a comunidade acadêmica, promovendo um ambiente universitário mais inclusivo e seguro.






