Rebimar e UFPR abrem nova turma de curso gratuito para formação de professores em cultura oceânica

🕓 Última atualização em: 31/08/2026 às 18:56

A intersecção entre a rica biodiversidade da Mata Atlântica e os vastos oceanos tem sido o foco de uma iniciativa educacional inovadora. Um curso de formação online gratuito, desenvolvido em parceria entre o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), está capacitando educadores a integrar estes temas cruciais nas salas de aula. A formação oferece não apenas conhecimento teórico, mas também ferramentas pedagógicas práticas, visando estimular uma compreensão mais profunda e uma conexão mais forte com o meio ambiente.

A iniciativa visa equipar professores, especialmente da rede pública, e educadores ambientais com metodologias que tornem a educação ambiental mais acessível e relevante para estudantes de todas as idades, desde a alfabetização até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A carga horária totaliza 30 horas, culminando em uma certificação emitida pela UFPR, validando o aprendizado adquirido.

Alinhado aos objetivos globais da Década do Oceano (2021-2030), promovida pela ONU, o curso explora a importância da conservação e do uso sustentável dos recursos marinhos. A promoção da cultura oceânica é um pilar central, incentivando a ligação entre o aprendizado em sala de aula, a valorização do território e a proteção dos ecossistemas marinhos, seguindo os princípios de iniciativas como as Escolas Azuis.

## Da sala de aula para o território: Conectando conhecimento e ação

A modalidade de ensino é assíncrona, permitindo que os participantes estudem no seu próprio ritmo e horário, o que facilita o acesso para profissionais de diversas regiões. A plataforma digital, mantida pelo Laboratório Móvel de Educação Científica (LabMóvel) da UFPR, abriga o conteúdo. Esta iniciativa de educação ambiental é patrocinada pelo Programa Petrobras Socioambiental e conta com o apoio de secretarias estaduais e municipais de educação.

O currículo abrange uma vasta gama de tópicos, incluindo a diversidade da fauna marinha, espécies em risco de extinção, a relação entre pesca e ocupação humana costeira, o patrimônio cultural associado aos sambaquis, a importância dos costões rochosos, o impacto do lixo nos oceanos, as complexidades das mudanças climáticas e o conceito de Uma Só Saúde (One Health), que ressalta a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental.

O diferencial da formação reside na sua abordagem prática, incentivando a tradução de conhecimentos teóricos em experiências pedagógicas concretas, aplicáveis ao cotidiano dos alunos. Materiais como cartilhas, guias de atividades, apostilas e até mesmo livros infantis são disponibilizados para uso direto em sala de aula, enriquecendo o processo de ensino-aprendizagem.

Ferramentas diversas, que vão desde a poesia e gráficos até reportagens, maquetes e obras de arte, são sugeridas como recursos para explorar a cultura oceânica em diferentes disciplinas. A ideia é quebrar barreiras e fomentar um senso de pertencimento e responsabilidade ambiental, como destaca o professor Marcos Gernet, da UFPR. “Quando não há percepção de onde se vive, não se pensa no macro”, afirma, sublinhando a necessidade de conectar os alunos com a realidade do seu entorno.

A coordenadora-geral do Rebimar, Lilyane Fontoura, ressalta o alcance ampliado proporcionado pelo formato online, permitindo a criação de uma rede nacional de educadores. Todos os materiais são disponibilizados gratuitamente, incentivando a disseminação do conhecimento.

### Impacto na prática pedagógica e alcance da formação

Os resultados da primeira turma do ano já demonstram a eficácia da formação. Cerca de 160 professores e educadores ambientais concluíram o curso, com participantes de diversos estados onde a Mata Atlântica é um bioma presente. A continuidade deste ciclo formativo é vista como essencial para a atualização das práticas pedagógicas e o aprofundamento do conhecimento sobre os ecossistemas locais.

Emerson Joucoski, coordenador de Educação Ambiental do Rebimar, enfatiza que o material oferecido foge dos padrões convencionais, apresentando a riqueza da biodiversidade e incentivando a descoberta de novas abordagens pedagógicas ligadas à cultura oceânica. A certificação obtida também pode ser utilizada para progressão de carreira, conforme as normas de cada rede de ensino.

A experiência de professoras como Daniela Fernandes, em São José dos Pinhais, ilustra como os conteúdos podem ser adaptados a diferentes faixas etárias. Ao despertar o interesse dos alunos por animais marinhos, ela integrou temas de linguagens e matemática, promovendo a reflexão sobre a importância da biodiversidade e da conservação.

Em Paranaguá, Fabiana Rodrigues utilizou o curso para abordar a realidade de comunidades caiçaras, conscientizando seus alunos adultos sobre a questão do lixo no mangue e a sua relação com a pesca e a cidadania. A professora de Artes, Valéria Acioli, em Colombo e Curitiba, também se beneficiou da formação, defendendo a sua expansão para outros professores da rede estadual. Ela destaca a aquisição de novos temas, um vocabulário marítimo expandido e o conhecimento de datas importantes, que enriqueceram suas aulas.

As inscrições para a próxima turma, com início em 1º de outubro e término em 28 de fevereiro, já estão abertas. A natureza assíncrona do curso oferece flexibilidade, com módulos liberados conforme o cronograma, permitindo que os participantes conciliem os estudos com suas rotinas profissionais. As inscrições podem ser realizadas através do link disponibilizado na página oficial do curso. Esta iniciativa representa um passo importante na disseminação do conhecimento sobre a Mata Atlântica e os oceanos, fortalecendo a educação ambiental em todo o país.

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