Lageamb institui política de governança de dados para transformar informação em ativo científico e social

🕓 Última atualização em: 31/08/2026 às 19:34

Um marco significativo na gestão de dados ambientais e geoespaciais foi estabelecido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). O Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) oficializou sua Política de Governança de Dados, com o objetivo de transformar informações brutas em ativos estratégicos, assegurando transparência, auditabilidade e a máxima segurança da informação. Esta iniciativa visa posicionar o Lageamb como um centro de referência nacional na área, integrando produção acadêmica com aplicações práticas para a sociedade.

A nova política abrange todos os dados, sejam eles físicos ou digitais, sob custódia do Lageamb. Isso inclui tanto pesquisas internas quanto projetos em colaboração com entidades externas. Integrada ao Manual de Boas Práticas do laboratório, a normativa é de cumprimento obrigatório para todos os pesquisadores e bolsistas. Ela prevê revisões a cada dois anos, garantindo que as diretrizes permaneçam atualizadas e eficazes.

O documento estabelece um tratamento organizado para o ciclo de vida da informação. Desde o planejamento da coleta de dados em campo até o seu arquivamento seguro ou descarte regulamentado, a política adota princípios de padronização nacional e internacional. Essa abordagem é fundamental para viabilizar a inteligência analítica de dados de alta qualidade.

Patrícia Ramos, mestranda em Geografia na UFPR e pesquisadora do Lageamb, destacou a visão estratégica por trás da política. “Há um entendimento claro no Lageamb de que os dados possuem um valor imenso, tanto para a universidade quanto para a produção científica e a formulação de políticas públicas“, explicou. A política, segundo ela, eleva o laboratório a um patamar de excelência operacional e o consolida como referência em governança de dados, especialmente no nicho geoespacial.

Um dos pilares centrais desta iniciativa é a garantia da padronização e rastreabilidade das informações geradas. As diretrizes foram concebidas para criar um ambiente seguro, servindo de modelo para outros centros de pesquisa. O rigor na proteção dos ativos informacionais e na mitigação de riscos jurídicos permite que a linhagem completa dos dados seja mantida.

Isso não apenas facilita a replicabilidade da política em outras instituições, mas também assegura que um dado possa ser compreendido por qualquer pesquisador, independentemente de quem o gerou inicialmente. Essa estrutura, mesmo em uma equipe multidisciplinar, agiliza a integração de novos membros, como ressaltou a geógrafa.

A Estrutura de Responsabilidades na Governança de Dados

Para assegurar a aplicação prática das diretrizes, a Política de Governança de Dados do Lageamb adota um modelo de responsabilidades descentralizadas. Quatro instâncias foram definidas para gerenciar o ecossistema de dados do laboratório, promovendo clareza e eficiência em todas as etapas.

O Conselho de Membros detém a autoridade máxima, sendo responsável pela alocação de recursos, aprovação de normas e resolução de conflitos. O GT de Dados funciona como o núcleo operacional da governança, elaborando manuais técnicos, gerenciando a Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE) e conduzindo auditorias.

Os Coordenadores de Dados e Projetos asseguram os recursos necessários para as equipes e fiscalizam o cumprimento dos acordos com financiadores. Por fim, os Curadores de Dados atuam como guardiões da qualidade em cada projeto, tendo o poder de aprovar ou rejeitar bases de dados antes de sua integração oficial ou compartilhamento.

Essa estrutura promove uma cultura onde cada colaborador é um “custodiante” da informação, responsável por sua integridade e rastreabilidade, embora os ativos pertençam à universidade. Essa mentalidade é crucial para a manutenção da qualidade e confiabilidade dos dados ao longo do tempo.

Valmir Antunes Pereira, gestor de Tecnologia de Informação e Dados do Lageamb, enfatizou a replicabilidade da política. Ele observou que, embora possa ser adaptada por instituições parceiras para refletir suas culturas locais, o sucesso de um programa de governança depende dessa adequação. Pereira também apontou desafios significativos, como a diversidade de tipos e formatos de dados (geográficos, de biodiversidade, socioeconômicos, pessoais, entre outros), a pluralidade de formações profissionais e a necessidade de investimentos em novas tecnologias e na capacitação em letramento de dados.

O Papel Transformador dos Dados Abertos

A política do Lageamb não se limita à gestão interna; ela também fortalece o compromisso com a disponibilização de dados abertos, alinhando-se às diretrizes do Governo Federal. A IDE tem sido fundamental para conceder acesso público a mapeamentos e dados geoespaciais do Litoral do Paraná, sendo uma ferramenta valiosa para instituições de conservação ambiental.

A normatização formaliza a promoção da transparência, incentivando que dados de interesse público sejam disponibilizados em formatos abertos, estruturados e acessíveis. O princípio orientador é manter as informações “tão abertas quanto possível, tão fechadas quanto necessário”, garantindo a proteção de dados sensíveis enquanto maximiza o retorno social e científico das pesquisas.

Eduardo Vedor de Paula, coordenador do Lageamb, destacou que a implementação da política transcendeu a capacitação, focando na construção de uma rede colaborativa. A absorção de dados de outras instituições e o compartilhamento de metodologias com parceiros são passos importantes. O objetivo é que outras instituições possam utilizar a política do Lageamb como base para suas próprias estratégias de integração e governança de dados.

Ao reconhecer a utilidade de uma base de dados além de seu propósito original, a governança e a padronização do ciclo de vida das informações tornam-se essenciais para a continuidade da pesquisa. Este enfoque garante que o conhecimento gerado hoje continue a agregar valor à ciência e à sociedade nas décadas futuras.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *