Projeto que irritou motoristas de app é adiado pelo Congresso

🕓 Última atualização em: 15/04/2026 às 03:38

Motoristas de aplicativos em Curitiba se manifestaram nesta terça-feira contra o Projeto de Lei 152/2025, que busca regulamentar o setor de transporte remunerado privado individual de passageiros e serviços de entrega. A categoria expressou forte desacordo com diversos aspectos da proposta, que segundo os trabalhadores, tendem a precarizar suas condições de trabalho. A votação do projeto, originalmente agendada, foi adiada após solicitação da liderança governamental.

A insatisfação da classe trabalhadora centra-se em pontos cruciais do texto. Um dos aspectos mais criticados é a não caracterização de vínculo empregatício nos moldes da CLT. O projeto classifica os motoristas como trabalhadores autônomos, o que, na visão da categoria, retira direitos fundamentais.

Outro ponto de tensão é a proposta de um piso mínimo de R$ 8,50 por corrida. Embora pareça um avanço, a forma de cálculo, que considera tempo de serviço e outros fatores, gera preocupações quanto à sua aplicação prática e rentabilidade real para os profissionais.

A proposta de contribuição previdenciária diferenciada também gerou alarme. A sugestão de uma alíquota reduzida de 5% para motoristas e 20% para as plataformas, se comparada a modelos existentes, pode impactar a sustentabilidade futura da aposentadoria desses trabalhadores.

Além disso, o projeto define as empresas de aplicativo como meras intermediadoras de tecnologia, afastando-as da responsabilidade inerente a empresas de transporte. A transferência de disputas trabalhistas da Justiça do Trabalho para a Justiça comum é vista como um obstáculo para a resolução de conflitos.

Análise sobre o Impacto da Regulamentação

A discussão em torno do PL 152/2025 reflete um debate global sobre a natureza do trabalho mediado por plataformas digitais. A classificação dos motoristas como autônomos é uma estratégia recorrente para evitar os custos e as responsabilidades associadas à contratação formal, como férias, 13º salário e recolhimentos previdenciários sobre salários integrais.

A ausência de um vínculo claro com as plataformas levanta questões sobre a responsabilidade social e trabalhista das empresas. Para a categoria, a proposta atual representaria um retrocesso significativo em termos de direitos e seguridade, empurrando os trabalhadores para um cenário de maior instabilidade.

A definição de um piso mínimo, embora necessária, deve ser acompanhada de uma estrutura de remuneração que cubra integralmente os custos operacionais dos motoristas, incluindo manutenção de veículos, combustível e tempo ocioso, que muitas vezes não é contabilizado.

Perspectivas Futuras e o Papel do Legislativo

A retirada do projeto de pauta, mesmo que temporária, abre um espaço valioso para o diálogo entre as partes envolvidas. É fundamental que o legislativo promova debates mais amplos, ouvindo atentamente as demandas dos motoristas e buscando um equilíbrio que garanta a sustentabilidade do serviço sem comprometer os direitos básicos dos trabalhadores.

A experiência internacional sugere que a regulamentação de aplicativos de transporte deve ser robusta o suficiente para assegurar condições dignas de trabalho, ao mesmo tempo em que permite a inovação e a oferta de serviços eficientes. A busca por modelos híbridos, que reconheçam a autonomia, mas também estabeleçam proteções mínimas, pode ser um caminho a ser explorado.

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