A aproximação do Dia das Mães impulsiona o varejo em todo o Paraná, com projeções indicando um ligeiro aumento no número de consumidores que planejam adquirir presentes em comparação ao ano anterior. Este cenário econômico, segundo levantamento da Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR, também sinaliza uma elevação no valor médio destinado às compras, refletindo uma dinâmica de consumo que combina celebração com cautela financeira.
A pesquisa aponta que a maioria dos paranaenses, cerca de 68,2%, manifesta a intenção de presentear. Este percentual representa um crescimento modesto em relação aos 66,6% registrados no ano passado, sugerindo a persistente importância da data para o comércio local. Paralelamente, o tíquete médio esperado para os presentes deve atingir R$ 162,48, um avanço de 5,5% sobre os R$ 154,07 de 2025.
Um dado relevante é a variação no gasto médio entre os gêneros. Enquanto o público masculino demonstra um aumento significativo, passando de R$ 167,16 para R$ 177,81, as mulheres devem gastar, em média, R$ 145,24, uma elevação discreta a partir dos R$ 140,32 anteriores. Essa distinção reforça a influência do público masculino nas projeções de consumo.
A análise revela que os homens exibem uma propensão de compra ligeiramente maior, atingindo 71,3%, enquanto entre as mulheres, o índice é de 65,0%. Essa diferença, embora pequena, contribui para a expectativa de um desempenho positivo nas vendas durante o período que antecede a data.
Rodrigo Schmidt, coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, destaca que, apesar da relevância do Dia das Mães para o comércio paranaense, a pesquisa também expõe os desafios econômicos enfrentados por uma parcela da população. A pesquisa aponta para uma perda de poder de compra em alguns segmentos.
Análise do Comportamento do Consumidor
A predominância do pagamento à vista, com destaque para o Pix (26,2%), seguido pelo cartão de débito (17,1%) e dinheiro (10,6%), corrobora a estratégia de consumidores em evitar o endividamento. Essa preferência por transações imediatas, que somam mais de 50% dos pagamentos, indica uma postura consciente de controle financeiro em um cenário de incertezas econômicas.
Por outro lado, o cartão de crédito, seja no vencimento (25,9%) ou parcelado (19%), ainda representa uma fatia significativa das transações, evidenciando que o parcelamento continua sendo uma opção para viabilizar compras de maior valor, embora com um percentual menor do que as modalidades à vista.
A pesquisa também detalha os motivos que levam alguns consumidores a não presentear. A ausência ou falecimento da mãe é o principal fator citado (46%), o que é esperado. No entanto, o aumento expressivo das dificuldades financeiras como justificativa (19,7% contra 12,4% no ano anterior) é um indicativo preocupante sobre a deterioração das condições econômicas de parte da população paranaense.
Isso sugere que, para muitos, a decisão de não presentear está diretamente ligada à restrição orçamentária, um reflexo da conjuntura econômica atual, que afeta o poder aquisitivo e a capacidade de consumo. A pesquisa também mostra que 77,3% dos consumidores realizam pesquisa de preços antes de comprar, com a internet sendo o principal canal de consulta (76%).
Tendências de Presentes e Prazos de Compra
No que diz respeito às escolhas de presentes, itens de uso pessoal dominam as preferências. Roupas, bolsas e calçados lideram com 37,3%, seguidos por perfumes e cosméticos com 20,7%. Esses dois segmentos juntos representam mais da metade das intenções de compra, indicando uma tendência de presentes mais práticos e de uso cotidiano.
Outras categorias como joias e acessórios (8,6%), flores (7,6%) e até mesmo dinheiro (7,4%) aparecem com participações menores, mas ainda relevantes. A escolha por eletrodomésticos, eletrônicos, serviços e viagens é significativamente reduzida, o que pode ser atribuído ao maior valor agregado desses itens e à necessidade de um compromisso financeiro mais substancial, algo que muitos consumidores preferem evitar em tempos de cautela.
Quanto ao período de aquisição, a maioria dos consumidores demonstra planejamento. Aproximadamente 60,8% planejam suas compras até uma semana antes da data, e outros 24,0% se antecipam entre 8 e 15 dias. Essa concentração de compras até duas semanas antes do Dia das Mães (84,8%) sugere uma busca por evitar o estresse das últimas horas e garantir a disponibilidade dos produtos desejados.
As compras de última hora, realizadas no próprio dia, representam uma parcela menor (6,5%), enquanto aqueles que antecipam suas compras com mais de duas semanas de antecedência somam cerca de 8,7%. Essa organização demonstra uma preocupação em encontrar os melhores produtos e, possivelmente, aproveitar promoções antecipadas.






