Uma ampla operação policial deflagrada na sexta-feira (24) desarticulou uma organização criminosa com fortes laços no bairro Parolin, em Curitiba. A ação resultou no cumprimento de 41 mandados judiciais, incluindo prisões, buscas e apreensões, além de bloqueio de bens. A investigação, que se iniciou em junho de 2025, aponta para envolvimento do grupo em homicídios, tráfico de drogas e lavagem de capitais, com desdobramentos em estados como Santa Catarina e Alagoas.
Duas mortes foram registradas durante o confronto entre as forças policiais e suspeitos na comunidade do Parolin. A ofensiva contou com cerca de 150 policiais, helicópteros e cães farejadores, demonstrando a complexidade e a necessidade de recursos para o combate a grupos estruturados.
O grupo criminoso consolidou seu domínio territorial após um violento conflito interno, que resultou na eliminação de uma facção rival. Residências na região foram transformadas em verdadeiros depósitos de armas e drogas, além de servirem como refúgios para os envolvidos.
A liderança da organização, conforme apurado pelas investigações, atuava à distância. Um indivíduo e seu braço direito, alegando ameaças de morte, conseguiram transferir o cumprimento de suas penas para Maceió, em Alagoas. Essa manobra geográfica, segundo as autoridades, serviu para que pudessem coordenar as operações de narcotráfico remotamente, mantendo a liberdade e delegando o gerenciamento tático diário no Parolin a outro membro.
Impacto financeiro e lavagem de dinheiro
A investigação revelou um intrincado esquema de lavagem de dinheiro, fundamental para a manutenção do poder e do estilo de vida luxuoso dos líderes. Os lucros advindos do narcotráfico eram desviados para o Nordeste, sustentando um padrão de vida incompatível com qualquer fonte de renda lícita conhecida.
Para ocultar os milhões de reais arrecadados, a organização utilizava familiares, esposas e empresas de fachada. O dinheiro ilícito era introduzido no sistema financeiro por meio de depósitos fracionados em caixas eletrônicos e lotéricas. Posteriormente, os valores passavam por contas de passagem, que recebiam vultosos aportes e eram esvaziadas rapidamente, dificultando o rastreamento e a comprovação da origem criminosa.
A capacidade operacional da organização já havia sido demonstrada em ações policiais anteriores. Em uma operação no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, a polícia apreendeu R$ 493.879 em espécie, além de máquinas de contagem e drogas, em uma chamada “casa cofre”.
Além do tráfico de entorpecentes, o grupo é suspeito de ter participação em homicídios recentes na capital paranaense e cidades vizinhas. Um caso emblemático é a execução do líder de uma facção rival e seu filho em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana, em março de 2026, cujas investigações apontam para membros do grupo desarticulado.
Integração e Estratégia de Combate
O sucesso desta operação reside, em grande parte, na integração entre as diferentes forças de segurança. A cooperação entre a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e a Polícia Militar do Paraná (PMPR), com troca de informações e planejamento conjunto, foi apontada como crucial para a eficácia das diligências e a expectativa de redução dos índices de criminalidade no estado.
A atuação integrada e o planejamento detalhado permitem não apenas a repressão imediata nas ruas, mas também o estrangulamento financeiro do crime organizado. Ao focar no sequestro de bens e na descapitalização dos grupos criminosos, as autoridades buscam minar suas bases operacionais e preventivas, impactando a capacidade de atuação a longo prazo.






