Paranaense cruza 20 países em moto e supera 100 mil km em aventura épica

🕓 Última atualização em: 03/08/2026 às 19:54

Uma jornada que começou como uma breve escapada de férias evoluiu para uma expedição transcontinental de proporções épicas. Roger Sabins, um designer gráfico de 27 anos originário de Peabiru, no Paraná, embarcou em 2021 com o objetivo inicial de passar um mês na praia. Cinco anos depois, sua aventura o levou a cruzar 20 países, percorrer mais de 100 mil quilômetros em sua motocicleta e alcançar o Alasca, acumulando uma série de experiências marcantes e, inesperadamente, encontrando um amor em meio à estrada.

A ideia inicial era simples: uma viagem de carro do Paraná até o litoral paulista. No entanto, a rotina de trabalho sedentário e a sede por novas vivências rapidamente transformaram o plano em algo muito maior. A primeira incursão de longa distância, que o levou a Ubatuba, serviu como catalisador para um desejo crescente de explorar.

Explorando o Brasil de norte a sul, Roger sentiu que a jornada estava longe de terminar. A vastidão do território nacional, as paisagens variadas e o contato com diferentes culturas abriram um novo horizonte de possibilidades.

A decisão de seguir adiante não foi imediata, mas a oportunidade de expandir a expedição se apresentou de forma convincente. A rota planejada começou a se estender para além das fronteiras brasileiras, impulsionada por uma curiosidade insaciável.

Desafios logísticos e a força da conexão humana

A navegação por rotas remotas e a logística de transporte da motocicleta apresentaram obstáculos significativos. Em uma das etapas mais críticas, o casal precisou contornar a temida Selva de Darién, um trecho conhecido por seus perigos e pela falta de infraestrutura rodoviária entre Colômbia e Panamá.

A travessia envolveu uma complexa operação logística, culminando em uma viagem de 24 dias em um cargueiro de madeira. A precariedade das condições a bordo, sem equipamentos de segurança adequados e com acomodações improvisadas, testou os limites físicos e mentais dos viajantes.

A experiência na Selva de Darién destacou a importância da resiliência e da adaptação. O casal teve que confiar em terceiros e lidar com a incerteza, pois o tempo de travessia estava sujeito às decisões do capitão da embarcação.

Além dos perigos naturais e logísticos, a expedição também foi marcada por momentos de vulnerabilidade. Um episódio de desidratação severa em Barbielly, no México, evidenciou a necessidade de atenção constante à saúde e ao bem-estar, especialmente em condições climáticas extremas.

A jornada também revelou a generosidade e hospitalidade de desconhecidos. Muitas noites foram passadas em barracas ou abrigados por moradores locais que ofereceram suporte voluntário, demonstrando a força da conexão humana em ambientes remotos.

Esses percalços, no entanto, não abalaram a determinação do casal em prosseguir. A motivação transcende a simples aventura, consolidando-se como um profundo aprendizado sobre a vida e sobre si mesmos.

A redefinição de prioridades e o valor da experiência

A longa permanência na estrada forçou uma profunda reflexão sobre as prioridades de vida. O ritmo acelerado da vida moderna deu lugar a uma apreciação das pequenas coisas e a um entendimento mais profundo do mundo.

Para Barbielly, a experiência é comparável a uma aceleração do aprendizado. A imersão em diferentes culturas, o desenvolvimento de habilidades linguísticas e a capacidade de lidar com imprevistos superaram o conhecimento adquirido em ambientes acadêmicos tradicionais.

Roger compartilha dessa perspectiva, descrevendo a viagem como uma “faculdade da vida”. A constante necessidade de solucionar problemas, a paciência desenvolvida e o crescimento pessoal a cada obstáculo superado solidificaram a viagem como a decisão mais transformadora de sua trajetória.

Apesar das dificuldades e dos desafios inerentes a uma expedição de tal magnitude, o casal não cogita em desistir. O objetivo agora é expandir a aventura para a Europa, transportando a motocicleta para o continente, o que demandará recursos adicionais.

Enquanto buscam formas de viabilizar a próxima etapa, que inclui uma campanha de arrecadação de fundos, o casal reitera o valor inestimável das experiências vivenciadas. A jornada se tornou um testemunho da capacidade humana de adaptação, da importância das conexões interpessoais e da profunda transformação que a exploração e o autoconhecimento podem proporcionar.

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