Paraná sente El Niño e entra em fase de chuvas intensas veja previsão de meses críticos

🕓 Última atualização em: 10/09/2026 às 19:21

O Paraná enfrenta um cenário de chuvas acima da média e temperaturas elevadas, configurando um alerta significativo para a ocorrência de eventos climáticos extremos nos próximos meses. As projeções indicam que o fenômeno El Niño, já ativo no estado, tende a se intensificar, elevando o risco de temporais severos, inundações e outros desastres naturais. As regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste do estado devem ser as mais afetadas por essas mudanças.

Desde abril deste ano, observam-se desvios significativos na temperatura, que chegou a superar em 1,8°C a média histórica em áreas de referência para o monitoramento do fenômeno. A expectativa é que o El Niño se consolide como um evento de magnitude “muito forte” entre a primavera e o verão, com uma probabilidade superior a 90%.

Para o período de outubro a dezembro, a chance de o El Niño se tornar o mais forte já registrado desde 1950 ultrapassa 75%. O ápice do fenômeno é previsto para ocorrer entre novembro e janeiro, quando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial pode atingir 2,9°C acima da média, de acordo com dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos).

Essa intensificação do El Niño impacta diretamente o regime de chuvas no Paraná. As previsões apontam para concentração de precipitação em curtos períodos, aumentando consideravelmente o risco de inundações repentinas, deslizamentos de terra, e outros eventos de grande impacto.

A persistência das chuvas anômalas

Os efeitos do El Niño já são percebidos no Paraná desde o início do inverno, atuando em conjunto com outros sistemas meteorológicos, como frentes frias e cavados. Em agosto, a grande maioria das 47 estações meteorológicas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) com mais de cinco anos de operação registraram chuvas acima da média.

Casos históricos foram observados, como em Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e no Distrito de Horizonte, em Palmas, onde o volume de chuva em agosto atingiu os maiores índices desde a instalação das respectivas estações. Essa tendência de precipitação elevada se repetiu em julho, com 41 das 45 estações registrando volumes superiores à média histórica.

Em Palmas, por exemplo, os 311 mm de chuva em julho representaram o maior volume para o mês em 28 anos. Relatos similares de recordes para o mês foram verificados em Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã, evidenciando a força do fenômeno.

O mês de junho também seguiu o padrão de chuvas acima do normal. Apenas uma estação, em Guaraqueçaba, registrou um ligeiro déficit pluviométrico, demonstrando a força e a abrangência das precipitações anômalas no estado.

O fenômeno El Niño e suas implicações globais

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um complexo fenômeno climático de escala global, que se manifesta na região equatorial do Oceano Pacífico. Ele é caracterizado por variações anormais na temperatura da superfície do mar e por alterações na circulação atmosférica, com capacidade de influenciar padrões climáticos em vastas áreas do planeta.

A componente oceânica, o El Niño, refere-se ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico. Já a Oscilação Sul (SO) é a manifestação atmosférica, ligada às oscilações na pressão atmosférica entre o oeste e o leste do Pacífico tropical. A interação entre essas duas componentes determina a intensidade e os impactos do fenômeno.

Apesar de as projeções indicarem padrões associados ao El Niño, o Simepar enfatiza a necessidade de acompanhamento contínuo das previsões, pois a ocorrência exata e a intensidade dos eventos de chuva dependem da atuação de outros sistemas meteorológicos regionais. O planejamento e a preparação para desastres são cruciais diante da probabilidade de eventos climáticos extremos.

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