O Paraná se destaca como o estado brasileiro que mais acumulou prejuízos financeiros em decorrência de desastres naturais nos últimos 13 anos, totalizando R$ 131,32 bilhões. Um estudo recente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que o cenário atual é um reflexo da emergência climática, com fenômenos como secas, estiagens e chuvas intensas potencializando os impactos em todo o país. O montante acumulado pelo Paraná equivale a 16,7% do total de R$ 785,4 bilhões registrado em todo o Brasil no período analisado (2013-2025).
A magnitude desse prejuízo paranaense é ainda mais evidente quando comparada aos demais estados. Rio Grande do Sul e Minas Gerais, respectivamente, aparecem em segundo e terceiro lugar no ranking de perdas, com R$ 119,64 bilhões e R$ 94,3 bilhões. A disparidade demonstra a vulnerabilidade particular enfrentada pela unidade federativa.
Eventos como o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu em novembro do ano passado, causando seis mortes e destruindo 90% das estruturas urbanas, ilustram a severidade dessas ocorrências. A força do fenômeno, com ventos estimados em 250 km/h, deixou um rastro de devastação sem precedentes recentes no estado.
Além de eventos extremos de curta duração, o Paraná também enfrentou uma severa crise hídrica entre 2020 e 2021. Este período de escassez de água, que impactou a agricultura e o abastecimento público, coincidiu com a crise sanitária global da pandemia de Covid-19, agravando os desafios socioeconômicos.
A Região Sul e sua Vulnerabilidade Climática
A região Sul do Brasil figura como a mais atingida por desastres relacionados a chuvas intensas. Entre 2013 e 2025, os três estados – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – registraram 9.496 decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública, representando 41,5% do total nacional. Esse dado reforça a necessidade de estratégias de adaptação e mitigação específicas para o bioma e o clima da região.
Santa Catarina lidera o ranking estadual com 4.885 notificações, seguido de perto pelo Rio Grande do Sul, com 3.628. O Paraná ocupa a sexta posição, com 983 registros de eventos como inundações, alagamentos e tempestades. A concentração de desastres na região Sul sublinha a importância de políticas públicas integradas e de cooperação entre os estados.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ressalta a gravidade da situação, especialmente após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Ele alerta que, com orçamento e capacitação insuficientes, os municípios enfrentam dificuldades para se recuperar e para investir em prevenção de novos desastres.
O estudo da CNM também detalha que, além do excesso de chuvas, a estiagem é outro fenômeno que afeta o Paraná. Foram registrados 207 decretos de emergência devido à seca ou má distribuição de chuvas. Embora o Paraná ocupe a 15ª posição nesse aspecto, com estados como Paraíba, Bahia e Minas Gerais liderando, a recorrência desses eventos contribui para o quadro geral de perdas.
Em um balanço geral, os desastres registrados no Paraná impactaram mais de 4 milhões de pessoas, resultando em 46 óbitos, 20.630 desabrigados e 129.014 desalojados. A distinction entre desabrigados (que necessitam de abrigo público) e desalojados (que buscam alternativas próprias) é crucial para a compreensão da complexidade da resposta a emergências e do apoio às populações vulneráveis.
O Impacto na Infraestrutura e na Vida das Pessoas
A recorrência e a intensidade dos desastres naturais no Paraná impõem desafios significativos à infraestrutura pública e privada. Danos em moradias, vias de acesso, redes de energia e saneamento básico geram custos altíssimos de reconstrução e afetam diretamente a qualidade de vida das comunidades.
Além dos prejuízos econômicos diretos, os desastres causam um profundo impacto social e psicológico nas populações afetadas. A perda de bens, a necessidade de realocação e a incerteza quanto ao futuro geram traumas e inseguranças, demandando não apenas ações de reconstrução física, mas também suporte psicossocial.
A necessidade de políticas públicas mais robustas, que combinem prevenção, resposta e recuperação de desastres, torna-se cada vez mais urgente. Investimentos em sistemas de alerta precoce, planejamento urbano resiliente e mecanismos de financiamento para lidar com as consequências de eventos climáticos extremos são essenciais para a proteção dos cidadãos e do desenvolvimento sustentável do estado.






