O Paraná registrou dois casos confirmados de hantavirose no estado neste ano, com mais 11 investigações em andamento e 21 descartados. As confirmações ocorreram em Pérola d’Oeste e Ponta Grossa, regiões distintas do estado. Apesar de notícias sobre a doença circularem em outros contextos internacionais, as autoridades de saúde paranaenses asseguram que a situação no estado está sob rigoroso controle e com baixa incidência.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) monitora de perto a evolução da doença através da Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações. A capacidade de identificação e tratamento rápido dos profissionais de saúde é constantemente reforçada para garantir a segurança da população diante de qualquer suspeita.
Em comparação com o ano anterior, a incidência se mantém baixa. Em 2025, por exemplo, apenas um caso foi confirmado, no município de Cruz Machado. Esses dados reforçam a gestão de vigilância ativa implementada pelas autoridades.
A hantavirose é uma zoonose preocupante, transmitida primariamente pela exposição a aerossóis contendo o vírus, originados de excrementos de roedores silvestres infectados, como urina e fezes. O contágio também pode ocorrer por meio do contato direto com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais.
Uma vez estabelecida no organismo, a infecção pode progredir para quadros clínicos graves. A forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta o sistema respiratório e circulatório. Em casos mais severos, pode levar à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), manifestada por edema pulmonar e consequente insuficiência respiratória e choque circulatório.
Atenção aos Sintomas e Necessidade de Atendimento Urgente
Os primeiros sinais da hantavirose são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças. Incluem febre alta, dores intensas nas articulações, cefaleia e sintomas gastrointestinais como náuseas e vômitos. Estes sintomas marcam a fase inicial da infecção viral.
A evolução para a fase cardiopulmonar exige atenção redobrada. Dificuldade progressiva para respirar, tosse seca persistente e a queda abrupta da pressão arterial são indicativos de gravidade. Nestes casos, o desenvolvimento de edema pulmonar pode levar rapidamente a um quadro de insuficiência respiratória aguda.
É crucial enfatizar que não existe um tratamento específico para a infecção por hantavírus. As intervenções médicas concentram-se em medidas de suporte intensivo para controlar os sintomas e auxiliar o organismo a combater a infecção. A rapidez na busca por atendimento médico é, portanto, um fator determinante para o prognóstico do paciente.
Medidas Preventivas e Vigilância Contínua
A prevenção da hantavirose reside, primordialmente, na adoção de práticas que evitem o contato com roedores silvestres e seus dejetos. A manutenção de ambientes limpos e organizados ao redor das residências, com a roçada regular de terrenos e o descarte adequado de entulhos, é fundamental.
O armazenamento de alimentos em recipientes hermeticamente fechados e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas e calçados fechados, ao realizar atividades em áreas de risco, minimizam a exposição direta. A limpeza úmida de depósitos e áreas externas, como galpões e silos, é recomendada para evitar a dispersão de partículas virais pelo ar.
A população deve estar ciente dos riscos e adotar uma postura de vigilância constante em relação à presença de roedores. A colaboração cidadã na notificação de eventos suspeitos e a adesão às orientações de saúde pública são essenciais para a manutenção do controle da doença no estado.






