Novo júri de ex-policial federal que atirou em posto de Curitiba tem data marcada

🕓 Última atualização em: 15/09/2026 às 19:12

Um novo capítulo se desenha no caso envolvendo o ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva, acusado de um ataque a uma loja de conveniências em maio de 2022. A juíza da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Mychelle Pacheco, estabeleceu o período de 9 a 13 de novembro como a nova data para o julgamento, com sessões iniciadas às 9h30. Entretanto, a magistrada comunicou seu afastamento do caso, que será conduzido por outro juiz. O episódio, que culminou na morte do fotógrafo André Munir Fritoli, de 32 anos, e deixou outras sete pessoas feridas, permanece sob escrutínio público.

O incidente, ocorrido no bairro Cristo Rei, teve um desenvolvimento dramático durante a tentativa de julgamento anterior. A sessão foi abruptamente interrompida em setembro, quando o réu, em um momento de aparente desespero, tentou tirar a própria vida. Informações da defesa indicam que Massuia teria utilizado um moletom para cometer o ato em sua cela. Foi o advogado de defesa que o encontrou em estado crítico, levando à sua rápida transferência para atendimento médico.

Após o incidente, o ex-policial foi encaminhado ao Complexo Médico Penal (CMP), localizado em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Massuia responde a acusações de homicídio triplamente qualificado e sete tentativas de homicídio, também triplamente qualificadas. As qualificadoras consideradas incluem motivo fútil, perigo comum e o uso de recursos que dificultaram a defesa das vítimas. Ele encontra-se sob custódia desde a data do crime.

Impacto na Saúde Mental e na Celeridade Judicial

A tentativa de suicídio do réu levanta sérias questões sobre a saúde mental no sistema prisional e judicial. A fragilidade emocional demonstrada por Massuia durante o julgamento anterior é um ponto crucial que a defesa busca ressaltar, argumentando contra a remarcação apressada do novo júri.

A defesa técnica de Ronaldo Massuia Silva emitiu uma nota criticando a decisão de remarcar o julgamento. Segundo os advogados, o episódio de tentativa de suicídio evidencia a extrema fragilidade emocional do acusado. A expedição de ofício ao Complexo Médico Penal visava garantir atendimento e resguardar sua integridade física e mental.

No entanto, a resposta da unidade de saúde trouxe preocupações adicionais. A defesa alega que apenas um médico está em atividade na unidade, com sua aposentadoria iminente. Essa situação, descrita como um “colapso assistencial”, gera perplexidade diante da nova data de julgamento estipulada para novembro, pouco antes da previsão de aposentadoria do profissional.

O advogado Heitor Luiz Bender, juntamente com Paulo Veiga e Carolina Natividade, assinou a manifestação. Eles questionam a decisão de designar uma nova sessão de julgamento sem atualizações sobre as reais condições físicas e psicológicas do acusado. A defesa considera o fato um descaso reiterado com a saúde mental de um indivíduo sob a custódia do Poder Judiciário.

Perspectivas e o Futuro do Caso

A remarcação do julgamento, apesar das preocupações levantadas pela defesa sobre as condições de saúde do réu e a capacidade do sistema prisional de oferecer o suporte necessário, sublinha a determinação do Poder Judiciário em prosseguir com o caso. A escolha de um novo magistrado para conduzir o júri pode indicar a necessidade de uma abordagem renovada ou isenta.

O caso de Ronaldo Massuia Silva expõe a complexa intersecção entre justiça criminal, saúde mental e a capacidade do sistema de responder a situações extremas. A data de novembro definirá os próximos passos em uma jornada judicial marcada por violência e fragilidade humana, com desdobramentos que exigirão rigorosa atenção às garantias processuais e aos direitos fundamentais.

A defesa afirma que continuará acompanhando o caso de perto e buscando todas as medidas cabíveis para assegurar que a integridade física e mental de seu assistido seja tratada com a seriedade que a situação demanda. A investigação dos crimes e a busca pela justiça para as vítimas e seus familiares permanecem como focos centrais.

Relembrando os fatos, o crime ocorreu em maio de 2022, numa loja de conveniência de posto de combustíveis. Imagens de câmeras de segurança registraram uma discussão que precedeu os disparos. Massuia, após deixar o local, retornou armado e efetuou pelo menos dez tiros, resultando na morte de André Fritoli. O ex-policial federal foi expulso da corporação após o episódio.

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