Um projeto de infraestrutura de grande porte promete reconfigurar o fluxo de veículos pesados no Paraná, aliviando um ponto crítico de congestionamento na região de Ponta Grossa. O novo contorno rodoviário, com um investimento estimado superior a R$ 1 bilhão, tem como objetivo principal desviar mais de 7,5 mil caminhões diariamente do trecho urbano da BR-376. Essa iniciativa visa não apenas otimizar o trânsito, mas também reduzir os impactos negativos da circulação intensa de veículos de carga no perímetro urbano.
A medida é vista como um passo fundamental para mitigar os efeitos da deterioração acelerada do pavimento e da consequente lentidão nas viagens. A presença constante de veículos de grande porte em áreas urbanas historicamente causa transtornos e eleva os custos logísticos para empresas e transportadoras, que dependem de rotas eficientes para suas operações.
O planejamento detalhado da concessionária Motiva Paraná indica que o novo contorno abrangerá os quilômetros 471 e 502 da BR-376, áreas estratégicas para a fluidez do tráfego regional. A extensão total da obra deverá alcançar aproximadamente 42 quilômetros, pontuada por nove dispositivos de acesso planejados para facilitar a entrada e saída de veículos.
Os benefícios esperados vão além da simples redução do tempo de viagem. O gerente executivo de Engenharia da Motiva Paraná, Alexandro Zopolato, destaca que a obra trará maior segurança para motoristas, moradores locais e pedestres, com uma expectativa de diminuição significativa nas colisões envolvendo caminhões e carretas. Além disso, prevê-se um impacto ambiental positivo, com a redução na emissão de gases poluentes.
Impacto na Segurança Viária e na Logística
Dados recentes compilados pela Motiva Paraná revelam uma preocupação latente com a segurança no trecho em questão. Segundo o levantamento, 21% dos acidentes registrados na BR-376 em Ponta Grossa envolveram veículos pesados. Entre maio de 2025 e maio deste ano, foram contabilizadas 44 ocorrências dessa natureza em um universo de 202 acidentes totais.
A gravidade desses incidentes também é um ponto de atenção. Aproximadamente 31% do total de acidentes resultaram em vítimas com lesões graves, leves ou moderadas, evidenciando a necessidade de intervenções que melhorem as condições de segurança. As informações são encaminhadas à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para análise e monitoramento.
A construção do contorno representa um forte impulso econômico para a região, com a projeção de geração de até 12 mil empregos, tanto diretos quanto indiretos. As primeiras contratações devem ter início a partir de 2027, marcando o começo da fase mais intensa de execução do projeto.
A Motiva Paraná é responsável pela concessão de 569 quilômetros de rodovias essenciais no estado, abrangendo 21 municípios em diversas vias importantes como a BR-369, BR-376, BR-373, PR-445, PR-170, PR-323 e PR-090. O plano de investimentos ao longo de 30 anos prevê R$ 16 bilhões em melhorias de infraestrutura, incluindo obras de contornos, duplicações e a adição de faixas de rolamento.
Uma Visão Abrangente de Mobilidade e Infraestrutura
A iniciativa em Ponta Grossa insere-se em um contexto maior de atuação da Motiva, que se posiciona como uma das principais empresas de infraestrutura de mobilidade no Brasil. Sua atuação se estende por três plataformas cruciais: Rodovias, Trilhos e Aeroportos, gerenciando um portfólio diversificado de 39 ativos distribuídos por 13 estados brasileiros.
Com uma força de trabalho de 16 mil colaboradores, a companhia administra e mantém aproximadamente 4.475 quilômetros de rodovias, realizando cerca de 3,6 mil atendimentos diários aos usuários. No setor de trilhos, a gestão de metrôs, trens e VLTs transporta anualmente 750 milhões de passageiros, demonstrando a escala de sua operação em transporte público.
No segmento aéreo, a Motiva opera 17 aeroportos no Brasil e três no exterior, atendendo aproximadamente 45 milhões de clientes por ano. A empresa tem um histórico de pioneirismo, tendo sido a primeira a abrir capital no Novo Mercado da B3 e integrando há 14 anos o hall de sustentabilidade da bolsa de valores brasileira, um indicativo do seu compromisso com práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).






