Gripe dispara no Brasil e Paraná intensifica preparo para pico de casos

🕓 Última atualização em: 14/05/2026 às 04:57

O Brasil tem registrado um aumento expressivo de casos de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), com um crescimento de 95% até abril deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. A temporada de influenza, historicamente concentrada entre maio e julho, adiantou sua chegada em diversas regiões do país, acendendo o alerta das autoridades de saúde pública. Foram contabilizados mais de 5,5 mil SRAGs por influenza e 352 óbitos associados à doença até o quarto mês do ano, segundo dados do Ministério da Saúde.

Grupos considerados mais vulneráveis ao agravamento dessas infecções e à necessidade de hospitalização incluem idosos, crianças pequenas e gestantes. A Vigilância Epidemiológica e o Laboratório Central do Estado (Lacen) no Paraná, em parceria com uma rede de 34 unidades sentinelas, intensificam o monitoramento da circulação viral no território.

Essa rede opera pela coleta contínua de amostras de pacientes com sintomas gripais em unidades de saúde distribuídas pelo estado. O Lacen realiza análises genéticas para identificar os vírus predominantes em cada localidade, fornecendo informações cruciais para a tomada de decisões em tempo real.

O mapeamento detalhado da circulação viral subsidia a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR) na formulação de estratégias preventivas, na alocação de medicamentos e no planejamento de campanhas de conscientização voltadas à população.

Ações de prevenção e imunização

A imunização se destaca como a principal ferramenta de defesa contra o agravamento de doenças respiratórias. No Paraná, até o dia 10 de maio, mais de 1,3 milhão de doses contra a influenza já haviam sido administradas. Desse total, mais de 760 mil doses foram destinadas a idosos acima de 60 anos e cerca de 150 mil a crianças de 6 meses a 5 anos, ambos grupos prioritários pela alta suscetibilidade.

A campanha de multivacinação, que se estende até o final de maio, é complementada por iniciativas municipais. Algumas cidades implementam ações de vacinação extramuros em escolas, eventos para a terceira idade e instituições de longa permanência para idosos (ILPIs). Há também um esforço para ampliar o horário de funcionamento dos postos de vacinação e abrir unidades aos sábados.

A meta estadual é alcançar 90% de cobertura vacinal entre os grupos prioritários, o que representa aproximadamente 4,5 milhões de paranaenses imunizados. A Sesa-PR aguarda o envio de novas remessas de vacinas pelo Ministério da Saúde e reforça a importância da adesão da população para atingir o objetivo. É fundamental que as pessoas busquem a vacinação antes da chegada oficial do inverno, pois o corpo leva, em média, três semanas para desenvolver a imunidade completa.

Além da vacinação, o combate às síndromes gripais requer a colaboração social com a adoção de medidas não farmacológicas. A Sesa recomenda a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, bem como cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar.

Manter os ambientes bem ventilados, evitar aglomerações e não compartilhar objetos de uso pessoal são outras orientações importantes para reduzir a disseminação viral. Pessoas que apresentarem sintomas como febre súbita, tosse, dor de garganta ou mal-estar devem procurar atendimento médico em unidades básicas de saúde (UBS) e evitar atividades coletivas até a completa recuperação.

A adoção de hábitos saudáveis, como manter uma boa hidratação e uma alimentação equilibrada, também contribui significativamente para o fortalecimento do organismo durante os meses mais frios do ano.

O papel do comportamento e do ambiente na transmissão viral

Embora o frio seja frequentemente associado ao surgimento de sintomas como cansaço, coriza e indisposição, o especialista em bacteriologia Marcos Kozlowski, do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, ressalta que o clima por si só não é o principal catalisador das doenças respiratórias. Ele aponta que o comportamento humano durante o inverno é o fator chave para a proliferação de vírus.

No período mais frio, as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados e com menor ventilação. Essa proximidade em locais com pouca circulação de ar favorece a transmissão de vírus respiratórios como o da influenza, covid-19, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). Essa dinâmica explica o aumento expressivo dos casos que se observa anualmente.

Kozlowski adverte que sintomas persistentes como fadiga intensa, indisposição prolongada ou infecções respiratórias recorrentes, embora frequentemente minimizados como “coisas do frio”, podem indicar condições subjacentes que merecem atenção. Esses sinais podem variar desde infecções virais e bacterianas até deficiências nutricionais, como a de vitamina D, ou mesmo quadros inflamatórios. A investigação clínica e laboratorial torna-se, portanto, essencial para um diagnóstico preciso e o tratamento adequado.

Diante desse cenário, a conscientização sobre a importância da vacinação e a manutenção de hábitos de higiene e distanciamento social tornam-se medidas indispensáveis para a proteção individual e coletiva. O fortalecimento da vigilância epidemiológica e a prontidão do sistema de saúde são cruciais para mitigar o impacto das epidemias sazonais e garantir a saúde da população.

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